[Foto: Abdias Pinheiro / ASCOM / TSE]
- Data decisiva: O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) agendou para o dia 2 de junho o julgamento do recurso do ex-governador Cláudio Castro contra sua condenação de inelegibilidade.
- Disputa no STF: Enquanto o TSE havia determinado eleições indiretas via Alerj, o PSD recorreu ao STF pedindo eleições diretas, e a Corte aguarda o desfecho no TSE para bater o martelo.
- Crise sucessória: Sem vice-governador desde 2025, o Rio de Janeiro é comandado interinamente pelo presidente do Tribunal de Justiça, Ricardo Couto de Castro, até a definição do mandato-tampão.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) definiu a data para um dos desdobramentos mais aguardados da política fluminense recente. No dia 2 de junho, a Corte julgará o recurso apresentado pelo ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, contra a decisão que o condenou à inelegibilidade.
O cenário jurídico e político do estado encontra-se em um impasse desde o dia 23 de março, data em que Castro foi condenado pelo tribunal, tornando-se inelegível até o ano de 2030. Como consequência direta dessa condenação, o TSE determinou a realização de eleições indiretas para a escolha de quem assumirá o mandato-tampão no estado. Neste modelo, o novo chefe do Executivo fluminense seria escolhido por meio dos votos dos deputados da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
A batalha judicial entre eleições diretas e indiretas
A decisão pela via indireta, no entanto, não pacificou o cenário. O Partido Social Democrático (PSD) acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para contestar a medida, defendendo que a escolha do novo governador seja feita por meio de eleições diretas, ou seja, pelo voto popular.
Em meio a essa disputa judicial, um movimento político adicionou complexidade ao caso. Na véspera do julgamento que culminou em sua condenação, Cláudio Castro oficializou sua renúncia ao mandato. O argumento oficial para a saída era o cumprimento do prazo legal de desincompatibilização para viabilizar uma futura candidatura ao Senado Federal, prazo este que se encerraria apenas no dia 4 de abril.
Nos bastidores, a renúncia antecipada foi amplamente interpretada como uma manobra estratégica. O objetivo seria forçar a manutenção do cenário de eleições indiretas, barrando a possibilidade de um pleito direto com a participação dos eleitores. Diante desse xadrez político, o STF optou pela cautela e, no momento, aguarda a conclusão do julgamento do recurso no TSE para decidir, em definitivo, qual será o formato das eleições no estado.
Linha Sucessória Desfalcada
A urgência para a realização de eleições para o mandato-tampão expõe uma crise institucional na linha sucessória do Governo do Estado do Rio de Janeiro. O desfalque no Executivo começou a se desenhar ainda em 2025, quando o então vice-governador, Thiago Pampolha, deixou o cargo para assumir uma cadeira no Tribunal de Contas do Estado (TCE).
Desde a saída de Pampolha, o estado ficou sem a figura do vice-governador. Atualmente, a chefia do Palácio Guanabara é exercida de forma interina pelo presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ), Ricardo Couto de Castro, que permanecerá no posto até que a Justiça Eleitoral e o STF definam os rumos do pleito suplementar.
*A data poderá sofrer alteração sem aviso prévio