[Foto: Ilustrativa / Google AI]
- Ação global: A Organização Mundial da Saúde (OMS) formou grupos de especialistas para avaliar vacinas e tratamentos contra o surto do vírus Ebola Bundibugyo (BVD) na República Democrática do Congo e em Uganda.
- Foco em pesquisas: Como não há medicamentos ou vacinas licenciadas para essa cepa, a OMS recomenda que as terapias candidatas promissoras sejam usadas exclusivamente em ensaios clínicos rigorosos.
- Tratamentos promissores: Especialistas priorizaram três terapias (MBP134, Maftivimab® e remdesivir) para infectados, e vacinas em desenvolvimento poderão iniciar testes em um prazo de 2 a 9 meses.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) mobilizou especialistas globais para conter o recente surto da doença de Ebola causada pelo vírus Bundibugyo (BVD). A epidemia, que atinge a República Democrática do Congo e relata casos em Uganda, foi classificada como uma emergência de saúde pública de importância internacional em maio de 2026.
Diante da ausência de vacinas ou tratamentos licenciados especificamente para a BVD, os grupos consultivos técnicos da OMS e o Grupo Consultivo Estratégico de Especialistas em Imunização (SAGE) avaliaram potenciais candidatas para combater o vírus. A principal recomendação da entidade é que todos os produtos identificados sejam aplicados estritamente em ensaios clínicos. Essa medida visa garantir que a pesquisa seja ética, segura e capaz de gerar dados científicos robustos.
Terapias e prevenção: o que está sendo testado
A OMS, em parceria com governos locais e agências internacionais de saúde, está facilitando a implementação dessas avaliações científicas. Os especialistas independentes estabeleceram prioridades claras para o tratamento de pacientes e a proteção de contatos.
Para o tratamento de infectados: Foram priorizadas três terapias para os casos confirmados de BVD:
- Anticorpos monoclonais MBP134 e Maftivimab®.
- O antiviral remdesivir.
- A avaliação de uma terapia combinada, utilizando um anticorpo monoclonal em conjunto com o remdesivir.
Para a prevenção (profilaxia pós-exposição): Para pessoas que tiveram contato com casos prováveis ou confirmados, o antiviral oral obeldesivir foi escolhido como prioridade. A estratégia envolve administrar os comprimidos para avaliar se eles impedem o desenvolvimento da doença. Contudo, os especialistas ressaltam que o sucesso dessa abordagem depende de um rastreamento de contatos muito eficiente, algo que ainda é um grande desafio operacional nas áreas afetadas.
O cenário das vacinas candidatas
A busca por imunizantes específicos contra a cepa Bundibugyo também tem alvos definidos:
- rVSV Bundibugyo (IAVI): Considerada a candidata mais promissora de dose única. A estimativa é de que leve entre 7 a 9 meses para estar pronta para testes clínicos.
- ChAdOx1 Bundibugyo (Universidade de Oxford/Serum Institute): Pode estar disponível mais rapidamente, em 2 a 3 meses, embora exija mais testes em animais para confirmar sua priorização. Pode ser usada em dose única para contatos de infectados ou em duas doses para populações de alto risco, como profissionais da saúde.
A OMS também revisou o uso da Ervebo, a única vacina atualmente licenciada contra o Ebola. Como ela foi aprovada apenas para a cepa mais comum (Orthoebolavirus) e os dados sobre proteção cruzada contra a BVD são inconclusivos, a agência recomenda que a Ervebo seja utilizada somente em ambientes de pesquisa rigorosamente planejados.
Em 19 de maio, o Comitê de Emergência da OMS confirmou que o evento não atende aos critérios de uma emergência pandêmica.
Na quinta-feira (21), o líder da área de pesquisa e desenvolvimento da OMS, Vasee Moorthy, detalhou que, embora o processo de seleção de candidatas à vacina tenha sido acelerado, as etapas clínicas obrigatórias impõem um freio na resposta à crise. Atualmente, existe um imunizante em desenvolvimento com foco específico na cepa Bundibugyo, mas ainda não há doses prontas para que os ensaios clínicos comecem neste exato momento.
Apesar do gargalo na produção, Moorthy garantiu que “esta deve ser a vacina priorizada como a mais promissora contra a cepa Bundibugyo”. O alerta principal, no entanto, fica por conta da urgência que o surto exige em contraste com a lentidão da ciência. Sendo categórico sobre o tempo de espera para que a vacina chegue às populações afetadas, o especialista explicou: “A informação que temos é que isso provavelmente levará de seis a nove meses”.
Como plano paralelo a esse longo período, a OMS monitora uma segunda vacina candidata. Segundo o consultor, este imunizante avança em outra fase de desenvolvimento e poderá ter doses liberadas para ensaios clínicos em um prazo mais curto, estimado entre dois e três meses.
Contudo, a organização adota um tom conservador sobre essa segunda opção, já que o cenário ainda é prematuro. “Há muita incerteza. Vai depender dos resultados de testes em animais para que ela possa ser considerada uma vacina promissora”, alertou Moorthy
Controle tradicional e foco na ética
Enquanto os ensaios clínicos não trazem respostas definitivas, a OMS alerta que a prioridade absoluta é frear a transmissão do vírus utilizando métodos que já se provaram eficazes há décadas. Isso inclui isolamento de pacientes, testagem rápida, rastreamento de contatos, vigilância epidemiológica e a realização de sepultamentos seguros.
Todo o esforço atual, que reflete o lema da agência de 2026, “Juntos pela saúde. Apoie a ciência”, está condicionado aos mais altos padrões éticos, exigindo o envolvimento e a confiança das comunidades locais afetadas pela emergência.
A ponta do iceberg e a crise de segurança
Os números oficiais mais recentes ainda não refletem a dimensão real do problema. O diretor-geral informou que, “até o momento, 82 casos foram confirmados na RDC, com sete mortes confirmadas”, mas fez um alerta contundente sobre a subnotificação. “Mas sabemos que a epidemia na RDC é muito maior. Atualmente, existem quase 750 casos suspeitos e 177 mortes suspeitas.”
O combate ao vírus ocorre em um dos ambientes operacionais mais hostis do mundo. As equipes médicas têm enfrentado ataques que sabotam a contenção da doença. “Ontem mesmo, houve um incidente de segurança em um hospital em Ituri, onde tendas e suprimentos médicos foram incendiados”, lamentou Adhanom. O impacto dessa violência na saúde pública é direto, o que levou o diretor a enfatizar que “construir a confiança nas comunidades afetadas é fundamental para uma resposta bem-sucedida e é uma das nossas maiores prioridades.”
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Características da variante e as diretrizes jurídicas de controle
A espécie Orthoebolavirus bundibugyoense é uma zoonose cujo reservatório natural na natureza são os morcegos frugívoros (Pteropodidae). O vírus infecta humanos pelo contato com sangue ou secreções de animais selvagens doentes (como porcos-espinhos e primatas) e passa a se espalhar de pessoa para pessoa através do contato direto com fluidos corporais (feces, vômito, suor, saliva e sangue) ou superfícies e roupas contaminadas. Em situações raras, a transmissão de homens recuperados para suas parceiras foi documentada devido à persistência do vírus no sêmen.
A classificação como emergência internacional ocorre porque a cepa possui uma taxa de letalidade histórica de 30% a 50% (em surtos ocorridos em 2007 e 2012) e, ao contrário da doença causada pelo vírus Ebola tradicional (DEV), que possui tratamento por anticorpos monoclonais como Ansuvimab e Inmazeb, e vacinas como Ervebo e Zabdeno, “não existem atualmente terapias ou vacinas específicas aprovadas para o vírus Bundibugyo”.
Apesar do nível máximo de alerta, a OMS esclareceu formalmente que o evento “não preenche os critérios de emergência pandêmica” definidos pelo RSI. Para atingir o status pandêmico, a doença precisaria demonstrar cumulativamente uma ampla propagação geográfica ativa dentro de múltiplos Estados, exceder de forma generalizada a capacidade de resposta dos sistemas de saúde e provocar perturbações econômicas ou sociais substanciais em nível internacional.
Para os países afetados, a OMS recomendou triagem transfronteiriça com medição de temperatura, veto a viagens internacionais de contatos por 21 dias, isolamento de pacientes até a obtenção de dois testes negativos com intervalo de 48 horas e a execução de “sepultamentos seguros e dignos” para evitar o contágio por cadáveres. No entanto, o Diretor-Geral reforçou uma ordem estrita direcionada aos países que estão fora do epicentro:
“Nenhum país deveria fechar suas fronteiras ou impor restrições a viagens e comércio. Tais medidas geralmente são implementadas por medo e não têm base científica.”
A justificativa técnica determina que barreiras comerciais severas quebram o abastecimento humanitário, destroem economias locais e empurram as populações para passagens de fronteira informais e clandestinas, inviabilizando o rastreamento e acelerando o contágio internacional.
*Com informações de OMS