[Foto: Ilustrativa / Google AI]
- Desocupação em alta sazonal: A taxa de desemprego chegou a 5,8% no trimestre encerrado em abril, o que representa 6,3 milhões de brasileiros em busca de trabalho, um aumento de 471 mil pessoas frente ao trimestre finalizado em janeiro.
- Rendimento e ocupação sustentada: O rendimento real habitual se fixou em R$ 3.732. O nível de ocupação ficou em 58,4%, considerado elevado pelo IBGE em comparação com anos anteriores, indicando resiliência do mercado.
- Recuo na informalidade: Na contramão do aumento da desocupação, a taxa de informalidade diminuiu para 37,2%, e a população subutilizada ou desalentada manteve-se estável.
A taxa de desocupação no Brasil voltou a registrar crescimento e atingiu a marca de 5,8% no trimestre encerrado em abril. Com o resultado, o contingente de pessoas que buscaram emprego sem sucesso no período totalizou 6,3 milhões, representando um acréscimo de 471 mil brasileiros na fila do desemprego em comparação com o trimestre finalizado em janeiro.
Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua Mensal, divulgada nesta quinta-feira (28/05) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar da alta na desocupação, indicadores importantes como a taxa de informalidade apresentaram melhora, e o rendimento real habitual de todos os trabalhos se consolidou em R$ 3.732.
A análise técnica do instituto aponta que o crescimento do desemprego neste período já era esperado e está ligado diretamente ao fim dos contratos temporários de fim de ano.
“O aumento da desocupação nesse trimestre móvel decorre essencialmente de comportamento sazonal de algumas atividades, tais como comércio e serviços pessoais que, após aquecimento no final de 2025, não retêm parcela de seus trabalhadores”, explicou a coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do IBGE, Adriana Beringuy.
Raio-X: Mercado de Trabalho (PNAD Contínua)
Nível de ocupação e estabilidade no mercado
No trimestre encerrado em março, a população ocupada somou 102,3 milhões de pessoas. Esse número representa uma leve queda de 0,3% (menos 338 mil vagas) no trimestre, mas evidencia um aumento de 1,1% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior (mais 1,07 milhão de trabalhadores).
O nível da ocupação, indicador que mede o percentual de pessoas trabalhando em relação à população em idade de trabalhar, foi estimado em 58,4% em abril. Houve uma leve redução de 0,3 ponto percentual em relação ao trimestre de novembro de 2025 a janeiro de 2026. O IBGE, contudo, avalia o cenário de forma positiva a longo prazo.
“Embora registrando perda de ocupação na comparação trimestral, o mercado de trabalho segue com elevado nível da ocupação quando comparado com anos anteriores da série histórica”, detalhou Adriana Beringuy. A pesquisadora ressalta a força do mercado: “Isso indica que mesmo diante do recuo sazonal, a geração de trabalho e renda se mantém sustentada”.
A maior perda de postos de trabalho no trimestre ocorreu no grupo “Outros serviços”, que registrou a saída de 162 mil pessoas. Nos demais setores, o cenário foi de estabilidade.
Panorama da Ocupação no Brasil
Raio-X do emprego: carteira assinada e setor público
As posições de ocupação não sofreram alterações bruscas frente ao trimestre anterior, mantendo a seguinte distribuição:
- Empregados no setor privado com carteira: 39,3 milhões (excluindo trabalhadores domésticos).
- Empregados no setor privado sem carteira: 13,3 milhões.
- Trabalhadores por conta própria: 26 milhões.
- Empregados no setor público: 12,9 milhões.
- Trabalhadores domésticos: 4,1 milhões sem carteira e 1,3 milhão com carteira assinada.
- Empregadores: 4,2 milhões.
Subutilização estagna e informalidade recua
Um dos dados mais positivos do levantamento foi a queda na taxa de informalidade. O índice passou de 37,5% (ou 38,5 milhões de informais) no trimestre encerrado em janeiro para 37,2% (38,1 milhões) no trimestre finalizado em abril. No mesmo período de 2025, essa taxa era ainda maior: 38%.
A população subocupada por insuficiência de horas trabalhadas também diminuiu, fechando em 4,2 milhões. Isso representa uma queda de 5,5% no trimestre (menos 246 mil pessoas) e de 7,3% no ano (menos 336 mil pessoas).
A taxa composta de subutilização da força de trabalho estabilizou em 13,8% no trimestre (15,7 milhões de pessoas). Na comparação anual, houve uma melhora expressiva: queda de 1,7 ponto percentual e menos 2 milhões de pessoas nessa condição.
A população desalentada, aqueles que desistiram de procurar emprego, manteve-se estável no trimestre em 2,6 milhões de pessoas (2,3%). Na comparação com o mesmo trimestre de 2025, o número de desalentados caiu 15,3%, significando que 464 mil brasileiros saíram dessa situação.
Distribuição da Ocupação e Indicadores
A pesquisa
A PNAD Contínua é o principal termômetro da força de trabalho no Brasil. A pesquisa visita a cada trimestre 211 mil domicílios em 3.500 municípios brasileiros, contando com o trabalho de cerca de 2 mil entrevistadores. A próxima divulgação do IBGE sobre o tema ocorrerá no dia 26 de junho.
*Com informações de IBGE