Isolamento hospitalar | Foto: Ilustrativa/ Google AI
[Foto: Ilustrativa/ Google AI]
Autoridades de diferentes países iniciaram uma operação de rastreamento de passageiros que desembarcaram do navio de cruzeiro MV Hondius após um surto de hantavírus associado à embarcação. Segundo informações divulgadas pelo jornal The Guardian, ao menos 29 passageiros de 12 nacionalidades deixaram o navio em 24 de abril, antes da implementação de medidas de isolamento relacionadas aos casos identificados a bordo.
O surto já resultou na morte de três pessoas e levou autoridades sanitárias internacionais a monitorarem possíveis casos em diferentes países. Apesar da repercussão global, a Organização Mundial da Saúde (World Health Organization) afirmou que não considera o episódio o início de uma epidemia ou pandemia semelhante à COVID-19.
Durante entrevista coletiva, a diretora de preparação e prevenção de epidemias e pandemias da organização, Maria Van Kerkhove, declarou que a situação não representa “o início de uma epidemia”, “o início de uma pandemia” e “não é COVID”. Segundo a entidade, cinco dos oito casos suspeitos ligados ao navio foram confirmados, enquanto outros casos ainda podem ser identificados.
Os hantavírus são um grupo de vírus encontrados principalmente em roedores, mas que podem infectar seres humanos. Entre os sintomas associados estão manifestações semelhantes às da gripe, síndrome pulmonar e insuficiência respiratória. O texto destaca que o hantavírus dos Andes pode ser transmitido entre humanos por meio de contato muito próximo, embora seja considerado menos contagioso do que a covid-19. Também foi informado que não existem vacinas disponíveis para a doença.
Três pessoas que apresentaram sintomas e foram removidas da embarcação para atendimento médico seguem em tratamento nos Países Baixos. Entre elas estão um médico de 41 anos, um passageiro alemão de 65 anos e Martin Anstee, de 56 anos, que atuava como guia de expedição no cruzeiro.
O Ministério da Saúde dos Países Baixos informou ainda que uma mulher que não esteve no navio está sendo submetida a exames para hantavírus em um hospital de Amsterdã. Ela permanece em uma ala de isolamento após apresentar sintomas compatíveis com a doença. Caso o teste apresente resultado positivo, ela poderá se tornar a primeira pessoa conhecida sem ligação direta com o MV Hondius a contrair a infecção relacionada ao surto.
A empresa responsável pela operação do navio, Oceanwide Expeditions, informou que 29 pessoas, além do corpo da primeira vítima fatal, desembarcaram na ilha de Santa Helena, território britânico ultramarino, em 24 de abril. A companhia afirmou que o primeiro caso confirmado de hantavírus só foi registrado oficialmente em 4 de maio.
Segundo a empresa, os passageiros que deixaram a embarcação incluíam seis cidadãos dos Estados Unidos e sete britânicos. Todos teriam sido contatados pelas autoridades ou pela operadora do cruzeiro. A maioria, possivelmente todos, já teria retornado aos respectivos países de origem.
Na Suíça, um homem que viajou até o país está sendo tratado em um hospital de Zurique após testar positivo para o vírus. Autoridades suíças afirmaram que não há risco para a população em geral relacionado ao caso.
Nos Estados Unidos, os Centers for Disease Control and Prevention acompanham passageiros que viajaram para os estados da Geórgia, Califórnia e Arizona. Segundo informações publicadas pelo jornal The New York Times, nenhum dos monitorados apresentou sinais da doença até o momento.
O caso mobiliza autoridades sanitárias internacionais devido à circulação de passageiros por diferentes países antes da adoção de medidas de isolamento relacionadas ao surto identificado no navio.