[Foto: Ilustrativa/ Google AI]
- Anvisa e Polícia Federal publicam nota técnica conjunta para combater a venda ilegal de medicamentos GLP-1.
- Quase 3 mil notificações de efeitos adversos foram registradas, com explosão de casos e mortes sob investigação em 2025.
- Operações recentes apreenderam milhões de unidades e detectaram substâncias sem registro mundial circulando no país.
Nesta quarta-feira (06/05), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Polícia Federal (PF) deram um passo decisivo no combate ao mercado ilegal de medicamentos agonistas do receptor do GLP-1, as famosas “canetas emagrecedoras”. Através de uma nota técnica conjunta, os órgãos estabeleceram diretrizes para uma atuação integrada do Estado contra os riscos sanitários e crimes associados à produção e comercialização desses produtos sem registro.
De acordo com o diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, a união de esforços é vital para a segurança pública. “Para a autoridade sanitária, esse trabalho é essencial para avaliar o risco concreto à saúde da população; para o Estado como um todo, os resultados fortalecem os inquéritos criminais, contribuindo para interromper cadeias ilícitas altamente organizadas, muitas vezes interestaduais e apoiadas em plataformas digitais”, afirmou Safatle.
Perícia e crime federal
A ofensiva prevê que medicamentos do tipo GLP-1 apreendidos em território nacional passem por perícia laboratorial da Polícia Federal. O objetivo é mapear o conteúdo real desses frascos, identificando substâncias ativas e possíveis impurezas. O comércio desses itens sem os devidos registros é tipificado como crime pelo Código Penal (Decreto-Lei nº 2.848/1940).
As autoridades alertam que as principais irregularidades envolvem o contrabando de canetas sem registro e a manipulação em condições precárias, o que gera riscos de contaminação, perda de eficácia e total incerteza sobre a pureza e conservação dos componentes.
Explosão de efeitos adversos e mortes
Os dados que motivaram a ação são alarmantes. Entre 2018 e 2026, a Anvisa contabilizou quase 3 mil notificações de efeitos adversos relacionados ao uso desses agonistas. O dado mais preocupante aponta que metade desses registros ocorreu apenas no ano de 2025.
Entre os relatos, figuram desfechos graves, incluindo óbitos. Embora a causa direta ainda careça de confirmação técnica em alguns casos, o crescimento vertiginoso do uso sem acompanhamento médico e o consumo de produtos ilícitos acenderam o alerta para a necessidade de repressão imediata às redes criminosas.
Operações em 2026: Tirzepatida e Retatrutida
O ano de 2026 já apresenta números expressivos de fiscalização. Somente entre janeiro e abril, a Anvisa inspecionou 26 estabelecimentos, resultando na interdição de oito deles e na apreensão de 1,3 milhão de unidades de injetáveis irregulares. Em outra frente, 11 inspeções em farmácias de manipulação e importadoras geraram 8 interdições por falhas graves de controle de qualidade.
Em uma operação conjunta realizada em 7 de abril, que abrangeu clínicas de estética e farmácias em 12 estados, foi desmantelada uma rede que movimentou R$ 4,8 milhões. Na ocasião, as autoridades apreenderam tirzepatida suficiente para fabricar mais de 1 milhão de dispositivos.
O caso mais grave, no entanto, foi a descoberta da retatrutida em três estados brasileiros. Trata-se de uma substância que ainda não foi lançada oficialmente nem possui registro em qualquer agência reguladora do mundo, evidenciando o perigo extremo ao qual os consumidores estão expostos.