[Foto: Ilustrativa]
- Inovação no acolhimento: O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) lançou o aplicativo A.Dot, voltado para facilitar a adoção de crianças mais velhas, adolescentes, grupos de irmãos e jovens com deficiência.
- Acesso e segurança: A plataforma, acessada via integração com o portal Gov.br, permite que pretendentes habilitados visualizem fotos e vídeos dos jovens, exigindo compromisso com o sigilo e autorização judicial.
- Números da adoção: O app estreou com 1.787 perfis cadastrados. Atualmente, mais de 90% das crianças e adolescentes na busca ativa no Brasil têm mais de oito anos, e mais de 60% possuem irmãos.
No Dia Nacional da Adoção, celebrado nesta última segunda-feira (25/05), o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) anunciou uma inovação tecnológica que promete encurtar distâncias e criar novas famílias. O aplicativo A.Dot foi oficialmente lançado com o objetivo de dar visibilidade a crianças e adolescentes que historicamente enfrentam maiores dificuldades para encontrar um lar definitivo.
A ferramenta integra a estratégia de busca ativa do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA) e tem como público prioritário crianças mais velhas, adolescentes, grupos de irmãos e aqueles com deficiência ou necessidades específicas de saúde.
Como funciona a plataforma
O A.Dot, que inicialmente funcionava de forma restrita no âmbito do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), foi expandido e apresentado nacionalmente em um webinário do CNJ. Agora, a tecnologia pode ser acessada diretamente com o login do portal Gov.br.
Por meio do aplicativo, os pretendentes podem iniciar um pré-cadastro, acompanhar o processo de habilitação e, uma vez aprovados, acessar perfis completos das crianças e adolescentes disponíveis. O grande diferencial da ferramenta é a inclusão de fotos, vídeos curtos e informações essenciais sobre a história de cada jovem.
O ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do CNJ, destacou durante o lançamento que a plataforma amplia o acesso à informação de maneira qualificada.
“Esse aplicativo permite que pretendentes devidamente habilitados tenham acesso seguro a informações autorizadas, inclusive conteúdo audiovisual, contribuindo para decisões mais conscientes e responsáveis”, afirmou o ministro, ressaltando o compromisso da tecnologia com a cooperação nacional e os direitos fundamentais.
Quebrando barreiras geográficas
De acordo com dados do CNJ, o Brasil possui hoje 1.801 crianças e adolescentes aptos para a busca ativa, sendo que o aplicativo já conta com 1.787 inseridos no sistema. O cenário reforça a necessidade de ferramentas digitais: mais de 90% desse público tem mais de oito anos de idade e mais de 60% possui ao menos um irmão.
O juiz auxiliar da presidência do CNJ e gestor do SNA, Hugo Zaher, celebrou a consolidação do A.Dot como um marco de respeito e sensibilidade.
“Pretendentes habilitados em qualquer unidade da federação poderão acessar diretamente pelo celular, na palma da mão, a busca ativa nacional de crianças e adolescentes aptos à adoção, superando barreiras geográficas e ampliando as possibilidades”, explicou o magistrado no webinário.
Resultados, Ética e Proteção
Desde 2019, o SNA já viabilizou mais de 33,5 mil adoções no Brasil. Desse montante, 1.826 ocorreram especificamente por meio da busca ativa. Um dado animador revelado por Zaher é que 65% das adoções realizadas por essa modalidade conseguem preservar grupos de irmãos juntos.
Ele também reforçou a importância do modelo para outros perfis: “Para crianças e adolescentes com deficiência, também a busca ativa é uma importante alternativa”.
Apesar da facilidade de acesso via celular, o CNJ estabeleceu regras rígidas para proteger os jovens. A inclusão de qualquer perfil no A.Dot depende de prévia autorização judicial. Além disso, o uso do aplicativo exige dos pretendentes um compromisso estrito com a preservação da identidade, da imagem, da intimidade e do sigilo absoluto das informações.
“O que buscamos é oferecer visibilidade qualificada, uma visibilidade ética protegida e humanizada, uma visibilidade que respeite a história, a identidade, a privacidade e o protagonismo de cada criança”, concluiu Zaher, destacando a tentativa de reduzir as invisibilidades dos processos de adoção tardia no país.
Entenda o Caso: Aplicativo A.Dot
O que é o aplicativo A.Dot?
É um aplicativo lançado pelo CNJ para promover a busca ativa de crianças e adolescentes que têm mais dificuldade de encontrar uma família adotiva, como os mais velhos, grupos de irmãos e jovens com deficiência.
Como posso acessar o A.Dot?
O acesso à tecnologia é feito utilizando o login oficial do portal Gov.br. Através dele, os interessados podem iniciar o pré-cadastro e acompanhar o processo de habilitação para adoção.
Qualquer pessoa pode ver as fotos das crianças?
Não. Apenas pretendentes devidamente habilitados têm acesso seguro a essas informações, incluindo fotos e vídeos. O uso exige compromisso com o sigilo, e a inclusão da criança depende de autorização judicial.
Qual é o perfil das crianças cadastradas no app?
Mais de 90% das crianças e adolescentes na busca ativa têm mais de oito anos de idade. Além disso, mais de 60% delas possuem pelo menos um irmão.
*Com informações de CNJ