InfinitePay Smart | Foto: Ilustrativa
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- A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) registrou 106,6 pontos em maio de 2026, marcando o maior nível de otimismo desde 2015, embalada pela queda na inflação de eletrodomésticos e eletrônicos.
- O sentimento de segurança no trabalho atingiu o topo em 12 meses, beneficiando principalmente as famílias com renda de até 10 salários mínimos, que puxam a fila do consumo no País.
- Apesar dos números positivos, a Confederação Nacional do Comércio (CNC) alerta que a taxa Selic alta continua sufocando as compras cotidianas e a retomada econômica.
O consumidor brasileiro voltou a olhar para as vitrines com mais otimismo em maio de 2026. Impulsionada por um alívio direto nos preços de itens desejados, como eletrônicos e eletrodomésticos, e por uma forte percepção de estabilidade no mercado de trabalho, a Intenção de Consumo das Famílias (ICF) avançou 1,6% na comparação com o mês anterior.
Os dados, apurados pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), revelam um marco: o índice geral bateu 106,6 pontos. Trata-se do patamar mais elevado registrado desde março de 2015. Se comparado ao mesmo período do ano passado, a expansão já atinge 3,3%, consolidando a sétima alta mensal consecutiva do indicador.
A disparada dos bens duráveis
A grande estrela dessa retomada tem nome e categoria: os bens duráveis. A vontade das famílias de adquirir eletrodomésticos e aparelhos eletrônicos deu um salto expressivo de 18,5% em relação ao ano anterior.
Esse apetite renovado não acontece por acaso. Há uma clara justificativa técnica no bolso do trabalhador. Enquanto o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) geral apontou uma alta de 0,67% no mês de abril, a inflação sobre os bens duráveis avançou tímidos 0,45%. A diferença é ainda mais gritante quando se observa a janela de 12 meses: a inflação oficial do País acumula 4,39%, mas os bens duráveis registraram um aumento de apenas 0,68% no mesmo período.
| Indicador Econômico | Bens Duráveis | Índice Geral (IPCA) |
|---|---|---|
| Disparada na Intenção de Compra Comparação com o mesmo período do ano anterior |
+18,5% | — |
| Alívio Inflacionário Mensal Resultados registrados no mês de abril |
0,45% | 0,67% |
| Inflação Acumulada Janela completa de 12 meses |
0,68% | 4,39% |
Trabalho em alta, mas juros preocupam
Essa “folga” gerada pelo freio nos preços dos duráveis encontrou terreno fértil na segurança profissional. O indicador que mede o emprego atual subiu 2% no mês, atingindo 128,2 pontos, o maior nível dos últimos 12 meses. Atualmente, 42,3% dos entrevistados relatam se sentir mais seguros em seus postos de trabalho, amparados por um aumento na massa de rendimentos.
Contudo, o cenário ainda exige cautela, especialmente em relação ao consumo do dia a dia e às compras de curto prazo. O indicador de consumo atual segue sendo o único na chamada “zona de pessimismo” da pesquisa (abaixo dos 100 pontos), registrando 93,8 pontos, apesar do crescimento recente. O grande vilão dessa estagnação imediata tem endereço certo: o custo do crédito.
O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, reconhece que a melhora reflete um cenário específico dos duráveis, mas alerta para os desafios persistentes do comércio.
“Não podemos ignorar que a taxa Selic permanece em patamar excessivamente elevado, atuando como freio na economia ao encarecer o crédito e limitar o poder de consumo imediato das famílias. Esse nível restritivo de juros drena a capacidade de venda das empresas e sufoca a retomada do crescimento”, avalia Tadros.
Ainda assim, as engrenagens financeiras mostram sinais vitais positivos: o acesso ao crédito cresceu 7,9% no ano e a renda atual teve expansão de 3,1% na mesma base de comparação.
| Indicador | Dado Registrado | Cenário Observado |
|---|---|---|
| Emprego AtualPercepção de segurança no trabalho | 128,2 pontos | Maior nível em 12 meses. 42,3% dos entrevistados relatam maior segurança. |
| Consumo AtualDisposição para compras de curto prazo | 93,8 pontos | Zona de pessimismo. Único indicador abaixo de 100 pontos, freado pela alta taxa Selic. |
| Acesso ao CréditoComparação anual | + 7,9% | Sinal vital positivo nas engrenagens financeiras das famílias. |
| Renda AtualExpansão na base de comparação anual | + 3,1% | Aumento na massa de rendimentos, ajudando a compor o orçamento. |
A força da base da pirâmide
O fôlego de longo prazo do comércio brasileiro tem sido sustentado de forma contundente pela base da pirâmide financeira. Famílias com renda de até 10 salários mínimos lideram o desempenho anual, com um avanço de 3,9% na intenção de consumo. Esse grupo, que se beneficia diretamente da inflação mais contida medida pelo INPC (4,11% em 12 meses, abaixo do IPCA geral), apresenta um expressivo otimismo de 4,1% nas perspectivas de compras futuras.
Por outro lado, o grupo com renda superior a 10 salários mínimos mostrou um crescimento mais modesto (1,4% ao ano) e demonstrou menor sensibilidade às melhorias estruturais de emprego. Apesar de expectativas futuras ainda negativas (-1,8% no ano), essa faixa de renda superior iniciou uma forte reação mensal em maio, revertendo perdas do mês anterior e ajudando a compor o retrato de um Brasil que, aos poucos, volta a planejar suas compras.
| Pergunta Frequente (FAQ) | O que os dados revelam? |
|---|---|
| Por que a Intenção de Consumo das Famílias (ICF) subiu em maio de 2026? | O avanço de 1,6% no mês foi puxado pela estabilidade no emprego e, principalmente, por uma disparada de 18,5% na vontade de comprar bens duráveis, impulsionada pelo alívio na inflação desses produtos. |
| Qual é a situação da inflação para eletrodomésticos e eletrônicos? | A inflação está muito menor nessa categoria. Em 12 meses, os bens duráveis registraram inflação de apenas 0,68%, bem abaixo do índice geral do País, que ficou em 4,39%. |
| Qual o impacto da Taxa Selic no momento atual do comércio? | Segundo a CNC, a taxa Selic excessivamente elevada atua como freio na economia. Ela encarece o crédito e limita as compras imediatas do dia a dia, mesmo com a melhora no emprego. |
| Qual classe de renda está puxando o consumo no Brasil? | As famílias com renda de até 10 salários mínimos lideram o otimismo, com alta de 3,9% na intenção de consumo em um ano. Essa camada se beneficia de uma inflação de preços mais contida e maior segurança no emprego. |
| Como está a percepção do trabalhador em relação ao seu emprego? | Muito positiva. O indicador de emprego atual subiu 2% no mês, atingindo o maior nível em um ano. Atualmente, 42,3% dos entrevistados relatam se sentir seguros em seus trabalhos. |