[Foto: Arquivo / André Gomes de Melo / Governo do RJ]
- Golpe no tráfico: A Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Capital (DRE-CAP) deflagrou, nesta sexta-feira (29/05), uma ofensiva contra o braço financeiro do Comando Vermelho.
- Lavagem de dinheiro: O esquema criminoso, que movimentou mais de R$ 453 milhões, utilizava empresas de fachada e depósitos fracionados para ocultar lucros do tráfico de drogas no Complexo do Salgueiro.
- Alcance interestadual: Com 14 criminosos presos até o momento, a ação ocorre simultaneamente em diversos estados brasileiros, visando desarticular a estrutura econômica da facção.
A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou, na manhã desta sexta-feira (29/05), uma nova fase da “Operação Contenção”, focada em desarticular o sofisticado núcleo financeiro do Comando Vermelho. A ofensiva, coordenada pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Capital (DRE-CAP), mira a estrutura de ocultação, dissimulação e lavagem de recursos ilícitos gerados pelo tráfico de drogas, com foco central no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo.
As investigações, que perduraram por aproximadamente um ano e quatro meses, revelaram um esquema bilionário de movimentação financeira. Segundo os levantamentos da especializada, o grupo movimentou mais de R$ 453 milhões. A operação, que conta com o apoio do Ministério Público através do Gaeco, mobilizou forças integradas das polícias Civil e Militar, incluindo unidades especializadas como a Core e o Bope.
O “Gestor Financeiro” do crime
A apuração da DRE-CAP identificou como peça-chave do esquema um homem conhecido como “Rabicó”, apontado como uma das lideranças do Comando Vermelho e principal operador financeiro da facção. Diálogos interceptados pelos investigadores confirmam que ele atuava como o verdadeiro gestor financeiro da organização criminosa, coordenando o gerenciamento de empresas de fachada e a utilização de terceiros para blindar o patrimônio ilícito.
O esquema utilizava uma rede complexa para conferir aparência de legalidade aos valores do narcotráfico, incluindo:
- Empresas de reciclagem e ferros-velhos de fachada.
- Contas bancárias de passagem e depósitos fracionados em espécie.
- Emissão de notas fiscais falsas.
Pulverização e estrutura interestadual
As diligências revelaram que empresas do ramo de reciclagem e comércio de sucatas transferiam valores milionários diretamente para as contas de “Rabicó” e de outras empresas por ele controladas. Além disso, os agentes identificaram a prática de receptação qualificada e a queima clandestina de cabos de cobre em estabelecimentos vinculados ao operador financeiro, demonstrando a integração dessas atividades ilícitas à cadeia de lavagem de dinheiro da facção.
Para dificultar o rastreamento, o grupo utilizava a técnica de pulverização de recursos em diversas contas bancárias. O mapeamento desses fluxos foi possível através de cruzamento de dados de Relatórios de Inteligência Financeira (RIF/COAF), análises bancárias e quebras de sigilos telemáticos e telefônicos.
Além da capital e da Região Metropolitana do Rio, os mandados são cumpridos em outros estados, como São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Maranhão, evidenciando o caráter interestadual da estrutura desarticulada nesta sexta-feira
*Com informações de PCERJ