Donald Trump (arquivo) | Foto: Andrea Hanks / Official White House
[Foto: Andrea Hanks / Official White House]
- Donald Trump afirmou que não pretende se envolver na disputa política brasileira, ao ser questionado sobre a carta divulgada por Flávio Bolsonaro.
- O presidente norte-americano confirmou que os Estados Unidos concederam autorização de entrada ao senador e à família, mas voltou a questionar, sem apresentar provas, aspectos da eleição brasileira.
- Na entrevista, Trump declarou que governa os Estados Unidos, não o Brasil, e afirmou que mantém boa relação com Luiz Inácio Lula da Silva.
- Flávio Bolsonaro publicou uma carta agradecendo a Trump e ao presidente argentino, Javier Milei, pelo apoio que teria recebido para deixar o Brasil.
- A primeira versão da carta apresentava Flávio como o “verdadeiro presidente eleito do país”. Cerca de meia hora depois, o texto foi alterado para “líder do Brasil”.
- O senador questionou a lisura da eleição, apesar de o resultado ter sido reconhecido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pela Organização dos Estados Americanos (OEA) e por diversos governos estrangeiros.
- Flávio chegou a Miami na quarta-feira (28), acompanhado da esposa e das duas filhas, depois de passar pela Argentina e pelo Equador.
- O Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, ligado aos democratas, criticou a concessão de visto ao senador e à família.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (28) que não pretende se envolver na situação política brasileira após a chegada do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado na eleição presidencial, aos Estados Unidos. Questionado sobre a possibilidade de tomar alguma medida relacionada ao pleito brasileiro, Trump declarou que sua responsabilidade é governar os Estados Unidos e não o Brasil. Mas questionou aspectos da eleição brasileira.
Trump confirmou que o governo norte-americano concedeu autorização de entrada ao senador brasileiro e à família. Ao comentar o resultado eleitoral, disse que considera estranha a maneira como os votos foram contabilizados e criticou a extensão do horário de votação.
Na sequência, Trump declarou que gosta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e mantém uma boa relação com ele. Apesar disso, disse considerar que a eleição teve uma aparência ruim em razão da forma como o resultado foi apurado e da extensão do horário de votação.
A manifestação ocorreu no mesmo dia em que Flávio Bolsonaro divulgou uma carta na qual agradeceu a Trump e ao presidente da Argentina, Javier Milei, pelo apoio que teria recebido para deixar o Brasil.
Trump confirma autorização de entrada
Ao ser questionado sobre a carta divulgada pelo senador, Trump evitou comentar diretamente o conteúdo do documento e afirmou que não pretende se envolver no assunto.
“Não vou fazer comentário sobre isso, mas eu sei que demos a ele uma autorização para entrar no país. Mas eu não vou me envolver. Foi uma eleição muito estranha, isso é certo”, declarou.
Ao ser perguntado se pretendia fazer alguma coisa em relação à eleição brasileira, Trump respondeu que governa os Estados Unidos. Em seguida, afirmou que mantém uma boa relação com Lula, mas criticou a forma de contabilização dos votos e a extensão do horário de votação.
As declarações do presidente norte-americano ocorreram após a divulgação de mensagens de Flávio Bolsonaro que questionavam o resultado eleitoral. As críticas de Trump à eleição, assim como as alegações feitas pelo senador, não foram acompanhadas de provas que demonstrassem fraude no pleito.
Carta de Flávio teve alteração em menos de uma hora
Após chegar aos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro publicou uma carta dirigida à opinião pública na qual agradeceu aos presidentes Donald Trump e Javier Milei pelo apoio que teria recebido para deixar o Brasil.
A primeira versão do documento apresentava o senador como o “verdadeiro presidente eleito do país”. Aproximadamente meia hora depois, o texto foi retirado e substituído por uma nova versão, na qual a expressão foi alterada para “líder do Brasil”.
Na carta, Flávio afirmou que a eleição brasileira teria sido fraudada, mas não apresentou provas para sustentar a alegação. Também criticou a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin de estender o horário de votação até as 19h.
A medida havia atendido a pedidos das campanhas do Partido Liberal (PL) e do Partido dos Trabalhadores (PT).
As declarações do senador contrariam o reconhecimento oficial do resultado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A eleição também foi reconhecida pela Organização dos Estados Americanos (OEA), por líderes de diversos países e pelo próprio PL, partido de Flávio.
No segundo turno, realizado no domingo (25), Lula recebeu aproximadamente 64 milhões de votos, enquanto Flávio obteve pouco mais de 59 milhões. Segundo os dados apresentados no material fornecido, a extensão de duas horas no horário de votação resultou em 34.393 votos contabilizados após as 17h, diante de um eleitorado de aproximadamente 158,7 milhões de pessoas aptas a votar.
Senador afirma que liderará oposição do exterior
Na carta, Flávio Bolsonaro também declarou que pretende liderar a oposição ao governo Lula a partir dos Estados Unidos.
“Por isso, liderarei a oposição daqui. Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr”, escreveu o senador, em referência aos parlamentares do PL que permaneceram no Brasil.
O documento também critica a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que havia proibido Flávio de deixar o país e determinado a entrega de seus passaportes pessoal e diplomático à Polícia Federal.
A medida foi expedida a pedido da Polícia Federal, que apontou risco de saída do território nacional em meio às investigações envolvendo o senador. Flávio é investigado em dois inquéritos que tramitam no Supremo.
Em um dos procedimentos, ele é investigado, ao lado do advogado Willer Tomaz, por suspeita de lavagem de dinheiro relacionada a plataformas de apostas. Ambos negam irregularidades. O segundo inquérito apura questões relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse, produção sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.
A viagem de Flávio aos Estados Unidos ocorreu na quarta-feira (28), depois de o senador e sua família passarem pela Argentina e pelo Equador. A primeira versão da carta também utilizava um brasão com a expressão “Estados Unidos do Brazil”, grafada com “z”, denominação que deixou de ser usada em março de 1967. A segunda versão mudou para o brazão com a expressão “República Federativa do Brasil”.
Críticas de democratas à concessão de visto
A entrada de Flávio Bolsonaro e de seus familiares nos Estados Unidos também provocou manifestações de integrantes da política norte-americana.
Na manhã de quarta-feira, o Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, ligado ao Partido Democrata, criticou a decisão do governo Trump de conceder visto ao senador brasileiro e à família.
Em publicação nas redes sociais, o comitê comparou o tratamento dado à família Bolsonaro com a política migratória norte-americana aplicada a pessoas que tentam deixar regiões afetadas por conflitos.
“Nenhum asilo para pessoas fugindo da guerra no Sudão ou de conflitos no Haiti, mas [o secretário de Estado Marco] Rubio está estendendo o tapete vermelho para Bolsonaro”, afirmou a publicação.
A manifestação questionou a diferença entre o tratamento concedido ao senador brasileiro e a posição do governo norte-americano em relação a pessoas que buscam proteção diante de conflitos internacionais.
O presidente norte-americano, entretanto, declarou que mantém uma boa relação com Lula e reiterou que sua função é governar os Estados Unidos, não o Brasil.
Com informações da Agência Brasil.
