[Banco Central do Brasil / Foto: Leonardo Sá / Agência Senado]
[Foto: Leonardo Sá / Agência Senado]
O cenário econômico brasileiro enfrenta um novo ciclo de pressão inflacionária. Segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (13/04) pelo Banco Central (BC), a previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano subiu de 4,36% para 4,71%.
Esta é a quinta elevação consecutiva nas projeções, consolidando um movimento de deterioração das expectativas em meio às tensões globais provocadas pela guerra no Oriente Médio. Com o novo ajuste, a inflação estimada para 2026 estoura formalmente o teto da meta estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A meta oficial é de 3%, com um intervalo de tolerância que permite o limite máximo de 4,5%.
Pressão nos preços e resiliência do PIB
O aumento da inflação já é sentido nos indicadores recentes. Em março, o IPCA fechou em 0,88%, impulsionado principalmente pela alta nos setores de transportes e alimentação. No acumulado de 12 meses, a inflação oficial registra 4,14%, segundo dados do IBGE.
Para os próximos anos, o mercado também elevou a projeção de 2027, que passou de 3,85% para 3,91%. Já as estimativas para 2028 e 2029 permanecem em 3,6% e 3,5%, respectivamente.
Apesar da escalada nos preços, a previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 manteve-se estável em 1,85%. Vale lembrar que, em 2025, o Brasil registrou o quinto ano seguido de crescimento, com uma expansão de 2,3% liderada pela agropecuária.
Selic: BC pode rever ciclo de redução
Para conter o avanço dos preços, o Banco Central utiliza a taxa Selic como principal ferramenta. Atualmente fixada em 14,75% ao ano, a taxa básica de juros passou por um corte recente de apenas 0,25 ponto percentual, frustrando a expectativa anterior de uma redução de 0,5 ponto, que foi contida pela escalada do conflito no Irã.
O Banco Central sinalizou que, embora houvesse indicação de um ciclo de queda, as incertezas internacionais podem forçar uma revisão dessa estratégia. Se necessário, o ciclo de baixa pode ser interrompido para garantir o controle da demanda e dos preços. A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) está agendada para os dias 28 e 29 de abril.
No câmbio, os analistas preveem o dólar encerrando o ano de 2026 em R$ 5,37, com uma leve alta para R$ 5,40 em 2027.
*Com informações de BC