[Foto: Richard Souza / AN]
- IPCA-15 registra taxa de 0,62% em maio, apresentando recuo em relação aos 0,89% observados em abril.
- Alimentação e Habitação lideram os aumentos, puxados pela disparada da batata-inglesa (26,29%) e pelo acréscimo da bandeira amarela na energia elétrica.
- Queda no preço dos combustíveis e gratuidades no transporte público em várias capitais ajudaram a frear o índice geral no mês.
A prévia da inflação oficial do Brasil mostrou alívio no mês de maio de 2026, mas o consumidor ainda sente o peso nas compras de supermercado e nas contas básicas. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) registrou alta de 0,62%, ficando 0,27 ponto percentual abaixo da taxa de abril, que havia sido de 0,89%.
Apesar da desaceleração mensal, o índice acumula alta de 3,02% no ano. Nos últimos 12 meses, a inflação bate a marca de 4,64%, superando os 4,37% registrados no período imediatamente anterior. Para efeito de comparação, em maio de 2025, o indicador estava em 0,36%.
Prévia da Inflação – IPCA-15
Histórico e acumulado do indicador
| Período | Taxa |
|---|---|
| Maio 2026Atual | 0,62% |
| Abril 2026 | 0,89% |
| Maio 2025 | 0,36% |
| Acumulado no ano | 3,02% |
| Acumulado (12 meses) | 4,64% |
O vilão da feira: Alimentos disparam
Dos nove grupos pesquisados, Alimentação e bebidas foi o que mais pesou no bolso das famílias, com alta de 1,38% e o maior impacto no resultado geral. Fazer supermercado ficou mais caro: a alimentação no domicílio fechou o período em 1,73%.
O grande destaque negativo foi a batata-inglesa, que disparou impressionantes 26,29%. Outros itens comuns na mesa do brasileiro também assustaram, como o tomate (12,97%), o leite longa vida (6,07%) e as carnes (1,98%). Como alento, o consumidor encontrou preços mais baixos na maçã (-2,32%) e no café moído (-2,09%).
Já quem precisou comer fora de casa sentiu um impacto menor. A alimentação fora do domicílio desacelerou para 0,51%, influenciada por altas mais tímidas na refeição (0,57%) e no lanche (0,37%) em comparação ao mês anterior.
Variação de Preços: Alimentação e Bebidas
| Item / Categoria | Variação no Mês |
|---|---|
| Alimentação no Domicílio (+1,73%) | |
Batata-inglesa |
+26,29% |
Tomate |
+12,97% |
Leite longa vida |
+6,07% |
Carnes |
+1,98% |
Café moído |
-2,09% |
Maçã |
-2,32% |
| Alimentação Fora do Domicílio (+0,51%) | |
Refeição |
+0,57% |
Lanche |
+0,37% |
Habitação e Saúde também pressionam o orçamento
O grupo Habitação teve a segunda maior influência na inflação de maio, com alta de 1,03%. O principal responsável foi a energia elétrica residencial (2,16%), impactada diretamente pela entrada em vigor da bandeira tarifária amarela, que adiciona R$ 1,885 a cada 100kWh consumidos. Reajustes tarifários em cidades como Salvador (4,78%), Fortaleza (5,59%) e Recife (3,86%) também contribuíram para a conta de luz mais cara. O grupo ainda registrou altas na taxa de água e esgoto (0,13%) e no gás encanado (0,44%).
Cuidar da saúde também exigiu mais do orçamento familiar. O grupo Saúde e cuidados pessoais subiu 1,05%, reflexo direto da autorização de reajuste de até 3,81% nos medicamentos a partir de abril, o que levou os produtos farmacêuticos a uma alta de 1,25%. Produtos de higiene pessoal (1,60%) e planos de saúde (0,50%) completam a lista de aumentos do setor.
Variação de Preços: Habitação e Saúde
| Item / Categoria | Variação no Mês |
|---|---|
| Habitação (+1,03%) | |
Energia elétrica residencial |
+2,16% |
Gás encanado |
+0,44% |
Taxa de água e esgoto |
+0,13% |
| Saúde e Cuidados Pessoais (+1,05%) | |
Produtos de higiene pessoal |
+1,60% |
Produtos farmacêuticos |
+1,25% |
Plano de saúde |
+0,50% |
Transportes trazem alívio com queda nos combustíveis
Se comer e morar ficou mais caro, a locomoção ajudou a puxar a inflação para baixo. O grupo Transportes foi a grande âncora de maio, registrando deflação de 0,33%.
A principal boa notícia veio das bombas: os combustíveis caíram 1,47%. O etanol recuou 2,73%, seguido pelo óleo diesel (-2,04%) e pela gasolina (-1,32%). A exceção foi o gás veicular, que subiu 2,12%. Em contrapartida, quem precisou voar pagou mais caro, já que as passagens aéreas subiram 3,25%, revertendo a queda brusca observada em abril.
O transporte público também deu uma trégua para muitos trabalhadores. O ônibus urbano registrou queda média de 0,56%, fortemente influenciado por políticas de gratuidade ou redução de tarifas aos domingos e feriados em cidades como São Paulo, Salvador, Brasília, Belém, Belo Horizonte e Curitiba.
Variação de Preços: Transportes
| Item / Categoria | Variação no Mês |
|---|---|
| Transportes (-0,33%) | |
Passagens aéreas |
+3,25% |
Gás veicular |
+2,12% |
Ônibus urbano |
-0,56% |
Gasolina |
-1,32% |
Óleo diesel |
-2,04% |
Etanol |
-2,73% |
O mapa da inflação: Goiânia em alta, Brasília em baixa
O custo de vida variou consideravelmente pelo país. Goiânia registrou a maior inflação regional (1,41%), puxada paradoxalmente por fortes altas locais no etanol (16,62%) e na gasolina (9,67%).
Na ponta oposta, Brasília teve o menor resultado do país (0,33%), beneficiada justamente pelas quedas nos preços do ônibus urbano (-3,30%) e da gasolina (-2,96%).
Índices Regionais do IPCA-15
Variação da inflação por capitais e regiões metropolitanas
| Região | Peso Regional (%) | Variação (%) | Variação Acumulada (%) | ||
|---|---|---|---|---|---|
| Abril | Maio | No Ano | 12 Meses | ||
| Goiânia | 4,96 | 0,65 | 1,41 | 3,34 | 5,21 |
| Fortaleza | 3,88 | 0,83 | 0,93 | 3,64 | 5,27 |
| Belém | 4,46 | 1,46 | 0,75 | 3,61 | 4,37 |
| Salvador | 7,19 | 1,19 | 0,69 | 3,54 | 4,65 |
| Recife | 4,71 | 1,18 | 0,66 | 3,72 | 5,51 |
| Rio de Janeiro | 9,77 | 0,92 | 0,65 | 3,33 | 4,08 |
| Porto Alegre | 8,61 | 1,12 | 0,63 | 2,78 | 4,37 |
| São Paulo | 33,45 | 0,74 | 0,54 | 2,89 | 5,07 |
| Belo Horizonte | 10,04 | 0,84 | 0,54 | 3,12 | 4,28 |
| Curitiba | 8,09 | 0,96 | 0,40 | 2,16 | 3,37 |
| Brasília | 4,84 | 0,41 | 0,33 | 2,25 | 4,22 |
| Brasil | 100,00 | 0,89 | 0,62 | 3,02 | 4,64 |
*Com informações de IBGE