[Foto: WHO / Pierre Albouy]
- Risco Controlado: O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, confirmou que não há indícios de um surto maior, classificando o risco global como “baixo”.
- Balanço de Casos: Até o momento, foram registrados 11 casos (9 confirmados da cepa Andes), com três óbitos ocorridos antes de 2 de maio.
- Protocolo de Segurança: Passageiros repatriados de 23 nacionalidades devem cumprir quarentena ativa de 42 dias, estendendo o monitoramento até 21 de junho.
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, trouxe um tom de cautela e alívio em coletiva realizada nesta terça-feira (12/05). Ao avaliar o surto de hantavírus identificado no navio de cruzeiro MV Hondius, que navegava pelo Oceano Atlântico, Tedros afirmou que a situação está sob monitoramento rigoroso, mas descartou, por ora, a iminência de uma emergência sanitária de larga escala.
“Neste momento, não há indícios de que estejamos presenciando o início de um surto maior. Mas, é claro, a situação pode mudar. E, considerando o longo período de incubação do vírus, é possível que vejamos mais casos nas próximas semanas”, alertou o diretor.
O cenário a bordo: Cepa Andes e isolamento
O surto no MV Hondius contabiliza 11 casos entre passageiros e tripulantes. Deste total, nove foram confirmados como sendo da cepa Andes e dois são tratados como prováveis.
Tedros destacou que a contenção foi eficaz: “Não houve nenhuma morte desde o dia 2 de maio, quando a OMS foi informada pela primeira vez sobre o surto. Todos os casos suspeitos e confirmados foram isolados e estão sendo acompanhados sob rigorosa supervisão médica, minimizando qualquer risco de transmissão.”
Solidariedade internacional e a operação em Tenerife
A evacuação bem-sucedida de 125 passageiros em Tenerife, na Espanha, foi o ponto central da operação logística. Utilizando 360 agentes, drones e unidades de risco biológico, a Espanha garantiu a retirada segura dos ocupantes para repatriação. O Primeiro-Ministro espanhol, Pedro Sánchez, defendeu a ação humanitária contra críticas políticas internas.
“Este mundo não precisa de mais egoísmo ou mais medo. O que precisa é de países solidários que queiram dar um passo à frente”, afirmou Sánchez, reiterando que a Espanha agiu por responsabilidade legal e obrigação moral com 150 famílias.
Tedros Adhanom reforçou o apoio à decisão espanhola: “Nossa visão era que [manter os passageiros confinados no navio] teria sido desumano e desnecessário. Ontem, durante nossa coletiva, cheguei a chamar de cruel a sugestão de fazer isso.”
Monitoramento ativo: O marco de 21 de junho
Com a conclusão da repatriação, a responsabilidade de monitoramento passa a ser de cada país de origem. A recomendação da OMS é de que todos os envolvidos permaneçam em quarentena, em instalações específicas ou em casa, por um período de 42 dias a partir da última exposição, ocorrida em 10 de maio.
Isso significa que o alerta para esses grupos se estende até o dia 21 de junho. “Qualquer pessoa que apresentar sintomas deve ser isolada e tratada imediatamente. Nosso trabalho não terminou”, concluiu Tedros. Enquanto os passageiros espanhóis seguem para o Hospital Gómez Ulla e os estadunidenses para o Nebraska, o MV Hondius ruma para Rotterdam, onde passará por desinfecção total.
| Pergunta | Resposta Técnica |
|---|---|
| Qual a situação atual do risco global? | A avaliação da OMS é de que o risco permanece baixo e não há sinais de um surto maior no momento. |
| Quantos casos e mortes foram confirmados? | 11 casos registrados entre tripulação e passageiros, com 3 óbitos (todos antes de 2 de maio). |
| Qual é o período de quarentena recomendado? | 42 dias a partir da última exposição (10 de maio), com monitoramento ativo até 21 de junho. |
| Qual a cepa do hantavírus identificada? | A maioria dos casos confirmados pertence à cepa Andes. |
*Com informações de OMS