[Foto: Richard Souza / AN]
- Investigação da 54ª DP apontou que nenhum dos dez adolescentes atingidos por estilhaços foi o responsável pela entrada do explosivo no colégio.
- Imagens de câmeras de segurança estão sendo analisadas para identificar o real autor; Esquadrão Antibomba recolheu o material para perícia.
- Artefato feito de PVC, pregos e parafusos detonou no pátio do CIEP Lasar Segall; aulas estavam suspensas até esta terça-feira (12/05).
A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ) concluiu que nenhum dos dez adolescentes feridos na explosão de uma bomba caseira no CIEP 388 Lasar Segall, em Belford Roxo, foi o responsável por levar o artefato para a instituição. A detonação ocorreu na manhã de sexta-feira (08/05), no pátio da unidade escolar estadual, localizada no bairro Areia Branca, e mobilizou um forte aparato de segurança na Baixada Fluminense.
Logo após o incidente, o Corpo de Bombeiros havia relatado que “de acordo com as primeiras informações, um material explosivo teria detonado no pátio da unidade escolar após ser manuseado por um aluno”. A prefeita do município, Mariana Canella, também chegou a afirmar em suas redes sociais que “uma criança lançou um artefato caseiro na unidade”.
A atuação técnica das forças de segurança descartou o envolvimento das vítimas na origem do ataque. Segundo a corporação, todos os menores atingidos foram ouvidos por uma equipe da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (Dcav). “Após análise técnica e diligências realizadas pelos agentes da distrital, foi constatado que nenhum dos adolescentes levou o artefato para a escola”, garantiu a Polícia Civil.
Para esclarecer completamente os fatos e localizar quem de fato ingressou com o explosivo e causou a detonação, os investigadores da 54ª DP (Belford Roxo) realizam novas diligências e analisam de forma minuciosa as imagens das câmeras de segurança da região e da própria escola.
Atuação do Esquadrão Antibomba e socorro às vítimas
O artefato improvisado, descrito pelo Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (Sepe RJ) como um tubo de PVC contendo pregos, porcas e parafusos, espalhou estilhaços pelo pátio no momento da explosão.
O local precisou ser isolado pela Polícia Militar para a entrada de tropas especializadas. “Agentes do Esquadrão Antibomba da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) realizaram uma varredura preventiva na unidade escolar e não localizaram outros artefatos”, detalhou a PCERJ. Todo o material recolhido pelos agentes de elite será submetido à perícia técnica.
Os dez feridos, nove meninos (com idades de 13, 14, 16 e 17 anos) e uma menina de 16 anos, receberam os primeiros socorros de bombeiros e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) na própria escola. Posteriormente, foram encaminhados ao Hospital Geral de Emergência do município. A Prefeitura de Belford Roxo confirmou que todos tiveram ferimentos leves, foram medicados e já receberam alta. A prefeita Mariana Canella acompanhou o atendimento médico, afirmando estar “dando apoio às famílias e acompanhando o atendimento das crianças”.
Cobrança por segurança e paralisação das atividades
Diante do risco vivido por centenas de alunos, a Secretaria de Estado de Educação (Seeduc) e a direção do CIEP determinaram o fechamento temporário da unidade. As aulas foram suspensas e foram retomadas nesta terça-feira (12/05). Na segunda-feira foi realizado um “alinhamento das ações pedagógicas e administrativas, visando o pleno recebimento dos alunos”.
O episódio gerou forte cobrança por parte dos profissionais da educação. O Sepe RJ declarou que “vai solicitar da SEEDUC e das autoridades de segurança uma apuração rigorosa de todos os fatos que envolveram a entrada de um artefato explosivo com potencial de causar vítimas fatais no interior de uma escola pública”.
*Com informações de PCERJ