[Foto: Divulgação / TrensRJ]
- Fim de um ciclo: Após quase 30 anos, a SuperVia encerra suas operações; o consórcio NovaVia Mobilidade, através da TrensRJ, assume a malha de quase 300 km.
- Novo modelo de gestão: A remuneração da empresa passa a ser por quilômetro rodado, e não mais por número de passageiros, garantindo previsibilidade.
- Investimentos e transição: Com um aporte de R$ 650 milhões do Estado em cinco anos, o foco inicial será na limpeza, segurança e manutenção sem alterar a rotina, gratuidades ou passagens dos usuários.
A partir deste sábado, 30 de maio de 2026, a malha ferroviária da Região Metropolitana do Rio de Janeiro passa a ser administrada por um novo operador. A TrensRJ, braço operacional do consórcio NovaVia Mobilidade, assume oficialmente o comando do sistema, encerrando uma concessão de quase três décadas da SuperVia. A transição, firmada em um modelo de permissão com validade de cinco anos, promete ser uma janela técnica para a reconstrução de um sistema profundamente desgastado.
O novo modelo de operação e remuneração
A principal mudança contratual está na forma como a concessionária será paga. Diferente da gestão anterior, que dependia do volume de usuários nas catracas, a TrensRJ será remunerada por produção quilométrica. Isso atrela o ganho financeiro da empresa à oferta real de viagens e à pontualidade dos trens, oferecendo maior estabilidade ao sistema.
Neste formato, o Governo do Estado do Rio de Janeiro mantém o controle sobre o valor da tarifa e a gestão das gratuidades. O poder público também se compromete a injetar cerca de R$ 650 milhões ao longo do contrato para garantir as obras estruturais essenciais. À TrensRJ, caberá a operação do dia a dia, a manutenção da frota e a condução dos projetos de engenharia. A compra de novos trens continua sendo responsabilidade do Estado.
Para enfrentar o desafio, o consórcio NovaVia Mobilidade, formado por fundos de investimento em infraestrutura, buscou peso internacional e nacional. A operação terá o suporte técnico do Grupo Barraqueiro, principal operador privado de transportes em Portugal, e da brasileira MPE Engenharia, especialista na manutenção metroferroviária.
O cenário de degradação herdado
A TrensRJ herda um sistema em crise técnica e financeira aguda. A malha de aproximadamente 300 quilômetros (distribuída em cinco ramais) e 104 estações sofre com o sucateamento crônico. O número de passageiros, que já chegou a ser de 750 mil diários no passado, despencou para a faixa de 270 mil a 330 mil usuários por dia.
A SuperVia, que operou até a última sexta-feira (29), comunicou ao governo em 2023 sua incapacidade de manter o serviço. A antiga operadora culpou sucessivos prejuízos, o congelamento das passagens e os constantes furtos de cabos. A crise se refletia diretamente na rotina dos fluminenses: descarrilamentos, falhas elétricas, superlotação e aumento no tempo de viagem, como no ramal Japeri, que somou quase 20 minutos extras nos últimos anos.
O que muda imediatamente para o passageiro?
A promessa da nova gestão é que a melhoria será progressiva, exigindo intervenções profundas. Um diagnóstico preliminar já apontou a necessidade de renovar pelo menos 75 quilômetros de trilhos, trocar 390 mil dormentes, substituir 68 mil metros cúbicos de brita e reformar 73 quilômetros de rede aérea.
Nos primeiros 90 dias, o sistema passará por uma operação assistida, com TrensRJ e SuperVia atuando conjuntamente. O foco imediato do novo consórcio será estabelecer a normalidade operacional, melhorar a limpeza (tanto de estações quanto das composições) e reforçar a segurança com o apoio do Grupamento de Polícia Ferroviária (GPFer).
Para os usuários, não haverá impacto na rotina de embarque. A TrensRJ garantiu que os validadores do Riocard Mais continuarão operando normalmente. As regras de gratuidade e a Tarifa Social (fixada em R$ 5,00 para usuários cadastrados) seguem inalteradas, assegurando que a população não pague a conta pelo período de transição enquanto as reformas estruturais saem do papel.
Guia Rápido: Entenda a Mudança nos Trens do RJ
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