- A Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) confirmou a morte de um homem de 46 anos por hantavirose em Carmo do Paranaíba, ocorrida em fevereiro.
- Em nota oficial, o órgão garantiu que o óbito não tem relação com outros registros da doença, mas reforçou o alerta para quem atua na zona rural.
- Sem tratamento específico, a infecção ocorre principalmente pela inalação de partículas provenientes de roedores silvestres infectados.
A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) emitiu um alerta após a confirmação de um caso fatal de hantavirose no estado. A infecção, atestada pela Fundação Ezequiel Dias (Funed), resultou na morte de um paciente no mês de fevereiro deste ano.
A vítima foi um homem de 46 anos, residente no município de Carmo do Paranaíba, na região do Alto Paranaíba. Segundo os registros médicos, o paciente possuía histórico de contato com roedores silvestres em uma área de lavoura. Apesar do óbito, o governo estadual tranquilizou a população: “Trata-se de um caso isolado, sem relação com outros registros da doença”, destacou a SES-MG em seu informe.
Transmissão silenciosa no campo
A hantavirose é classificada como uma zoonose viral aguda. No Brasil, ela se manifesta com maior frequência sob a forma da temida Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus.
O risco é acentuado no campo. A secretaria estadual explica que “as infecções por hantavírus ocorrem principalmente em áreas rurais, geralmente associadas a atividades ocupacionais ligadas à agricultura e ao contato com ambientes infestados por roedores silvestres”.
O contágio, na grande maioria das vezes, não depende da mordida do animal. De acordo com as autoridades de saúde, “a transmissão para humanos ocorre, na maioria das vezes, pela inalação de partículas presentes na urina, fezes e saliva de roedores infectados”.
Sintomas e ausência de antiviral
Os sintomas iniciais incluem febre, dores no corpo, dor de cabeça, dor lombar e dor abdominal. Quando a infecção evolui para sua forma grave, o paciente passa a sofrer com dificuldade respiratória, tosse seca, aceleração dos batimentos cardíacos e queda abrupta da pressão arterial.
A necessidade de prevenção rigorosa se justifica por um fator clínico alarmante citado pela SES-MG: “Não existe tratamento específico para a hantavirose. O atendimento é baseado em medidas de suporte clínico, conforme avaliação médica.”
Prevenção: O que diz a secretaria de saúde
A SES-MG reforça que, sem vacina ou remédio direcionado, a única forma de defesa é o controle rigoroso do ambiente para afastar os roedores. As diretrizes oficiais incluem:
- Armazenamento blindado: Manter todos os alimentos em recipientes fechados.
- Limpeza técnica: Ao limpar paióis, galpões e armazéns, nunca se deve varrer a seco. É obrigatório umedecer o chão com água e sabão antes da limpeza, além de ventilar fortemente o ambiente antes de entrar.
- Gestão de resíduos: O lixo orgânico precisa ser enterrado a pelo menos 30 metros de distância das residências. O lixo comum e entulhos devem ter destino adequado.
- Barreira sanitária: Manter terrenos sempre roçados e limpos ao redor das casas, e evitar que plantações fiquem a menos de 40 metros de distância das moradias.
- Cuidado com os animais: A ração não deve ficar exposta, e os restos de alimentos dos animais domésticos precisam ser retirados diariamente.
Entenda o Caso: Hantavirose em MG
O que causou a morte confirmada em Minas Gerais?
Onde e quando o caso ocorreu?
Existe risco de um surto da doença?
Como a hantavirose é transmitida para humanos?
Qual é o tratamento para a hantavirose?
Panorama histórico: Os números da hantavirose no Brasil
Para compreender a real dimensão do risco dessa zoonose, o Ministério da Saúde rastreia de perto a “situação epidemiológica” no país, monitorando o histórico de casos confirmados e óbitos.
O levantamento oficial revela o peso da doença. De acordo com os dados do governo federal, no período de 1993 a 2024, o Brasil registrou um total de 2.377 casos confirmados de hantavirose, que resultaram em 937 óbitos. O mapeamento aponta um “perfil dos casos confirmados” bastante claro: 70% das infecções ocorrem na zona rural.
O rastreio também identifica as atividades de maior perigo para a contaminação. O levantamento de “Local Provável de Infecção (LPI)” e comportamento de risco mostra que:
- 54% dos infectados se expuseram limpando locais fechados ou galpões em áreas rurais.
- 48% contraíram o vírus durante desmatamento, aragem de terra ou plantio agrícola.
- 46% relataram ter tido contato direto com roedores silvestres (vivos ou mortos).
- 36% estavam envolvidos com moagem e/ou armazenamento de grãos.
Evolução e histórico de óbitos (2013 a 2026)
Para detalhar ainda mais o impacto letal da doença, o monitoramento oficial também estratifica os “Óbitos confirmados de Hantavirose por Local Provável de Infecção”. O mais recente levantamento da SINAN/SVSA/MS e eSUS/ES, que engloba o panorama de mortes nas “Regiões e Unidades Federadas” entre os anos de 2013 e 2026, mostra que o Brasil registrou oscilações ao longo da última década.
O estado de Minas Gerais, cenário do atual caso em Carmo do Paranaíba, mantém um registro constante de vítimas ao longo da série histórica, com picos em 2013 (8 óbitos) e 2016 (10 óbitos). Nos anos mais recentes consolidados, o estado contabilizou 4 mortes em 2024 e outras 4 em 2025. O único registro no estado em 2026 corresponde exatamente ao alerta recém-emitido pela SES-MG.
Em âmbito nacional, o ano mais letal do período analisado foi 2013, somando 58 óbitos.
| Região e UF | 2013 | 2014 | 2015 | 2016 | 2017 | 2018 | 2019 | 2020 | 2021 | 2022 | 2023 | 2024 | 2025* | 2026* |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Região Norte | 3 | 1 | 2 | 4 | 1 | 2 | 0 | 1 | 0 | 1 | 2 | 0 | 1 | 0 |
| Pará | 2 | 1 | 2 | 4 | 1 | 2 | 0 | 1 | 0 | 1 | 2 | 0 | 1 | 0 |
| Rondônia | 1 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 |
| Região Nordeste | 1 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 1 | 0 | 1 | 0 |
| Maranhão | 1 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 1 | 0 | 1 | 0 |
| Região Sudeste | 14 | 8 | 8 | 19 | 9 | 5 | 4 | 2 | 1 | 4 | 2 | 5 | 4 | 1 |
| Minas Gerais | 8 | 3 | 5 | 10 | 3 | 3 | 1 | 2 | 1 | 2 | 2 | 4 | 4 | 1 |
| São Paulo | 6 | 5 | 3 | 9 | 6 | 2 | 3 | 0 | 0 | 2 | 0 | 0 | 0 | 0 |
| Rio de Janeiro | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 1 | 0 | 0 |
| Região Sul | 15 | 9 | 11 | 13 | 11 | 7 | 8 | 2 | 5 | 8 | 9 | 7 | 7 | 0 |
| Paraná | 5 | 3 | 10 | 7 | 2 | 4 | 3 | 0 | 1 | 2 | 1 | 0 | 0 | 0 |
| Santa Catarina | 7 | 3 | 0 | 3 | 3 | 2 | 3 | 2 | 3 | 3 | 7 | 4 | 5 | 0 |
| Rio Grande do Sul | 3 | 3 | 1 | 3 | 6 | 1 | 2 | 0 | 1 | 3 | 1 | 3 | 2 | 0 |
| Região Centro-Oeste | 17 | 11 | 12 | 9 | 6 | 6 | 3 | 5 | 0 | 6 | 3 | 2 | 2 | 0 |
| Mato Grosso | 7 | 9 | 7 | 4 | 4 | 3 | 0 | 3 | 0 | 3 | 3 | 2 | 2 | 0 |
| Goiás | 8 | 1 | 3 | 2 | 0 | 2 | 3 | 0 | 0 | 1 | 0 | 0 | 0 | 0 |
| Distrito Federal | 2 | 1 | 2 | 3 | 1 | 1 | 0 | 2 | 0 | 2 | 0 | 0 | 0 | 0 |
| Mato Grosso do Sul | 0 | 0 | 0 | 0 | 1 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 |
| Ignorado/Em branco | 8 | 6 | 4 | 1 | 5 | 5 | 1 | 5 | 0 | 1 | 1 | 3 | 0 | 0 |
| BRASIL (Total) | 58 | 35 | 37 | 46 | 32 | 25 | 16 | 15 | 6 | 20 | 18 | 17 | 15 | 1 |
Fonte: SINAN/SVSA/MS; eSUS/ES. Atualizado em 27/04/2026. *Dados preliminares, sujeitos à alteração e modificação. Estados com 0 ocorrências em toda a série histórica foram ocultados para facilitar a visualização.
*Com informações de SES-MG e Ministério da Saúde