[Foto: Ilustrativa/ Google AI]
O Brasil atingiu a marca de 79,3 milhões de domicílios particulares permanentes em 2025, um crescimento de 18,9% em comparação a 2016. No entanto, mais do que o aumento no número de casas, os dados da Pnad Contínua, divulgados nesta sexta-feira (17/04) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelam uma mudança drástica no comportamento do brasileiro: o país está alugando mais, vivendo mais em apartamentos e envelhecendo rapidamente.
A era do aluguel e a verticalização
Entre as formas de ocupação, o aluguel foi o destaque absoluto, registrando uma alta de 54,1% no período pesquisado. Em contrapartida, os domicílios próprios já pagos apresentaram recuo. De acordo com o analista da pesquisa, William Kratochwill, “foi um aumento de 5,4 pontos percentuais em relação a 2016. Quase um quarto dos domicílios brasileiros são alugados”.
Embora as casas ainda sejam a maioria (82,7%), a moradia em apartamentos cresceu 48,7%, sinalizando uma verticalização acelerada das cidades brasileiras.
Infraestrutura e o desafio do saneamento rural
A qualidade das construções mostrou evolução. A alvenaria com revestimento atingiu 89,7% dos lares, um avanço que, segundo Kratochwill, “mostra uma evolução econômica das regiões”. O uso de pisos de cerâmica ou lajota também subiu para 82,9%.
Contudo, os dados acendem um alerta para o saneamento básico. Se nas áreas urbanas 79,3% dos domicílios estão ligados à rede geral de esgoto, nas áreas rurais esse índice despenca para apenas 8,9%. Outro dado preocupante é a gestão de resíduos: a queimada na propriedade ainda é o destino do lixo em 4,8 milhões de domicílios, concentrados principalmente no Norte e Nordeste.
Mobilidade regional e bens de consumo
A posse de bens revela contrastes regionais marcantes. Enquanto a máquina de lavar roupa teve um aumento contínuo, chegando a 72,1% dos lares, o transporte mostra faces diferentes do Brasil: nas regiões Norte e Nordeste, as motocicletas são mais presentes do que os carros. No Sudeste, ocorre o inverso, com a menor proporção de motos do país (20,1%).
O novo perfil demográfico: Mais velhos e mais solos
A população brasileira, estimada em 212,7 milhões, está em processo visível de envelhecimento. O contingente de pessoas com menos de 30 anos caiu 10,4% desde 2012. Por outro lado, o grupo com 60 anos ou mais subiu para 16,6% do total.
Essa mudança reflete-se na composição dos lares. As unidades unipessoais (pessoas que moram sozinhas) agora representam 19,7% dos domicílios. O perfil de quem vive só é distinto entre os sexos: a maioria dos homens tem entre 30 e 59 anos (56,6%), enquanto a maioria das mulheres que moram sozinhas são idosas com 60 anos ou mais (56,5%).
Cor e raça: Declaração branca recua
A pesquisa também aponta mudanças na autodeclaração étnico-racial. O percentual da população que se declara branca caiu de 46,4% em 2012 para 42,6% em 2025. Pela primeira vez, no Sudeste, esse índice ficou abaixo da metade: “na Região Sudeste, o percentual de pessoas que se declaram ficou abaixo dos 50%, ficando em 48,9%”, destacou o analista do IBGE. Em contrapartida, a população que se declara preta saltou de 7,4% para 10,4% no mesmo período.
Os domicílios alugados, que tiveram um crescimento de 54,1% entre 2016 e 2025.
Ainda é um grande desafio: apenas 8,9% dos domicílios rurais possuem escoamento de esgoto ligado à rede geral.
Sim. Os domicílios com apenas um morador saltaram de 12,2% para 19,7%, somando 8,2 milhões de novos lares unipessoais.
O Brasil está envelhecendo. A população com mais de 60 anos subiu para 16,6%, enquanto a parcela com menos de 30 anos sofreu uma redução de 10,4% em seu contingente.
Sim. Nas regiões Norte e Nordeste, há mais domicílios com motos do que com carros. Já no Sul, registra-se a maior posse de carros (68,3%).
*Com informações de IBGE