Comércio popular | Foto: Richard Souza / GE
[Foto: Richard Souza / GE]
O mercado de trabalho brasileiro iniciou o ano de 2026 com marcas expressivas. A taxa de desocupação no trimestre encerrado em março ficou em 6,1%, o menor patamar para este período de toda a série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua), iniciada em 2012. Acompanhando o aquecimento do emprego, o rendimento médio e a massa salarial do país bateram novos recordes.
Embora a taxa de desemprego tenha sofrido um leve aumento sazonal de 1,0 ponto percentual em relação ao último trimestre de 2025 (quando marcou 5,1%), ela é 0,9 ponto percentual menor que a registrada no mesmo trimestre do ano anterior (7,0%).
Atualmente, o contingente de desempregados é de 6,6 milhões de pessoas. Houve um aumento de 1,1 milhão de pessoas na busca por trabalho frente ao trimestre anterior, mas, no comparativo anual, a fila do desemprego encolheu em 987 mil pessoas (queda de 13,0%).
Segundo a coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, Adriana Beringuy: “a redução observada do número de trabalhadores informais decorreu da retração dos contingentes de empregados sem carteira assinada no setor privado e de trabalhadores por conta própria sem CNPJ.”
Renda recorde e injeção na economia
O bolso do trabalhador sentiu o impacto positivo. O rendimento real habitual de todos os trabalhos alcançou o inédito valor de R$ 3.722. Esse número representa um crescimento real de 1,6% no trimestre e uma forte alta de 5,5% no ano.
A massa de rendimento real habitual, que soma todas as remunerações do país, também atingiu o seu pico: R$ 374,8 bilhões. Na prática, isso significa uma injeção de R$ 24,8 bilhões a mais na economia brasileira no intervalo de um ano (crescimento de 7,1%).
Os setores que mais puxaram o aumento da renda média no trimestre foram o Comércio (alta de 3,0%, ou mais R$ 86) e a Administração Pública (alta de 2,5%, ou mais R$ 127). Na comparação anual, seis grupamentos registraram ganhos expressivos nos contracheques, com destaque para a categoria “Outros Serviços”, que teve salto de 11,4% (mais R$ 320).
Impacto Positivo na Renda do Trabalhador
▲ 5,5% no ano
(+ R$ 24,8 Bi na economia)
Setores que Puxaram a Alta
-
Comércio (Trimestre)▲ 3,0% (+ R$ 86)
-
Administração Pública (Trimestre)▲ 2,5% (+ R$ 127)
-
Outros Serviços (Anual – Maior Destaque)▲ 11,4% (+ R$ 320)
Segundo Adriana, a relação direta entre a formalização e o recorde na renda: “O rendimento cresceu em atividades que reduziram a participação em seus contingentes de trabalhadores informais ou de formais com menores rendimentos. Dessa forma, relativamente à base de comparação trimestral com maior participação de ocupação informal, a média de rendimento do trabalho atual registrou alta”
Carteira assinada em alta e informalidade em queda
Segundo o IBGE, o Brasil conta hoje com 102 milhões de pessoas ocupadas. Apesar de uma retração de 1 milhão de vagas no trimestre, o saldo anual é positivo em 1,5 milhão de novos postos. O nível de ocupação atual é de 58,2%.
Sobre este movimento, Beringuy esclarece: “a redução do contingente de trabalhadores ocorreu em atividades que, tipicamente, apresentam esse comportamento; seja devido à tendência de recuo no Comercio nesse período do ano; seja pela dinâmica de encerramento de contratos temporário nas atividades de Educação e Saúde no setor público municipal.”
A força de trabalho formal se manteve aquecida. O país soma 39,2 milhões de empregados com carteira assinada no setor privado, um contingente que cresceu 1,3% (mais 504 mil pessoas) em um ano. Já o número de empregados sem carteira recuou 2,1% no trimestre, fixando-se em 13,3 milhões.
Como reflexo direto dessas movimentações, a taxa de informalidade caiu. Atualmente, 37,3% da população ocupada (38,1 milhões de pessoas) atua na informalidade. O índice é inferior aos 37,6% do trimestre anterior e aos 38,0% do primeiro trimestre de 2025.
Subutilização e desalento diminuem no ano
A pesquisa também trouxe dados sobre a população subutilizada, que inclui desempregados, quem trabalha menos do que gostaria ou quem não pôde procurar emprego. A taxa de subutilização subiu para 14,3% no trimestre, mas apresenta uma queda de 1,6 ponto percentual na comparação anual.
A população desalentada, ou seja, aqueles que desistiram de procurar emprego por acharem que não encontrariam, ficou estável no trimestre em 2,7 milhões, mas o número é 15,9% menor (menos 509 mil pessoas) do que o registrado no mesmo período do ano passado.
Dinâmica dos Setores
A análise por grupamentos de atividade revela que o primeiro trimestre de 2026 foi marcado por ajustes. Frente ao final de 2025, três áreas cortaram postos de trabalho: Administração Pública (-439 mil), Comércio (-287 mil) e Serviços Domésticos (-148 mil).
Contudo, na visão anual, áreas estratégicas seguem contratando forte. A Administração Pública gerou 860 mil vagas em um ano, seguida pelo bloco de Informação, Comunicação e Atividades Financeiras, com 406 mil novos postos. A única retração anual significativa ocorreu no setor de Serviços Domésticos, que perdeu 202 mil postos.
Raio-X do Emprego: Formalidade em Alta
Dinâmica dos Setores de Trabalho
Balanço Anual (Criação vs Fechamento)
- Administração Pública +860 mil
- Informação e Finanças +406 mil
- Serviços Domésticos -202 mil
Ajustes no Trimestre (Retrações)
- Administração Pública -439 mil
- Comércio -287 mil
- Serviços Domésticos -148 mil
Sobre a PNAD Contínua
A pesquisa visita 211 mil domicílios trimestralmente, em todos os estados e no DF, operada por cerca de 2 mil entrevistadores. Os cidadãos podem confirmar a identidade dos pesquisadores pelo site oficial do IBGE ou pelo telefone 0800 721 8181. A próxima divulgação ocorrerá em 28 de maio.
| Pergunta Frequente | Resposta (Dados do IBGE) |
|---|---|
| Qual foi a taxa de desemprego no 1º trimestre de 2026? | Ficou em 6,1%. É a menor taxa para um trimestre encerrado em março desde o início da pesquisa em 2012. |
| De quanto é o rendimento médio do brasileiro agora? | O rendimento bateu um novo recorde, chegando a R$ 3.722 mensais, com alta de 5,5% no ano. |
| Quantas pessoas trabalham com carteira assinada? | São 39,2 milhões no setor privado, um aumento de 504 mil trabalhadores no último ano. |
| O que aconteceu com a taxa de informalidade? | Ela caiu para 37,3%, somando 38,1 milhões de brasileiros trabalhando em ocupações informais. |
| Quantos brasileiros estão ocupados no total? | Atualmente, o nível de ocupação engloba 102,0 milhões de pessoas em todo o país. |
*Com informações de IBGE