Sala de cinema | Foto: Ilustrativa / LensGO
[Foto: Ilustrativa / LensGO]
O mês de conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), conhecido como Abril Azul, joga luz sobre um desafio contínuo no setor de entretenimento brasileiro: a oferta de atividades exclusivas e confortáveis para o público com sensibilidade sensorial. Caminhando nessa direção há seis anos, o projeto Cine Azul, promovido pela Cinesystem, consolidou-se como um marco de inclusão no país, levando mais de 21 mil espectadores às salas de cinema desde dezembro de 2019.
A iniciativa da quinta maior exibidora do Brasil começou em apenas seis unidades e, hoje, está presente em todos os 28 multiplex da rede. De Santarém, no Pará, a Rio Grande, no Rio Grande do Sul, o projeto chega a municípios que, antes da instalação da empresa, não possuíam sequer salas de exibição cinematográfica.
Como funciona uma sessão adaptada?
O grande diferencial do Cine Azul está na transformação do ambiente físico e das regras tradicionais do cinema, criando um espaço acolhedor e livre de julgamentos. Realizadas sempre no último sábado de cada mês, as exibições recebem as seguintes adaptações:
- Som reduzido: O volume dos filmes é ajustado para não causar desconforto auditivo.
- Iluminação: As luzes da sala não são totalmente apagadas, permanecendo parcialmente acesas durante toda a sessão.
- Liberdade de expressão: A plateia tem total liberdade para caminhar pela sala, conversar, cantar e até dançar enquanto o filme é exibido.
Recordes de público e formação de memórias
De acordo com dados, no ano de 2023, as 12 edições do projeto reuniram mais de 10 mil cinéfilos. Já em 2025, o projeto bateu seu recorde histórico de público unitário: a exibição do filme Lilo & Stitch levou 1.400 pessoas simultaneamente às unidades da rede.
Mais recentemente, no último dia 11 (em edição alinhada ao Abril Azul), o longa Super Mario Galaxy: O Filme reuniu 495 espectadores. A escolha de títulos de grande apelo popular é uma estratégia assumida pela empresa para atrair famílias inteiras e diferentes gerações.
Para a gerente de Marketing da rede, Samara Vilvert, o impacto vai além das estatísticas de bilheteria.
“É um projeto que nasceu do entendimento de que cinema vai muito além do filme. Ao longo desse período, vimos o projeto se transformar em um ponto de encontro de famílias que, muitas vezes, não tinham vivenciado essa experiência juntos no cinema. Esse é o nosso maior resultado: a certeza de que estamos criando memórias e abrindo espaços que deveriam estar disponíveis para todos desde sempre”, comenta Vilvert.
Um movimento contínuo de personalização
O Cine Azul faz parte de uma estratégia da exibidora, que visa personalizar a ida ao cinema, garantindo que diferentes perfis de público encontrem seu espaço nas telonas. Além das sessões para pessoas com TEA e outras sensibilidades, a rede opera o CineMaterna, voltado para famílias com bebês, e o Cinepets, com exibições adaptadas para que tutores possam levar seus animais de estimação.