[Foto: Ilustrativa / LensGO]
- Ferramenta do Governo já atraiu mais de meio milhão de pessoas que buscaram o bloqueio voluntário em todas as casas de apostas autorizadas.
- Perda de controle e problemas financeiros lideram os motivos de exclusão, com 69% dos usuários optando pelo bloqueio por tempo indeterminado.
- Ministério da Saúde investe em pesquisa inédita e lança “Guia de Cuidado” com foco no atendimento pelo SUS, incluindo teleatendimento e autoteste digital.
A relação dos brasileiros com as casas de apostas eletrônicas ganhou um novo contorno. Desde o lançamento da Plataforma Centralizada de Autoexclusão pelo Governo do Brasil, em dezembro de 2025, mais de 574 mil pessoas já recorreram à ferramenta para bloquear voluntariamente o próprio CPF. O sistema, gerido pelo Ministério da Fazenda, impede o acesso simultâneo a todas as plataformas de apostas autorizadas no país e suspende o envio de publicidade direcionada.
Os dados revelam um alerta claro sobre os impactos do jogo no cotidiano: 207 mil usuários, o equivalente a 41% dos cadastrados, apontaram a perda de controle sobre o jogo e os impactos na saúde mental como a principal razão para solicitar a autoexclusão. As dificuldades financeiras e o endividamento motivaram 12% dos bloqueios. Além disso, 18% utilizaram o recurso para prevenir o uso indevido de seus dados, 13% tomaram a decisão de forma puramente voluntária e 14% preferiram não detalhar o motivo.
Durante o processo de exclusão, o cidadão pode definir o tempo que deseja ficar afastado das bets. A grande maioria (69%) optou pelo bloqueio por tempo indeterminado. Entre os 31% que escolheram um prazo específico, o período de um ano foi o mais selecionado.
Balanço da Plataforma de Autoexclusão
| Perda de controle / Impactos na saúde mental | 41% |
| Prevenir uso indevido de dados | 18% |
| Preferiram não informar | 14% |
| Decisão puramente voluntária | 13% |
| Dificuldades financeiras / Endividamento | 12% |
SUS e o acolhimento em saúde mental
Diante da escalada do sofrimento psíquico ligado aos jogos, a plataforma de autoexclusão também passou a atuar como uma ponte para o Sistema Único de Saúde (SUS), reunindo links e orientações para atendimento especializado.
“Estamos criando instrumentos modernos para enfrentar um problema contemporâneo com respostas concretas, baseadas em evidências e orientadas pela proteção da população. A iniciativa integra uma estratégia mais ampla de prevenção, cuidado e redução de danos, além de fortalecer a oferta de acolhimento e atenção em saúde mental no SUS”, destacou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Para orientar os profissionais da saúde na linha de frente, o Ministério da Saúde elaborou o Guia de Cuidado para Pessoas com Problemas Relacionados a Jogos de Apostas. O documento técnico detalha como a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), que abrange desde as Unidades Básicas de Saúde (UBS) até os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), deve acolher os pacientes. O SUS adota a perspectiva da redução de danos e da clínica ampliada, tratando o fenômeno como uma questão de saúde pública estruturada por determinantes sociais e comerciais, e não apenas como um adoecimento individual.
Documento Oficial: Guia de Cuidado
Acesse o material completo do Ministério da Saúde com orientações práticas para o acolhimento e tratamento de pacientes na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).
Baixar Guia em PDFTeleatendimento e autoteste
Além das portas abertas nas unidades físicas, a população conta com canais como a Ouvidoria do SUS e o aplicativo Meu SUS Digital. De forma inédita, foi lançado um serviço de teleatendimento em saúde mental voltado exclusivamente para casos de jogos e apostas. Realizada em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, a iniciativa recebeu investimento de R$ 2,5 milhões e tem capacidade para acolher até 650 pacientes por mês.
Outro recurso é o Autoteste do Jogo, uma ferramenta digital de reflexão. Embora não forneça diagnóstico clínico, o teste utiliza perguntas simples para identificar sinais de alerta, como irritação ao tentar parar de jogar ou necessidade de apostar novamente para recuperar perdas. Dependendo da pontuação, o usuário recebe indicações claras de onde buscar suporte precoce na rede pública.
Pesquisa nacional inédita
Para fundamentar as próximas políticas públicas, o Ministério da Saúde assinou nesta terça-feira (26) um Termo de Execução Descentralizada (TED). Com repasse de R$ 6 milhões, o governo viabilizou a primeira pesquisa nacional sobre apostas e saúde mental no âmbito do SUS. O estudo será conduzido pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e tem início previsto ainda para 2026, com o objetivo de mensurar a fundo os impactos das bets no cotidiano das famílias brasileiras.
Entenda o Caso: Autoexclusão e Saúde Mental
O que é a Plataforma de Autoexclusão?
É uma ferramenta do Governo lançada em dezembro de 2025 que permite bloquear o próprio CPF simultaneamente em todas as casas de apostas autorizadas no Brasil. O sistema também cessa o envio de publicidade sobre bets.
Por quanto tempo o CPF fica bloqueado?
O usuário decide o prazo durante o cadastro. Atualmente, 69% dos inscritos escolheram o bloqueio por tempo indeterminado e 31% optaram por prazos específicos (sendo 1 ano o mais comum).
O que é o Autoteste do Jogo?
É um mecanismo digital do Ministério da Saúde com perguntas simples para reflexão. Ele identifica sinais de alerta, como a irritação ao tentar parar de jogar, e indica a UBS ou CAPS mais próximo para suporte.
Onde buscar tratamento para o vício no SUS?
O acolhimento gratuito pode ser feito nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). O SUS também oferece um teleatendimento especializado em parceria com o Hospital Sírio-Libanês.