[Banco Central do Brasil / Foto: Leonardo Sá / Agência Senado]
[Foto: Leonardo Sá / Agência Senado]
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou, nesta quarta-feira (29/04) o segundo corte consecutivo da taxa básica de juros da economia brasileira. Por decisão unânime, a Selic foi reduzida em 0,25 ponto percentual, passando a operar em 14,5% ao ano. A medida, que já era aguardada pelo mercado financeiro, ocorre em um cenário desafiador marcado pelas tensões da guerra no Oriente Médio e seus impactos na inflação doméstica.
Até março deste ano, a taxa permaneceu no patamar de 15% ao ano por dez meses, o nível mais alto registrado em quase duas décadas. A nova redução busca baratear o crédito para estimular a produção e o consumo, mas esbarra no desafio de manter os preços sob controle em um momento de incertezas externas.
O peso do cenário internacional na inflação
O trabalho do Copom tem sido dificultado pelos desdobramentos do conflito no Oriente Médio, que pressionam diretamente os preços de alimentos e combustíveis no Brasil. Em comunicado oficial, o Banco Central alertou para os riscos de um prolongamento da guerra.
A autoridade monetária destacou, em citação direta: “Nesse momento, as projeções de inflação apresentam distanciamento adicional em relação à meta no horizonte relevante para a política monetária. Ao mesmo tempo, a incerteza acerca dessas projeções foi elevada consideravelmente, em função da falta de clareza sobre a duração dos conflitos e de seus efeitos sobre os condicionantes dos modelos de projeção analisados”.
Desfalques na mesa do Copom
A decisão desta semana foi tomada por uma diretoria incompleta. O comitê operou com três desfalques importantes. Os diretores Renato Gomes (Organização do Sistema Financeiro) e Paulo Pichetti (Política Econômica) encerraram seus mandatos no final de 2025, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não enviou as indicações de substitutos ao Congresso. Além disso, Rodrigo Teixeira, diretor de Administração, ausentou-se da reunião devido ao falecimento de um familiar de primeiro grau.
Projeções, PIB e a Meta Contínua
A inflação continua sendo o principal foco de atenção. O IPCA-15, considerado a prévia da inflação oficial, acelerou para 0,89% em abril, acumulando 4,37% em 12 meses, um salto em relação aos 3,9% registrados em março. O índice fechado de abril deverá ser revelado no dia 12 de maio.
Desde janeiro de 2025, o Brasil opera sob o sistema de meta contínua, estipulada em 3% pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%. Diferente do modelo antigo, a meta agora é aferida mensalmente, analisando sempre a inflação acumulada nos últimos 12 meses.
Enquanto o Banco Central projeta o IPCA em 3,6% e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 1,6% para 2026, o mercado financeiro demonstra maior pessimismo com os preços, mas otimismo com a economia. Segundo o boletim Focus, a expectativa dos analistas é que a inflação rompa o teto da meta, fechando o ano em 4,86%, com o PIB expandindo 1,85%. Antes do agravamento no Oriente Médio, a previsão de inflação do mercado era de apenas 3,95%.
*Com informações de BC