Grãos de café | [Foto: Ilustrativa / LensGO]
[Foto: Ilustrativa / LensGO]
- Produção no Rio de Janeiro alcança 423,9 mil sacas de café arábica, com leve alta de 0,4%.
- Em nível nacional, a safra brasileira é estimada em 66,7 milhões de sacas, impulsionada pelo ciclo de bienalidade positiva.
- Colheita no estado do Rio já começou em municípios do Noroeste, mas enfrenta gargalo com a escassez de mão de obra.
O estado do Rio de Janeiro projeta uma produção de 423,9 mil sacas de café arábica para a safra de 2026. O levantamento, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em maio de 2026, aponta um leve crescimento de 0,4% em relação ao ciclo anterior. O avanço, embora discreto, é sustentado pela ampliação da área cultivada e pelo aumento do número de pés de café, fatores que contrabalançaram a influência da bienalidade negativa, fenômeno natural onde as plantas alternam ciclos de alta e baixa produção.
A região Noroeste do estado consolida-se como a principal força da cafeicultura fluminense, demonstrando investimentos em técnicas de manejo que buscam elevar tanto a quantidade quanto a qualidade do grão. De acordo com o levantamento da Conab, o setor produtivo local tem sido estimulado por preços considerados atrativos, incentivando a expansão de novas áreas. Em contrapartida, outras regiões apresentam comportamentos distintos: enquanto o Sul fluminense também registra crescimento, a região Serrana, notadamente o município de Bom Jardim, aponta retração na área cultivada.
Panorama da Cafeicultura no RJ (Safra 2026)
| Indicador | Dados / Contexto |
|---|---|
| Produção Estimada | 423,9 mil sacas (Café Arábica) |
| Crescimento Anual | +0,4% |
| Região Noroeste | Principal força do estado; investimentos em manejo e novas áreas. |
| Região Sul | Apresenta cenário de expansão e registro de crescimento. |
| Região Serrana | Retração na área cultivada (destaque: Bom Jardim). |
Desafios e logística da colheita no estado
As operações de colheita no Rio de Janeiro já estão em curso. Municípios como Bom Jesus do Itabapoana, Porciúncula e Varre-Sai lideram o início dos trabalhos. Em outras localidades, como Natividade e Itaperuna, a atividade ainda aguarda o ponto ideal de maturação dos frutos.
O maior desafio para os produtores fluminenses, segundo o boletim, não está no clima, mas na operação logística. A limitação de mão de obra é uma situação recorrente na cafeicultura regional. Esse gargalo poderá prolongar o cronograma de colheita até o mês de setembro em algumas cidades, dependendo da disponibilidade de trabalhadores para a sega.
Status da Colheita e Desafios Logísticos (RJ)
| Município / Região | Status da Colheita | Desafio / Observação |
|---|---|---|
| Bom Jesus do Itabapoana, Porciúncula e Varre-Sai | Iniciada | Região de destaque no Noroeste; enfrenta escassez de mão de obra. |
| Natividade e Itaperuna | Não iniciada | Aguardando maturação ideal dos grãos. |
| Valença | Iniciada | Região Sul com aumento de área cultivada. |
| São José do Vale do Rio Preto e Três Rios | Em maturação | Previsão de colheita entre maio e julho. |
| Panorama Estadual (Geral) | Fase Final | Déficit de mão de obra pode estender colheita até setembro. |
O desempenho da cafeicultura fluminense em 2024
Para entender o contexto de crescimento, é importante olhar para o desempenho consolidado dos anos anteriores. Em 2024, a cafeicultura no estado do Rio de Janeiro consolidou-se como um pilar de relevância econômica, registrando um valor de produção de R$ 383,04 milhões. Segundo os dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) o estado processou 19.017 toneladas do grão em uma área colhida de 11.525 hectares. O rendimento médio das lavouras fluminenses atingiu a marca de 1.650 kg por hectare, refletindo o nível de produtividade alcançado pelos produtores locais naquele ciclo.
A força econômica desta produção é concentrada em polos regionais estratégicos, que respondem pela maior parte da receita estadual. Municípios como Porciúncula e Varre-Sai destacam-se como os principais motores do setor, somando, juntos, quase R$ 300 milhões em valor de produção. Além destes, a cafeicultura encontra pilares fundamentais em outras localidades, como Bom Jardim, Bom Jesus do Itabapoana e São José do Vale do Rio Preto, demonstrando que a produção de café no Rio de Janeiro é composta por um conjunto de municípios que, embora com volumes distintos, garantem a sustentabilidade econômica da atividade no estado.
Desempenho Econômico do Café – Principais Municípios (2024)
| Município | Valor da Produção (Mil R$) |
|---|---|
| Porciúncula | R$ 149.909 |
| Varre-Sai | R$ 143.091 |
| Bom Jardim | R$ 41.724 |
| Bom Jesus do Itabapoana | R$ 22.286 |
| São José do Vale do Rio Preto | R$ 12.783 |
| Total Estadual (RJ) | R$ 383.049 |
Café Arábica impulsiona produção fluminense com alta de 9,9% em setembro de 2025
O estado do Rio de Janeiro consolidou um desempenho positivo na cafeicultura durante o mês de setembro de 2025. De acordo com o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção fluminense de café arábica alcançou a marca de 24,1 mil toneladas no período. O volume representa um crescimento de 9,9% na comparação direta com o mês de agosto e uma alta expressiva de 23,7% quando confrontado com o mesmo período do ano anterior.
O aquecimento do setor cafeeiro no Rio de Janeiro ocorre em um cenário de busca por maior qualidade e produtividade. Segundo os dados técnicos da pesquisa, os produtores têm adotado cuidados mais rigorosos na colheita dos grãos, o que favorece a obtenção de cafés especiais e, consequentemente, melhores patamares de preço no mercado. A produção estadual de arábica no estado segue sendo a principal referência em volume dentro das commodities monitoradas pelo IBGE no Rio.
Em contrapartida, o setor de hortifrutigranjeiros fluminense apresentou resultados distintos. O tomate, cultura de grande relevância na economia estadual, registrou uma variação negativa de 3,9% na estimativa de produção. O recuo foi motivado, principalmente, pela redução da área colhida no estado. Já a mandioca segue com uma base produtiva relevante para a segurança alimentar e abastecimento local, somando 167,2 mil toneladas no levantamento mais recente.
O panorama fluminense reflete a complexidade do agronegócio regional, onde a tecnologia e a busca por mercados de valor agregado, como é o caso do café, convivem com ajustes de área e oscilações climáticas que impactam diretamente a oferta de produtos de consumo imediato, como o tomate.
Indicadores Agropecuários – RJ (Setembro/2025)
| Cultura | Produção Estimada | Variação (Set vs. Ago) |
|---|---|---|
| Café Arábica | 24,1 mil toneladas | +9,9% |
| Tomate | 122,8 mil toneladas | -3,9% |
| Mandioca | 167,2 mil toneladas | Estável |
Brasil projeta safra recorde
No cenário nacional, o 2º Levantamento da Safra 2026 mostra um cenário otimista para o agronegócio brasileiro. A estimativa aponta para uma colheita de 66,7 milhões de sacas beneficiadas, um salto de 18% em comparação à safra passada. Quando comparado ao ciclo de 2024, também de bienalidade positiva, o aumento previsto é de 23,1%.
O crescimento é reflexo direto da combinação de fatores positivos: a entrada de novas áreas em produção, o uso crescente de tecnologias e insumos, e condições climáticas que, até o momento, favoreceram o desenvolvimento dos grãos. A área total cultivada no país atingiu 2,34 milhões de hectares, com um aumento de 3,9% na comparação anual.
A produtividade média nacional saltou para 34,4 sacas por hectare, um incremento de 13%. Enquanto o arábica colhe os frutos de um ciclo de bienalidade positiva, com alta de 22,6% na produtividade , o café conilon enfrenta uma leve retração de 3,5% na produtividade, justificada por uma supercarga de produção na temporada anterior, que limitou o potencial de alguns cafezais, especialmente os de plantas mais velhas.
Arábica lidera o crescimento enquanto Conilon se estabiliza
O grande protagonista da temporada 2026 é o café arábica. A estimativa aponta para a produção de 45,8 milhões de sacas, uma alta de 28% sobre o ano passado. O fenômeno é justificado pelos efeitos da bienalidade positiva, característica natural da planta que alterna anos de alta e baixa produção, somada ao aumento da área produtiva e ao regime de chuvas adequado, que garantiu uma excelente granação dos frutos.
Já o café conilon (robusta) apresenta uma estabilidade produtiva. A previsão é de 20,9 milhões de sacas, um leve acréscimo de 0,8%. A queda de 3,5% na produtividade média (53,9 sacas por hectare), causada, em parte, pelas baixas temperaturas e pelo estresse natural das plantas após o alto desempenho em 2025, foi compensada pela ampliação das áreas em produção.
Desempenho nos principais estados produtores
- Minas Gerais: O principal polo cafeeiro do Brasil projeta colher 33,4 milhões de sacas (alta de 29,8%). O estado se beneficiou fortemente do ciclo bienal positivo e da excelente distribuição pluviométrica nos meses anteriores à floração.
- Espírito Santo: Segundo maior produtor nacional, o estado capixaba deve registrar 18 milhões de sacas (+3%). O arábica puxa a alta com salto de 27,9% na produtividade, enquanto o conilon recua 4,2% frente à supercarga da última temporada.
- São Paulo e Bahia: Com lavouras exclusivas de arábica, São Paulo estima um avanço de 24,6% (5,9 milhões de sacas). Na Bahia, a regularidade climática e os novos investimentos em manejo devem garantir 4,7 milhões de sacas (+5,9%).
- Rondônia: Focado no conilon, o estado projeta 2,8 milhões de sacas, uma expressiva elevação de 19,4%. O resultado é fruto da renovação constante do parque cafeeiro com plantas clonais altamente produtivas.
Exportações e cenário global
No cenário mercadológico, os primeiros meses de 2026 foram marcados por uma retração. Entre janeiro e abril, o Brasil exportou 11,5 milhões de sacas, volume 22,5% inferior ao mesmo período do ano passado, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Conforme destaca o relatório oficial, “a limitação da produção nos anos anteriores, combinada a uma demanda exportadora aquecida, influenciou a redução dos estoques internos”.
Contudo, o horizonte é otimista. A chegada da nova safra recorde deve reaquecer os embarques no segundo semestre. No mercado internacional, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) prevê que o mundo produzirá 178,8 milhões de sacas (alta de 2%), com o consumo global crescendo 1,3%. Apesar do aumento na oferta, os preços não devem sofrer reduções drásticas, sustentados pelos estoques remanescentes extremamente baixos da temporada anterior.