[Foto: Ilustrativa / LensGO]
- Alta nacional: O Brasil registra crescimento contínuo de internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em todas as faixas etárias, impulsionado pelo VSR, Influenza A e rinovírus.
- Cenário de risco: Com exceção de Rondônia, todas as unidades da Federação e 15 capitais brasileiras estão em nível de alerta ou alto risco para SRAG.
- Prevenção urgente: A Fiocruz reforça a necessidade de vacinação para grupos elegíveis e a retomada de medidas de etiqueta respiratória para evitar casos graves e mortes.
O Brasil enfrenta uma escalada preocupante nas internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). De acordo com o novo Boletim InfoGripe, divulgado nesta quinta-feira (28/05) pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o número de casos continua aumentando em nível nacional e atinge todas as faixas etárias. A alta é impulsionada, majoritariamente, pelo crescimento das hospitalizações decorrentes do Vírus Sincicial Respiratório (VSR) e da influenza A.
A análise, que tem como base a Semana Epidemiológica 20 (de 17 a 23 de maio), revela que o rinovírus também possui um papel significativo nessa alta, afetando sobretudo crianças e adolescentes em estados do Nordeste, Sudeste, Norte e Sul. Em contrapartida, os quadros de SRAG provocados pela Covid-19 seguem em queda na maior parte do território nacional, embora Ceará, Maranhão e Pará apresentem sinais de início ou manutenção de crescimento.
O impacto por faixa etária
A circulação dos vírus respiratórios tem atingido de forma distinta cada grupo demográfico. Os dados laboratoriais detalhados pela Fiocruz apontam que:
- Crianças de até 4 anos: O salto no número de internações é impulsionado de forma contundente pelo VSR.
- Crianças e adolescentes (5 a 14 anos): A alta de SRAG está diretamente associada ao rinovírus.
- Jovens, adultos e idosos: A influenza A é a principal responsável pelas hospitalizações graves.
Diante do cenário de alta circulação viral, a pesquisadora Tatiana Portella, do Programa de Computação Científica da Fiocruz, faz um apelo sobre a importância da imunização para evitar o desenvolvimento de formas severas da doença e possíveis óbitos.
“A vacina contra o VSR é destinada às gestantes a partir da 28ª semana de gestação e protege o bebê durante os primeiros seis meses de vida. Já a vacina contra a influenza tem como público-alvo idosos, crianças, pessoas com comorbidades, gestantes, puérperas, entre outros grupos de risco”, avisa a pesquisadora.
Portella também recomenda a adoção rigorosa de medidas de etiqueta respiratória. Ações simples como cobrir nariz e boca ao tossir ou espirrar, higienizar as mãos frequentemente, evitar o compartilhamento de utensílios, usar máscaras e manter distância de pessoas com sintomas gripais são fundamentais neste momento.
Raio-X: Qual vírus afeta cada faixa etária?
VSR
Rinovírus
Influenza A
🛡️ Recomendações da Fiocruz (Prevenção e Vacinas)
Público-alvo da Imunização
- Vacina contra VSR: Destinada a gestantes a partir da 28ª semana (protege o bebê nos primeiros 6 meses).
- Vacina contra Influenza: Idosos, crianças, gestantes, puérperas, pessoas com comorbidades e grupos de risco.
Etiqueta Respiratória
- Cobrir nariz e boca ao tossir ou espirrar.
- Lavar as mãos com frequência.
- Não compartilhar utensílios de uso pessoal.
- Usar máscara e manter distanciamento em caso de sintomas.
Cenário crítico nos estados e capitais
O panorama regional desenhado pelo Boletim InfoGripe é de alerta máximo. Com a única exceção de Rondônia, todas as outras 26 unidades da Federação encontram-se em nível de alerta, risco ou alto risco para incidência de SRAG nas últimas duas semanas.
Deste total, 20 estados mostram tendência de crescimento a longo prazo (nas últimas seis semanas): Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Distrito Federal, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Paraíba, Pará, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Roraima, Santa Catarina, Sergipe e São Paulo.
O comportamento dos vírus varia conforme a região:
- VSR: Segue em alta em todo o Sul e Sudeste, além de boa parte do Nordeste (AL, BA, CE, PB, RN e SE), estados do Norte (PA e AP) e Mato Grosso do Sul. No Centro-Oeste (DF, GO e MT) e alguns estados do Norte e Nordeste (AC, AM, PE e MA), o ritmo de crescimento dá sinais de interrupção, embora os volumes permaneçam altos em locais como MT, GO e DF.
- Influenza A: As internações crescem em toda a região Sul e em partes do Sudeste (SP e ES) e Norte (RR e TO). Em Minas Gerais e na Paraíba, os números absolutos seguem elevados.
- Rinovírus: Contribui fortemente para a alta entre os mais jovens em AL, PB, SE, MG, RJ, AM e SC.
Entre as capitais, 15 das 27 brasileiras apresentam quadro de alerta ou risco associado à tendência de alta prolongada: Aracaju, Belém, Belo Horizonte, Boa Vista, Curitiba, Florianópolis, Goiânia, Macapá, Palmas, Porto Alegre, Rio Branco, Rio de Janeiro, Salvador, São Luís e Teresina.
Panorama Nacional: Alta de SRAG
Monitoramento da Semana Epidemiológica 20 (Fiocruz)
Unidades da Federação em nível de alerta, risco ou alto risco (todas, exceto Rondônia).
Estados apresentam crescimento contínuo de SRAG nas últimas seis semanas.
O Vírus Sincicial segue em alta nessas regiões, além de partes do NE, Norte e no MS.
📍 15 Capitais em Alerta Máximo (Sinal de Crescimento)
Dados epidemiológicos e mortalidade
O impacto dos diferentes patógenos fica evidente no recorte das últimas quatro semanas epidemiológicas. Entre os casos que tiveram resultado laboratorial positivo, a proporção foi distribuída da seguinte forma:
- VSR: 47,6%
- Rinovírus: 23,9%
- Influenza A: 22,4%
- Influenza B: 4,7%
- Sars-CoV-2 (Covid-19): 2,3%
No que diz respeito à mortalidade, o cenário se inverte. No mesmo período, a influenza A foi a responsável por mais da metade dos óbitos (51,2%), seguida pelo rinovírus (17,2%), VSR (13,4%), Covid-19 (9,6%) e influenza B (7,2%). A incidência de SRAG castiga principalmente os menores de 2 anos (liderada pelo VSR e pela Influenza A), enquanto a letalidade é massivamente superior na população acima de 65 anos (puxada pela Influenza A).
No acumulado do ano epidemiológico de 2026, o Brasil já soma 70.211 notificações de SRAG. Estratégia central do Sistema Único de Saúde (SUS), o monitoramento do InfoGripe continua sendo vital para direcionar as ações de vigilância, preparação e resposta em saúde pública em todo o país.
FAQ: Alta de SRAG no Brasil
Quais vírus estão causando a alta de internações?
Quem são os mais afetados pelos vírus respiratórios?
Quais estados brasileiros estão em risco?
Como funciona a vacinação para esses vírus?
Qual vírus tem causado mais óbitos?
*Com informações de Fiocruz