Palco principal do Web Summit Rio | Foto: Richard Souza / GE
[Foto: Richard Souza / GE]
A XTransfer anunciou o lançamento da X-Net na América Latina, uma rede unificada de processamento de transações internacionais e gerenciamento de riscos voltada ao comércio exterior entre empresas. A solução foi apresentada durante o Chile Fintech Forum 2026 e também fará parte das atrações da companhia no Web Summit Rio, programado para ocorrer entre 8 e 11 de junho.
Segundo a empresa, a nova estrutura foi desenvolvida para conectar bancos, instituições financeiras e micro, pequenas e médias empresas (MPMEs), com o objetivo de tornar as transações cross-border mais eficientes, seguras e integradas. A previsão é de que a solução seja disponibilizada também no mercado brasileiro.
A iniciativa surge em um contexto de expansão das relações comerciais entre China e América Latina. Dados divulgados pela própria XTransfer apontam que os recebimentos provenientes da região cresceram 94% em 2025 na comparação com o ano anterior. No mesmo período, as exportações chinesas para a América Latina avançaram 8%.
De acordo com a empresa, o crescimento dos recebimentos acima da expansão das exportações indica uma aceleração da adoção de métodos de pagamento considerados mais seguros e alinhados às exigências regulatórias por parte dos exportadores.
A X-Net foi projetada para padronizar fluxos de recebimento, pagamentos e processos de conformidade regulatória entre os participantes da rede. Com isso, as micro, pequenas e médias empresas passam a ter acesso a uma infraestrutura de pagamentos internacionais semelhante à utilizada por grandes multinacionais.
Segundo a XTransfer, a rede híbrida atua em conjunto com reguladores, bancos e instituições de pagamento para aprimorar o desenho dos fluxos financeiros, integração de produtos e mecanismos de controle de riscos.
A empresa também destacou dados do XTransfer Export PMI, pesquisa realizada com 3 mil empresas entre os 800 mil usuários da plataforma. Em março de 2026, o índice de pedidos de exportação voltados para a América Latina alcançou 56,47, enquanto o índice de preços chegou a 57,81. Ambos os números ficaram acima das médias globais registradas no mesmo período, de 53,85 e 56,15, respectivamente.
Ainda segundo a companhia, o crescimento da demanda por equipamentos eletromecânicos e dispositivos ópticos médicos tem ampliado a necessidade de ferramentas digitais para recebimento e liquidação financeira. A empresa afirma que esses recursos ajudam a melhorar a previsibilidade do fluxo de caixa e a apoiar operações comerciais de maior valor agregado.
A CEO da XTransfer para Cingapura e América Latina, Violas Xiao, afirmou que os mercados emergentes ocupam posição central na estratégia de expansão da empresa. Segundo ela, a atuação na América Latina envolve a criação de estruturas locais de compliance, fortalecimento de recebimentos em moeda local e integração com bancos de compensação globais, instituições regionais e provedores de serviços de pagamento.
A executiva também declarou que a empresa pretende ampliar sua presença no Brasil e no México, além de expandir operações em mercados como Chile, Colômbia, Peru e Argentina. De acordo com ela, a estratégia inclui o fortalecimento da liquidez em moedas secundárias e o aprimoramento de mecanismos automatizados de gerenciamento de risco.
O anúncio da X-Net ocorre em meio a desafios ainda enfrentados pelas micro, pequenas e médias empresas nas operações internacionais. Conforme descrito pela companhia, a fragmentação dos sistemas domésticos de pagamento e práticas bancárias locais frequentemente obrigam as transações a passarem por múltiplos intermediários e moedas diferentes.
Esse processo pode aumentar custos operacionais, tempo de processamento e pontos de falha nas operações financeiras. Além disso, a dependência da liquidação em dólar pode gerar cobranças adicionais relacionadas à dupla conversão cambial e criar restrições que afetam o capital de giro das empresas.
A empresa também aponta que o endurecimento de controles antifraude e das exigências relacionadas à prevenção à lavagem de dinheiro ampliou a complexidade das verificações de compliance. Segundo a XTransfer, isso pode resultar em dificuldades no processo de onboarding, restrições de conta ou bloqueios de recursos mesmo para empresas consideradas legítimas.
Com a nova rede, a companhia busca oferecer uma estrutura integrada para reduzir essas barreiras e ampliar o acesso das empresas latino-americanas a soluções internacionais de pagamentos e liquidação financeira.