Sede da PF no RJ | Foto: Richard Souza / GE
[Foto: Richard Souza / GE]
- Esquema sofisticado: Organização estruturou um “sofisticado esquema” simulando operações comerciais lícitas para esconder o envio de entorpecentes em contêineres.
- Ação em quatro estados: Policiais federais cumprem mandados de prisão preventiva e busca e apreensão no RJ, SP, ES e MG nesta quinta-feira (07).
- Ponto de partida: Operação teve origem após a interceptação de 1,2 tonelada de cocaína, escondida em sacas de café com destino à Alemanha, em 2025.
Na manhã desta quinta-feira (07/05), a Polícia Federal desencadeou uma ofensiva contra as rotas de escoamento de entorpecentes pelo litoral brasileiro ao deflagrar a Operação Off-Grade Coffee. O objetivo central desta mobilização é desarticular uma “organização criminosa especializada no tráfico internacional de drogas a partir do Porto do Rio de Janeiro”. A operação mobiliza agentes federais para desmantelar a cadeia logística e financeira do grupo, visando diretamente o núcleo duro da organização.
Durante a ação integrada, os policiais federais saíram às ruas para dar cumprimento a dez mandados judiciais, sendo três mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão. A abrangência da operação demonstra a capilaridade da rede, exigindo diligências simultâneas em quatro estados da federação: Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais e São Paulo. O foco recaiu sobre os alvos considerados centrais e indispensáveis para o funcionamento da organização. Adicionalmente, a Justiça impôs medidas cautelares aos demais investigados, incluindo a proibição de contato entre os envolvidos, restrições de deslocamento e o uso de monitoramento eletrônico.
Balanço da Operação Off-Grade Coffee
3
Prisões Preventivas
7
Buscas e Apreensões
Detalhamento Geográfico
📍 Rio de Janeiro
- Mandados de Busca (3):
- • Botafogo (1)
- • Búzios (2)
📍 Espírito Santo
- Prisão Preventiva (1):
- • Vila Velha
- Mandados de Busca (2):
- • Vila Velha (1)
- • Guarapari (1)
📍 São Paulo
- Prisão Preventiva (1):
- • Santos
- Mandado de Busca (1):
- • Santos (1)
📍 Minas Gerais
- Prisão Preventiva (1):
- • Alvo em MG
- Mandado de Busca (1):
- • Manhuaçu (1)
O estopim da investigação: Apreensão milionária
O ponto de partida de todo o trabalho investigativo que culminou na operação desta quinta-feira remonta a uma apreensão realizada no ano passado. Em junho de 2025, as autoridades de fiscalização conseguiram interceptar e confiscar um volume expressivo de aproximadamente 1,2 tonelada de cocaína pura. O entorpecente estava escondido no interior de um contêiner carregado com sacas de café tipo exportação, cuja documentação apontava a Alemanha como destino final em solo europeu.
A partir desse confisco bilionário, a Polícia Federal aprofundou o mapeamento dos responsáveis pela carga. As apurações contínuas revelaram que o grupo estruturou um “sofisticado esquema para viabilizar o envio de drogas ao exterior mediante simulação de operações comerciais lícitas de exportação de café”. Para dar um verniz de legalidade aos despachos marítimos e despistar a fiscalização alfandegária, a PF identificou que “empresas de fachada, ‘laranjas’ e complexas transações financeiras eram utilizadas para ocultar a origem ilícita dos valores e possibilitar a inserção da droga nas cargas exportadas”.
Divisão de tarefas e a rota do dinheiro sujo
De acordo com os elementos colhidos durante a fase de inteligência, ficou comprovado que a organização não agia de forma amadora, mas sim com um perfil altamente corporativo, estabelecendo uma clara e rígida divisão de tarefas entre os seus integrantes. As evidências apontam que “um dos investigados exerceria papel de liderança, coordenando negociações internacionais, movimentação financeira e logística do envio da droga”. Simultaneamente, o restante da organização ficava incumbido da parte operacional, atuando ativamente na intermediação comercial e no controle do carregamento dos contêineres nos terminais.
Além de focar no caminho da droga, a investigação jogou luz sobre o fluxo financeiro da organização. As apurações revelaram a utilização de recursos provenientes das atividades, evidenciando fortes indícios da prática de lavagem de dinheiro. De acordo com a PF, o grupo recorria à “utilização de recursos financeiros oriundos de atividades ilícitas, com indícios de lavagem de dinheiro por meio de transferências bancárias e para dificultar o rastreamento dos valores empregados na operação”.
Diante do quadro levantado, os alvos poderão responder criminalmente por tráfico internacional de drogas, formação de organização criminosa, lavagem de capitais e falsidade ideológica, sem prejuízo de outros delitos que venham a ser identificados com a análise do material apreendido hoje.
O Contexto da Missão Redentor II
A Operação Off-Grade Coffee está inserida em uma estratégia muito mais ampla de combate à criminalidade, sendo o mais recente desdobramento da chamada Missão Redentor II, que ocorre no âmbito institucional da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635. De acordo com a Polícia Federal, o foco desta etapa é prioritariamente a “prisão de lideranças do crime organizado, além de enfraquecer financeiramente essas organizações por meio do bloqueio de rotas logísticas usadas no escoamento de drogas”.
FAQ – Entenda a Operação Off-Grade Coffee
1. Qual o objetivo principal da Operação Off-Grade Coffee?
O foco da Polícia Federal é desarticular completamente uma “organização criminosa especializada no tráfico internacional de drogas a partir do Porto do Rio de Janeiro”, mirando seus líderes e enfraquecendo a estrutura financeira do grupo.
2. Como o esquema de tráfico operava para enganar a fiscalização?
O grupo montou um “sofisticado esquema” onde simulava operações lícitas de exportação de sacas de café para o mercado europeu, utilizando “empresas de fachada e ‘laranjas'” para mascarar os contêineres carregados de cocaína.
3. Qual foi o evento que desencadeou as investigações da PF?
A operação começou a ganhar forma após a expressiva apreensão de 1,2 tonelada de cocaína oculta em meio a uma carga de café, ocorrida em junho de 2025, que tinha a Alemanha como destino final.
4. Em quais locais as diligências policiais ocorreram?
As ordens de prisão e buscas ocorreram simultaneamente em quatro estados: Rio de Janeiro (Botafogo e Búzios), Espírito Santo (Vila Velha e Guarapari), Minas Gerais (Manhuaçu e outras localidades) e São Paulo (Santos).
5. Quais são os crimes pelo qual os membros do grupo responderão?
A Polícia Federal apontou indícios de tráfico internacional de drogas, participação em organização criminosa, lavagem de dinheiro por meio de complexas transações, além do crime de falsidade ideológica.
Porto do Rio: O cerco da Operação Mare Liberum
A Operação Off-Grade Coffee não é um fato isolado na recente ofensiva das autoridades no litoral fluminense. Poucos dias antes, na manhã de 28 de abril, a Polícia Federal já havia deflagrado a Operação Mare Liberum, focada em outra modalidade criminosa operada no Porto do Rio de Janeiro.
Com o apoio do GAECO/MPF e da Corregedoria da Receita Federal, essa ofensiva anterior teve como objetivo principal reprimir um “esquema de facilitação de contrabando e descaminho no Porto do Rio de Janeiro”. Para desarticular a rede, os agentes cumpriram 45 mandados de busca e apreensão em endereços no Rio de Janeiro e no Espírito Santo.
Diferente da logística do tráfico de drogas, o alvo da Mare Liberum foi a corrupção aduaneira. A Justiça determinou o afastamento imediato dos cargos de 17 auditores fiscais e oito analistas tributários, além da aplicação de medidas de “bloqueio de bens e restrições a atividades profissionais”.
Segundo as investigações, a fraude consistia na atuação de um “grupo estruturado na liberação irregular de mercadorias”. O esquema aprovava a entrada de cargas mediante “divergências entre produtos importados e declarados”, o que resultava na “possível supressão de tributos” aos cofres públicos.
A ação chocou pelo volume de dinheiro vivo encontrado nas residências dos servidores públicos sob investigação. Ao todo, a PF apreendeu mais de R$ 4,3 milhões em espécie. Apenas na casa de uma auditora, na Barra da Tijuca, foram contabilizados o equivalente a R$ 2.078.800,00 (entre reais e moedas estrangeiras). Em Niterói, outro auditor guardava US$ 400 mil (cerca de R$ 2 milhões). O cerco se estendeu à Zona Sul, com a apreensão de R$ 233.750,00 em Copacabana.
Segundo a PF, os investigados na Operação Mare Liberum poderão responder por crimes graves, como “corrupção, associação criminosa, contrabando, descaminho e lavagem de dinheiro, entre outros”.
*Com informações de PF