Sede da PF no RJ | Foto: Richard Souza / GE
[Foto: Richard Souza / GE]
- Prisões preventivas: Henrique Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro, e mais seis investigados foram presos para garantir a integridade das investigações.
- Espionagem e cibercrimes: A PF desarticulou os núcleos “A Turma” (espionagem e monitoramento) e “Os Meninos” (ataques hackers e invasões telemáticas).
Por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (14/05) a sexta fase da Operação Compliance Zero. O ministro André Mendonça determinou a prisão preventiva de Henrique Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro, além de outros seis indivíduos apontados como peças-chave em um esquema de fraudes bilionárias no mercado financeiro, articuladas pelo Banco Master e seu controlador.
A decisão, proferida no âmbito da Petição (Pet) 15978, visa paralisar as atividades de uma “organização criminosa sofisticada”. Segundo o ministro, as medidas são necessárias para evitar a destruição de provas, o risco de fuga e diante de graves relatos de ameaças a testemunhas.
De acordo com o relator, o conjunto de fatos e provas apresentados pela PF “aponta para organização criminosa sofisticada, com braços presenciais, policial-informacionais, financeiros e tecnológicos, em circunstâncias que exigem resposta judicial compatível com a gravidade concreta do quadro apurado”.
O papel de Henrique Vorcaro e o núcleo “A Turma”
As investigações apontam Henrique Vorcaro como o principal operador financeiro da organização. Ele seria o elo responsável por transmitir as ordens de seu filho, Daniel Vorcaro, aos demais membros, mesmo com as fases anteriores da operação em curso.
Henrique integrava o núcleo denominado “A Turma”, grupo especializado em monitorar pessoas e infiltrar-se em órgãos públicos para a extração de dados sigilosos. Além dele, foram alvos de prisão:
- Marilson Roseno da Silva: Policial federal aposentado e apontado como líder operacional;
- Manoel Mendes Rodrigues: Comandante de um braço do grupo no Rio de Janeiro;
- Sebastião Monteiro Júnior: Policial aposentado;
- Anderson Wander da Silva Lima: Policial federal da ativa no Rio de Janeiro.
“Os Meninos”: O braço tecnológico do crime
A operação também atingiu o núcleo “Os Meninos”, anteriormente liderado por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”, que faleceu na prisão. Este grupo era apontado como o braço cibernético da organização, responsável por invasões de dispositivos, derrubada de perfis e monitoramento telefônico ilegal.
Nesta fase, foram presos David Henrique Alves (líder tecnológico), Victor Lima Sedlmaier e Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos, todos investigados por atuação hacker em benefício da organização.
Infiltração na Polícia Federal
Um dos pontos mais sensíveis da investigação revela que a organização possuía membros infiltrados nas forças de segurança. A delegada da PF Valéria Vieira Pereira e o agente Francisco José Pereira da Silva são suspeitos de utilizar o sistema e-Pol para vazar informações sigilosas ao grupo.
Por ordem de Mendonça, ambos foram afastados de suas funções públicas, proibidos de acessar prédios da PF e obrigados a entregar seus passaportes.
Em nota oficial, a Polícia Federal reiterou o objetivo da ação: ” A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (14/5), a 6ª fase da Operação Compliance Zero, com o objetivo de aprofundar as investigações em face de organização criminosa suspeita de praticar condutas de intimidação, de coerção, de obtenção de informações sigilosas e de invasões a dispositivos informáticos.”
A PF cumpre ao todo 7 mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Os crimes investigados incluem corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e violação de sigilo funcional.
*Com informações de STF