[Foto: Divulgação / GovRJ]
- Faxina geral: Diário Oficial traz quase 40 exonerações em cargos de comando na Receita Estadual, incluindo superintendências e auditorias regionais.
- Punição e sigilo: Servidores investigados foram afastados, tiveram acessos a sistemas bloqueados e responderão a processo administrativo disciplinar; computador de ex-secretário foi retido.
- Nova gestão técnica: Auditor Fiscal Lucas Salvetti assume a Chefia de Gabinete de forma inédita, enquanto Gabriel Blum retorna ao comando da Subsecretaria de TI.
A Secretaria de Estado de Fazenda do Rio de Janeiro deu início a uma reestruturação profunda na estrutura da Receita Estadual. O movimento drástico ocorre em resposta direta a uma operação da Polícia Federal que apontou um esquema de favorecimento à refinaria Refit durante a gestão passada. Como primeiro reflexo prático, a edição do Diário Oficial desta segunda-feira (18/05) formalizou quase 40 exonerações em diversas funções de comando na área, alcançando superintendências, Auditorias Fiscais Especializadas e unidades regionais.
A reação institucional começou assim que a Coordenadoria Tributária de Controle Externo (CTCE) tomou conhecimento dos fatos e obteve acesso à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que autorizou a ação policial. A ordem interna é promover uma apuração rigorosa e garantir a responsabilização total dos envolvidos em irregularidades, caso as suspeitas venham a ser confirmadas.
Medidas punitivas imediatas e proteção de dados
Para blindar a integridade das informações públicas, todos os servidores sob suspeita foram preventivamente afastados de suas funções. A Secretaria determinou o cancelamento imediato de todos os acessos desses alvos aos sistemas internos e bancos de dados da instituição, garantindo a proteção do sigilo fiscal.
Além da abertura de um processo administrativo disciplinar para apurar as condutas, a segurança institucional reservou o computador utilizado pelo ex-secretário de Fazenda. O equipamento permanece guardado para o caso de uma eventual solicitação das autoridades que auxiliam nas investigações.
Pente-fino no setor de combustíveis e novas regras de conduta
O desdobramento das investigações também disparou auditorias internas severas. Foi determinada a abertura de uma correição extraordinária em toda a Auditoria Especializada de Combustíveis, além de uma fiscalização específica para apurar possíveis fraudes e irregularidades na concessão de incentivos fiscais direcionados à refinaria Refit. O pente-fino não vai parar por aí: todas as empresas citadas no relatório oficial da Polícia Federal serão alvo de fiscalizações específicas nos próximos dias.
Embora a reestruturação da Receita já estivesse em andamento desde o início da atual gestão — há cerca de duas semanas —, o processo foi drasticamente intensificado pelos acontecimentos recentes.
A promessa do governo é anunciar novas medidas nos próximos dias. Entre os projetos em andamento para assegurar a integridade do corpo funcional, destaca-se a criação de uma resolução inédita para regulamentar a relação da Secretaria de Fazenda com entes externos. Inspirada nas melhores práticas mundiais, a nova norma vai priorizar conceitos rígidos de ética e transparência, especialmente na divulgação de agendas e na realização de reuniões com empresas e entidades representativas de contribuintes.
Mudança de comando: Perfil técnico e foco antifraude
Buscando recuperar o controle técnico do órgão, a segunda-feira também foi marcada pela nomeação do novo chefe de Gabinete e do novo subsecretário de Tecnologia da Informação e Comunicação.
Pela primeira vez na história da instituição, a Chefia de Gabinete será ocupada por um Auditor Fiscal. O escolhido é Lucas Salvetti, graduado em Administração e com ampla experiência na fiscalização de trânsito de mercadorias, apresentando sólida bagagem no combate a fraudes estruturadas.
Para a Subsecretaria de Tecnologia da Informação e Comunicação, a pasta reconduziu o Auditor Fiscal Gabriel Blum, que retorna ao cargo que já havia ocupado entre os anos de 2020 e 2025. A escolha reforça a necessidade legal de proteção de dados, uma vez que uma das principais funções da área é garantir o sigilo fiscal e, por determinação da lei, apenas Auditores Fiscais podem ter acesso a essas informações protegidas.
| Pergunta | Resposta |
|---|---|
| O que motivou a reestruturação? | Uma operação da PF que apontou favorecimento à refinaria Refit na gestão passada. |
| Quantas exonerações ocorreram? | Quase 40 exonerações em cargos de comando, incluindo superintendências e auditorias. |
| O que houve com os investigados? | Foram afastados, tiveram acessos a sistemas bloqueados e responderão a processo disciplinar. |
| Como fica o sigilo fiscal? | Sistemas foram bloqueados para alvos da investigação; TI volta a ser gerida por Auditores Fiscais. |
| Quem são os novos chefes? | Lucas Salvetti (Chefe de Gabinete) e Gabriel Blum (Subsecretaria de TI). |