Sede da PF no RJ | Foto: Richard Souza / GE
[Foto: Richard Souza / GE]
A Polícia Federal (PF) confirmou, na tarde desta segunda-feira (13/04), por meio de nota oficial, a prisão de Alexandre Ramagem na cidade de Orlando, nos Estados Unidos. A detenção foi realizada pelo serviço de imigração e alfândega norte-americano, o ICE (U.S. Immigration and Customs Enforcement). De acordo com a corporação, a ação decorreu “de cooperação policial internacional entre a Polícia Federal e autoridades policiais dos EUA”.
Em comunicado, a PF enfatizou que a “Prisão é fruto da cooperação policial internacional entre Brasil e Estados Unidos no combate ao crime organizado”. O nome de Ramagem já consta no sistema do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos com o status oficial de “sob custódia do ICE”, embora o local exato da detenção não tenha sido revelado.
Condenação e fuga do país
Alexandre Ramagem era considerado foragido desde setembro do ano passado. Ele foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a uma pena de 16 anos, 1 mês e 15 dias de prisão. Segundo a nota da PF, “O preso é considerado foragido da Justiça brasileira após condenação pelos crimes de organização criminosa armada, golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado de Direito”.
Apesar de estar proibido de deixar o território nacional, o ex-parlamentar conseguiu sair do Brasil pela fronteira com a Guiana. De lá, embarcou para os Estados Unidos utilizando um passaporte diplomático que, na ocasião, não havia sido apreendido pelas autoridades.
Extradição e perda de mandato
Com o nome incluído na lista de procurados da Interpol, Ramagem tornou-se alvo de um pedido formal de extradição. O governo brasileiro, por meio da Embaixada em Washington, entregou a solicitação ao Departamento de Estado norte-americano no final de dezembro de 2025.
A trajetória política e profissional de Ramagem sofreu reviravoltas recentes:
- Mandato: Perdeu o cargo de deputado federal em dezembro de 2025, por ato da Mesa da Câmara.
- Carreira Policial: Delegado de carreira da Polícia Federal, foi demitido após a condenação judicial.
- Abin: Atuou como diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência entre 2019 e 2022.
Mesmo foragido, em fevereiro deste ano, Ramagem chegou a prestar depoimento ao STF por videoconferência. O depoimento ocorreu no âmbito da ação penal da trama golpista, que voltou a tramitar após a perda de seu mandato parlamentar.
*Com informações de PF