[Foto: Imagem Ilustrativa / Google AI]
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial do país, registrou alta de 0,89% em abril. O resultado representa uma aceleração significativa de 0,45 ponto percentual em relação ao índice de março, que havia ficado em 0,44%. Com esse avanço, a inflação acumulada no ano chega a 2,39%. Nos últimos 12 meses, o indicador bateu a marca de 4,37%, superando os 3,90% observados no período anterior.
Segundo os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o custo de vida do brasileiro neste mês foi duramente impactado por dois grupos principais: Alimentação e bebidas (alta de 1,46%) e Transportes (avanço de 1,34%). Juntos, esses dois setores responderam por 65% de todo o índice do mês de abril.
O peso dos combustíveis no transporte
No grupo de Transportes, o salto de 0,21% em março para 1,34% em abril teve um grande vilão: os combustíveis. A gasolina, que vinha de um leve recuo no mês anterior, disparou 6,23% e representou, isoladamente, o principal impacto individual na inflação do mês. O óleo diesel também sofreu um forte choque, saltando de 3,77% em março para impressionantes 16,00% em abril. O etanol subiu 2,17%.
Em contrapartida, quem precisou viajar de avião encontrou alívio: o subitem passagem aérea despencou -14,32% no período.
Raio-X da Inflação (IPCA-15)
| Grupo | Variação (%) | Impacto (p.p.) | ||
|---|---|---|---|---|
| Março | Abril | Março | Abril | |
| Índice Geral | 0,44 | 0,89 | 0,44 | 0,89 |
| Alimentação e bebidas | 0,88 | 1,46 | 0,19 | 0,31 |
| Habitação | 0,24 | 0,42 | 0,04 | 0,07 |
| Artigos de residência | 0,37 | 0,48 | 0,01 | 0,02 |
| Vestuário | 0,47 | 0,76 | 0,02 | 0,04 |
| Transportes | 0,21 | 1,34 | 0,04 | 0,27 |
| Saúde e cuidados pessoais | 0,36 | 0,93 | 0,05 | 0,13 |
| Despesas pessoais | 0,82 | 0,32 | 0,09 | 0,03 |
| Educação | 0,05 | 0,05 | 0,00 | 0,00 |
| Comunicação | 0,03 | 0,48 | 0,00 | 0,02 |
Supermercado mais caro
De acordo com os dados, o grupo de Alimentação e bebidas pesou mais no bolso das famílias, com a alimentação no domicílio acelerando para 1,77%. Os destaques de alta nas prateleiras e feiras foram:
- Cenoura: +25,43%
- Cebola: +16,54%
- Leite longa vida: +16,33%
- Tomate: +13,76%
- Carnes: +1,14%
Apenas alguns itens trouxeram refresco para o orçamento doméstico, com destaque para as quedas da maçã (-4,76%) e do café moído (-1,58%). Comer fora de casa também ficou mais caro, com alta de 0,70%, influenciada pelo aumento nos preços de lanches e refeições.
Saúde, remédios e energia elétrica
O grupo Saúde e cuidados pessoais teve a terceira maior influência no índice geral, registrando alta de 0,93%. O resultado reflete diretamente o reajuste anual de até 3,81% autorizado para os produtos farmacêuticos a partir de 1º de abril, que subiram 1,16% nas farmácias. Os itens de higiene pessoal (1,32%) e os planos de saúde (0,49%) também encareceram.
Já no grupo Habitação (0,42%), a energia elétrica residencial subiu 0,68%, mesmo com a manutenção da bandeira tarifária verde. O impacto ocorreu devido a reajustes regionais, como no Rio de Janeiro, que aplicou um aumento de 6,50% nas tarifas das concessionárias em meados de março.
Cenário Regional
O custo de vida variou bastante pelo país. A maior inflação registrada na prévia de abril ocorreu em Belém (1,46%), impulsionada pelos aumentos da gasolina e do açaí (12,79%). Por outro lado, o menor resultado foi apurado em Brasília (0,41%), beneficiada pela queda nos preços das passagens aéreas e dos remédios na região.
Inflação por Região (IPCA-15)
| Região | Peso Regional (%) | Variação Mensal (%) | Variação Acumulada (%) | ||
|---|---|---|---|---|---|
| Março | Abril | No Ano | Em 12 Meses | ||
| Belém | 4,46 | 0,68 | 1,46 | 2,84 | 4,27 |
| Salvador | 7,19 | 0,45 | 1,19 | 2,82 | 4,14 |
| Recife | 4,71 | 0,82 | 1,18 | 3,03 | 5,05 |
| Porto Alegre | 8,61 | 0,17 | 1,12 | 2,13 | 4,36 |
| Curitiba | 8,09 | -0,06 | 0,96 | 1,75 | 3,14 |
| Rio de Janeiro | 9,77 | 0,46 | 0,92 | 2,66 | 3,65 |
| Belo Horizonte | 10,04 | 0,52 | 0,84 | 2,57 | 4,15 |
| Fortaleza | 3,88 | 0,60 | 0,83 | 2,69 | 4,99 |
| São Paulo | 33,45 | 0,52 | 0,74 | 2,34 | 4,80 |
| Goiânia | 4,96 | 0,29 | 0,65 | 1,90 | 4,57 |
| Brasília | 4,84 | 0,44 | 0,41 | 1,92 | 4,14 |
| Brasil | 100,00 | 0,44 | 0,89 | 2,39 | 4,37 |
Nota da Redação: Para o cálculo do IPCA-15 de abril, o IBGE coletou os preços no período de 18 de março a 15 de abril de 2026, comparando-os com os valores vigentes de 13 de fevereiro a 17 de março de 2026. O indicador reflete o custo de vida de famílias com rendimento de 1 a 40 salários mínimos e abrange as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além de Brasília e do município de Goiânia. A metodologia aplicada é a mesma do IPCA oficial, divergindo apenas no período de coleta e na abrangência geográfica. A próxima divulgação do IPCA-15 está agendada para o dia 27 de maio de 2026.
*Com informações de IBGE