[Foto: Ilustrativa / Google AI]
- Melhor abril em 18 anos: Com 634.587 mil unidades comercializadas via crédito, o setor automotivo registrou o maior volume para o mês desde 2008.
- Modelos 0 km lideram: O segmento de automóveis leves novos puxou o crescimento do setor, anotando uma forte alta de 21,9% nas concessões.
- Alívio nos usados: A Tabela Auto B3 apontou recuo médio de 1,55% nos preços de transação de veículos seminovos e usados, com queda generalizada.
O mercado de financiamento de veículos no Brasil registrou um forte ritmo de expansão em abril. Ao todo, foram comercializadas cerca de 634 mil unidades entre modelos novos e usados, incluindo automóveis leves, motocicletas e veículos pesados, o que representa uma alta de 11,8% na comparação com o mesmo período de 2025. O desempenho marca o melhor resultado para o mês de abril desde 2008, quando o setor havia registrado 705.927 financiamentos.
Os dados, que constam no levantamento da Trillia, revelam que o consumidor tem encontrado espaço para ir às compras, mesmo em um cenário macroeconômico restritivo. No acumulado do primeiro quadrimestre (janeiro a abril), o setor já soma 2,5 milhões de unidades financiadas.
“Os dados indicam um cenário de crédito mais disponível, contribuindo para a manutenção do ritmo positivo do mercado automotivo, mesmo em um contexto de juros elevados. Na prática, o avanço do financiamento mostra que o consumidor tem acessado crédito para aquisição de veículos”, analisou o superintendente de Relacionamento com Clientes e Relações Institucionais na Trillia, Thiago Gaspar.
Carros novos e motocicletas lideram a expansão do crédito
O grande motor do crescimento em abril foi o segmento de automóveis leves, que avançou 13,3% na comparação anual. O principal destaque ficou por conta dos modelos zero quilômetro, cujas vendas financiadas deram um salto de 21,9%. No mercado de automóveis leves usados, o crescimento foi de 10,9%.
As motocicletas também mantêm um ritmo acelerado e continuam ganhando espaço no mercado nacional. O financiamento de duas rodas subiu 9,8% em abril, com as motos novas liderando o avanço (+12%), seguidas pelas usadas (+9,1%). No acumulado do ano, as motocicletas registram a maior expansão do setor, com crescimento de 16%, superando os automóveis (12,7%) e os veículos pesados (3,9%).
No segmento de pesados, o avanço em abril foi de 3,9%. Contudo, houve uma clara divisão de comportamento: enquanto os modelos novos cresceram 10,9%, os usados recuaram 4,6%, sugerindo um movimento do mercado mais concentrado na renovação de frotas.
Distribuição regional do crédito para veículos
A Região Sudeste manteve-se como o principal polo das operações de crédito automotivo do país. Veja como ficou a divisão do mercado nacional em abril:
- Sudeste: 42,2%
- Sul: 20,8%
- Nordeste: 19,7%
- Centro-Oeste: 10,7%
- Norte: 7,3%
Preços de transação: Usados ficam mais baratos em abril
O acompanhamento mensal da Tabela Auto B3, desenvolvida em parceria com a Bright Consulting, mostrou um recuo na média dos preços de transação no mercado de usados após uma sequência de ajustes nos meses anteriores.
Nos veículos usados, abril registrou uma queda média de aproximadamente 1,55% nos preços praticados, com retração vista em todos os segmentos avaliados. Os recuos mais expressivos ocorreram em picapes compactas, picapes médias e carros compactos.
Por outro lado, os veículos zero quilômetro registraram uma leve alta média de 0,7% nos preços de transação. O avanço ficou concentrado em três dos sete segmentos: sedans, picapes médias e picapes derivadas de automóveis. Na contramão dos novos, as picapes compactas se destacaram com a maior queda de preço no período.
Cenário macroeconômico: Juros e inflação em alta no Boletim Focus
O avanço expressivo dos financiamentos ocorre em um momento de crescentes pressões na economia. Segundo o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central (BC), as expectativas do mercado financeiro para a inflação e para os juros subiram.
A projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 subiu para 4,92%, marcando a décima semana consecutiva de alta, há quatro semanas, a estimativa era de 4,8%. O valor atual supera o teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3% (com limite de tolerância entre 1,5% e 4,5%). Em abril, o IBGE apontou que a inflação oficial fechou em 0,67%, pressionada pelo grupo de alimentos e bebidas (1,34%).
Para conter o avanço dos preços, o Banco Central mantém a taxa básica de juros (Selic) em 14,5% ao ano. Diante do cenário, o mercado revisou a projeção da Selic para o final de 2026, elevando-a de 13% para 13,25%. Para os anos seguintes, as projeções são de 11,25% (2027) e 10% (2028).
Em contrapartida, as previsões para o Produto Interno Bruto (PIB) e para o câmbio mantiveram-se estáveis. O mercado projeta um crescimento econômico de 1,85% para 2026, com o dólar cotado a R$ 5,20 no encerramento do ano.