[Foto: Ilustrativa / LensGo]
- Alerta global e nacional: OMS e Ministério da Saúde intensificam combate ao avanço de vapes e sachês de nicotina, que miram crianças e adolescentes.
- Corrida pelo tratamento: Busca pelo SUS para parar de fumar cresceu 95% desde 2022, com 2,5 milhões de atendimentos registrados em 2025.
- Modelo de prevenção: Rio de Janeiro é destaque por fiscalização rígida, enquanto o governo federal amplia equipes de saúde para garantir acesso gratuito a medicamentos e terapia.
O Dia Mundial Sem Tabaco, celebrado ontem (31 de maio), reforçou um diagnóstico urgente para 2026: a indústria do fumo mudou o seu modelo de negócios para sobreviver, e a resposta brasileira tem sido a ampliação do acesso ao cuidado público. Enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que 40 milhões de adolescentes entre 13 e 15 anos já utilizam produtos de tabaco, o Brasil observa um movimento recorde de cidadãos que decidiram abandonar o vício através do Sistema Único de Saúde (SUS).
Em 2025, 2,5 milhões de pessoas buscaram, de forma voluntária, atendimentos na Atenção Primária para deixar de fumar. O número representa um crescimento impressionante de 95% em relação a 2022, quando o sistema contabilizou 1,2 milhão de atendimentos. O salto na procura é acompanhado pela expansão da rede pública: hoje, o país conta com 104,3 mil equipes e serviços com cofinanciamento federal, 21,8 mil a mais do que há quatro anos.
“Com o objetivo de viciar a próxima geração”
Apesar da disposição dos brasileiros em parar de fumar, a batalha contra a indústria é desigual. O Dr. Etienne Krug, Diretor do Departamento de Determinantes da Saúde, Promoção e Prevenção da OMS, é enfático sobre as táticas modernas do setor:
“Mesmo com o tabaco continuando a matar milhões de pessoas, as principais empresas de tabaco estão reinventando seu modelo de negócios, continuando a lucrar com cigarros mortais enquanto promovem agressivamente cigarros eletrônicos aromatizados, sachês de nicotina e outros produtos de nicotina com o objetivo de viciar a próxima geração.”
O relatório da OMS sobre sachês de nicotina, produto de crescimento mais rápido no mercado, destaca que 160 países ainda carecem de regulamentação específica. No Brasil, o Ministério da Saúde reforça o alerta sobre os Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DEF). Com design tecnológico e sabores variados, esses produtos iludem o público jovem com a falsa percepção de menor risco, mas trazem danos severos, como lesões pulmonares, convulsões, aumento da pressão arterial e dependência química.
Dados do Vigitel 2024 confirmam a tendência preocupante: entre jovens de 18 a 24 anos, o consumo desses dispositivos atingiu 10,1%, o maior índice da série histórica para a faixa etária.
O SUS como barreira ao vício
Para enfrentar esse cenário, o Brasil aposta na capilaridade da Atenção Primária. A campanha antitabagismo de 2026, com o tema “Desmascarando o apelo, combatendo a dependência de nicotina e tabaco”, coordena ações em todos os estados através do Instituto Nacional de Câncer (Inca).
“Ampliar o acesso ao tratamento do tabagismo é salvar vidas. Os dados mostram que mais brasileiros estão procurando ajuda e que o SUS está preparado para acolher essa demanda, com equipes capacitadas, acompanhamento contínuo e medicamentos gratuitos”, afirma o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
O tratamento oferecido nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) é baseado na abordagem cognitivo-comportamental e pode incluir adesivos, gomas, pastilhas de nicotina e bupropiona, além de Práticas Integrativas. O sucesso da estratégia é evidente: apenas entre 2022 e 2025, o número de participantes em atividades coletivas nas unidades de saúde saltou de 1 milhão para 2,1 milhões.
A cidade do Rio de Janeiro é citada como exemplo local dessa resistência, intensificando a fiscalização de publicidade e a venda de vapes, em um esforço que se soma à premiação internacional da OMS, concedida no dia 19 de maio a líderes que combatem as táticas da indústria.
Perguntas Frequentes: Combate ao Tabagismo
*Com informações de OMS e Ministério da Saúde