[Foto: Richard Souza / AN]
O processo de entrada em hotéis, pousadas e resorts de todo o Brasil passou por uma transformação definitiva no início desta semana. Desde a última segunda-feira (20/04), o uso da Ficha Nacional de Registro de Hóspedes (FNRH) em formato 100% digital tornou-se obrigatório, uma realidade que já foi adotada por 4.077 meios de hospedagem em todo o país.
A mudança, que vem sendo implementada gradativamente desde novembro de 2025, promete agilizar a vida do viajante. O novo sistema funciona de maneira muito similar ao check-in de companhias aéreas. Desenvolvida pelo Ministério do Turismo em parceria com o Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados), a FNRH Digital permite que o turista preencha seus dados antecipadamente e de forma online, utilizando a conta Gov.Br. Ao chegar no estabelecimento, o processo é concluído rapidamente via leitura de um QR Code, link compartilhado ou em um dispositivo fornecido pelo próprio hotel.
Segundo o Ministério do Turismo,a transição para o ambiente digital é amparada pela nova Lei Geral do Turismo, sancionada em 2024, e segue rigorosamente as diretrizes da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), garantindo o tratamento das informações em um ambiente controlado e criptografado. Para hóspedes estrangeiros, o sistema foi adaptado e não exigirá a criação de uma conta Gov.Br.
A adesão ao novo sistema deu um salto nos últimos dias. Houve um avanço de 20% desde a última sexta-feira (17/04), elevando para 4.077 o número de estabelecimentos que já oferecem o check-in digital aos seus clientes. No entanto, o Ministério do Turismo alerta que todos os 19.231 meios de hospedagem regulares no Cadastro de Prestadores de Serviços Turísticos (Cadastur) precisam se adaptar à nova regra, independentemente de já utilizarem sistemas próprios de gestão corporativa.
Balanço de adesão pelos estados
A migração, que vinha ocorrendo de forma gradual desde novembro de 2025, teve seu prazo final estendido de fevereiro para o dia 20 de abril. O monitoramento do governo mostra que o Sudeste e o Sul lideram a adoção da ferramenta.
São Paulo desponta no ranking nacional com 782 estabelecimentos adequados. Na sequência, aparecem Rio de Janeiro (401), Minas Gerais (373), Santa Catarina (351) e Rio Grande do Sul (296). No Nordeste, os destaques são Bahia (262) e Ceará (230). No Centro-Oeste, Goiás (119) e Mato Grosso (114) lideram o avanço. Já na região Norte, o Pará está à frente com 75 empreendimentos que concluíram a migração, seguido pelo Amazonas (60).
Segurança de dados e combate a fake news
O Ministério do Turismo esclarece que a implantação da ficha digital não cria uma nova exigência de dados, mas apenas transfere para um sistema único e oficial as informações que já eram fornecidas pelos hóspedes por meio de fichas de papel, planilhas ou e-mails.
A transição é amparada pela nova Lei Geral do Turismo, sancionada em 2024, e segue rigorosamente a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Todo o tratamento das informações dos viajantes é feito em um ambiente criptografado e controlado pelo Serpro, garantindo total segurança. Além de combater fake news sobre a privacidade dos dados, o sistema elimina o uso de papel, gerando economia para os hotéis e fornecendo dados estratégicos em tempo real para o planejamento de políticas públicas.
Impacto no setor e penalidades para quem não aderir
A falta de envio da FNRH Digital gera inconformidade imediata para o estabelecimento. Hotéis e pousadas que não se adequarem inviabilizam a renovação de seus registros no Cadastur e estarão sujeitos a processos administrativos (com garantia de ampla defesa), podendo sofrer penalidades que variam de advertências a multas. A fiscalização é feita pelo Ministério do Turismo e pode ser delegada a estados e municípios. Para auxiliar o setor, o governo disponibilizou ações educativas, vídeos tutoriais e uma página de perguntas frequentes.
O ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, destaca que a modernização vai além da tecnologia e impacta a qualidade do destino Brasil. “Nosso objetivo central é o bem-estar do viajante. Com a Ficha Digital de Hóspedes, estamos acabando com as filas e oferecendo um acolhimento muito mais digno e seguro nos meios de hospedagem de todo o país. Com a adesão total ao sistema – que estamos incentivando desde o fim do ano passado –, a própria hotelaria ganha uma gestão mais inteligente e reduz custos operacionais”, ressaltou.
Feliciano também celebrou os impactos ambientais e econômicos: “A nova Ficha Digital de Hóspedes foca especialmente o hóspede, evitando filas desnecessárias no check-in e garantindo mais conforto e segurança. Além do grande avanço tecnológico e sim, isso significa eliminar o uso de papel, o que reforça ações do governo Lula voltadas à sustentabilidade. É mais um avanço para aumentar a contribuição do turismo ao desenvolvimento econômico e social do país, onde, com uma hotelaria mais moderna, mais pessoas vão ter chance de emprego e renda por meio do crescimento do setor”.
E concluiu sobre as vantagens operacionais: “Com a migração definitiva do setor, que está sendo amplamente orientada pelo Ministério do Turismo, estamos transformando a experiência tanto para o viajante quanto para o hoteleiro, que pode reduzir custos e aprimorar a gestão do seu negócio. Menos papel, mais agilidade e um turismo muito mais profissional”.
*Com informações de Ministério do Turismo