[Foto: WHO / Pierre Albouy]
- Progresso insuficiente: O relatório “Estatísticas Mundiais de Saúde 2026” revela que o avanço global é lento, desigual e apresenta retrocessos em áreas críticas.
- Impacto da Pandemia: A COVID-19 causou 22,1 milhões de mortes excedentes entre 2020 e 2023, revertendo uma década de ganhos em expectativa de vida.
- Barreiras Financeiras: Cerca de 1,6 bilhão de pessoas enfrentaram a pobreza ou foram empurradas para ela devido a gastos diretos com saúde em 2022.
O cenário da saúde global em 2026 apresenta um paradoxo de avanços tecnológicos e retrocessos sociais. Segundo o novo relatório Estatísticas Mundiais de Saúde 2026, publicado na última quinta-feira (14/05) pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o mundo permanece distante de alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) previstos para 2030. Embora a última década tenha registrado melhorias em prevenção e tratamento, desafios emergentes e persistentes ameaçam a segurança sanitária global.
“Estes dados contam uma história de progresso e de desigualdade persistente, com muitas pessoas – especialmente mulheres, crianças e pessoas em comunidades carentes – ainda privadas das condições básicas para uma vida saudável”, afirmou o Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus, Diretor-Geral da OMS. O líder da organização enfatizou que o investimento em sistemas de dados resilientes é essencial para garantir a responsabilização e reduzir as disparidades.
Conquistas pontuais e avanços regionais
Apesar do alerta, o relatório destaca vitórias importantes. Entre 2010 e 2024, as novas infecções por HIV caíram 40%, enquanto o consumo de tabaco e álcool apresentou declínio. Outro dado positivo é a redução de 36% no número de pessoas que necessitam de intervenções para doenças tropicais negligenciadas.
No campo da infraestrutura básica, os avanços entre 2015 e 2024 foram significativos:
- 961 milhões de pessoas ganharam acesso a água potável.
- 1,2 bilhão obtiveram saneamento básico.
- 1,4 bilhão passaram a utilizar soluções de cozinha limpas.
Regionalmente, a África superou as médias globais com uma redução de 70% nos casos de HIV e 28% na tuberculose. Já o Sudeste Asiático caminha para cumprir a meta de redução da malária para 2025.
O retrocesso: Malária, Anemia e Violência
No entanto, o progresso é frágil. A incidência de malária subiu 8,5% desde 2015, e a anemia continua afetando 30,7% das mulheres em idade reprodutiva, sem melhoras na última década. No âmbito social, a violência doméstica atinge 1 em cada 4 mulheres no mundo, evidenciando a falha em políticas de proteção social.
A pandemia de COVID-19 também deixou uma cicatriz profunda. Estima-se que o vírus e seus efeitos indiretos foram responsáveis por 22,1 milhões de mortes em excesso até 2023, um número três vezes maior do que o oficialmente reportado, desestruturando sistemas de saúde e reduzindo a expectativa de vida global.
Sistemas de Saúde sob pressão
A cobertura universal de saúde estagnou, subindo apenas de 68 para 71 pontos no índice global entre 2015 e 2023. A Dra. Yukiko Nakatani, Diretora-Geral Adjunta da OMS, alertou sobre a gravidade da situação: “Essas tendências refletem muitas mortes que poderiam ter sido evitadas. Com o aumento dos riscos ambientais, emergências de saúde e uma crise de financiamento da saúde cada vez mais grave, precisamos agir com urgência”.
O “apagão” de dados globais
Um dos maiores obstáculos para a saúde pública é a falta de informações precisas. No final de 2025, apenas 18% dos países reportavam dados de mortalidade anualmente. Das 61 milhões de mortes estimadas em 2023, apenas um terço teve a causa informada.
“As lacunas de dados limitam severamente a capacidade de monitorar tendências de saúde em tempo real, comparar resultados entre países e elaborar respostas eficazes de saúde pública”, declarou o Dr. Alain Labrique, Diretor de Dados e IA da OMS.
O relatório encerra com uma mensagem urgente: sem sistemas de saúde robustos, financiamento sustentável e dados de alta qualidade, o mundo falhará em proteger os mais vulneráveis e em cumprir a promessa de saúde para todos até 2030.
Resumo do Relatório OMS 2026: Principais Dúvidas
De acordo com o relatório, o mundo continua longe de alcançar qualquer um dos ODS relacionados à saúde até 2030, com progresso desigual, lento e retrocessos em áreas críticas.
A pandemia foi responsável por 22,1 milhões de mortes em excesso entre 2020 e 2023. Esse número é três vezes superior ao oficialmente relatado e reverteu uma década de avanços na expectativa de vida.
As novas infecções por HIV caíram 40% (2010-2024), o uso de tabaco e álcool diminuiu, e houve uma redução de 36% nas pessoas que precisam de intervenções para doenças tropicais negligenciadas.
Em 2022, 1,6 bilhão de pessoas viviam na pobreza ou foram empurradas para ela devido a gastos com saúde pagos diretamente pelos pacientes, evidenciando uma crise de financiamento sustentável.
Apenas um terço dos países atende aos padrões de dados de alta qualidade. Sem dados precisos sobre causas de morte, a capacidade de monitorar tendências e elaborar respostas eficazes fica severamente limitada.
*Com informaões de OMS