[Foto: Richard Souza / AN]
O primeiro trimestre de 2026 marcou um recorde positivo para a segurança pública nacional. De acordo com dados divulgados na quinta-feira (30/04) pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), o Brasil registrou o menor número de homicídios dolosos e latrocínios para o período de janeiro a março na última década.
As informações, extraídas do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), apontam para uma queda dos crimes letais no país, consolidando um cenário de diminuição consistente da violência.
Queda histórica na década
A análise da série histórica dos últimos dez anos revela reduções drásticas nos principais indicadores de criminalidade violenta. Entre 2016 e 2026, o panorama dos primeiros três meses do ano sofreu a seguinte alteração:
- Homicídios dolosos: Caíram de 12.719 (2016) para 7.289 (2026), o que representa uma retração de 42,7%.
- Latrocínios (roubo seguido de morte): Despencaram de 591 (2016) para apenas 160 (2026), uma expressiva redução de 72,9%.
Quando o recorte foca no período mais recente, comparando 2022 com 2026, a tendência de queda se mantém firme. Os homicídios dolosos recuaram 25% (de 9.714 para 7.289 casos). Já os latrocínios tiveram uma redução de 48,1%, passando de 308 registros em 2022 para os atuais 160.
O levantamento também analisou períodos mais amplos. Na comparação entre o bloco de anos de 2019 a 2022 e o bloco de 2023 a 2026, os homicídios dolosos caíram 16,2% (de 41.485 para 34.758 casos).
Aumento de prisões e inteligência policial
A diminuição da criminalidade letal ocorre em paralelo ao aumento da eficiência investigativa. Os dados do MJSP evidenciam um fortalecimento da atuação do Estado: o cumprimento de mandados de prisão saltou 37,1%, passando de 53.212 no primeiro trimestre de 2022 para 72.965 no mesmo período de 2026. Esse avanço indica maior capacidade de identificação e responsabilização de criminosos.
Para o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, o cenário reflete o sucesso de uma nova estratégia de combate ao crime, baseada em inteligência e descapitalização das organizações criminosas. O foco nacional tem sido a integração entre a União e os estados e o ataque frontal aos crimes patrimoniais e de receptação.
“Os dados mostram que o Brasil não está apenas reduzindo a violência, mas mudando a forma de enfrentá-la. Hoje, trabalhamos com integração entre as forças de segurança, uso intensivo de inteligência e atuação coordenada em todo o País. Isso permite não só prender mais, mas prevenir crimes e salvar vidas”, afirmou o ministro.
Investimentos impulsionam a queda da criminalidade
O recuo da violência acompanha um aporte financeiro significativo por parte do governo federal. O repasse do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) teve uma alta de 80,9%, subindo de R$ 970,7 milhões (no biênio 2021–2022) para R$ 1,76 bilhão (no biênio 2023–2024).
Esses recursos foram destinados à aquisição de equipamentos, modernização tecnológica, melhorias na perícia, formação policial e projetos de integração entre as corporações.
O secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, ressaltou a importância dessa injeção de verbas para o resultado alcançado. “Mais investimento aliado à integração entre União e estados tem impacto direto na redução da violência. Com estruturas mais modernas e atuação coordenada, as forças de segurança conseguem agir com mais precisão e eficiência”, destacou.
*Com informações de MJSP