[Foto: Richard Souza / AN
- Superação da meta: Prazo do Imposto de Renda se encerra com mais de 44,4 milhões de declarações entregues, número superior à estimativa inicial da Receita Federal.
- Avanço da pré-preenchida: Quase 60% dos contribuintes optaram pelo modelo automatizado, aproximando o Fisco do objetivo de uma declaração totalmente pré-preenchida.
- Impacto na malha fina e restituição: Enquanto um erro de transição para o eSocial elevou a retenção de contribuintes na malha fina, o ano registra recorde com 56,1% das declarações com direito à restituição, totalizando R$ 16 bilhões.
O prazo legal para o envio da declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) encerrou com um saldo que superou as estimativas do governo. De acordo com o balanço consolidado após o encerramento do prazo, a Receita Federal recebeu exatas 44.498.717 declarações, ultrapassando os 44 milhões previstos inicialmente pelo órgão e superando os 43,3 milhões registrados em 2025.
O volume de entregas representou 103% do total enviado no ano anterior. O secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, já havia demonstrado otimismo horas antes do fechamento: “Devemos atingir esse volume, próximo de 44 milhões de contribuintes, fazendo a declaração do Imposto de Renda”.
O domínio da declaração pré-preenchida
Os dados finais confirmam a consolidação da tecnologia no acerto de contas com o Leão. O formato pré-preenchido foi a escolha em 59,8% das declarações entregues, um salto significativo em relação aos 50,3% registrados no último dia de entrega de 2025.
Esse movimento reforça o plano do governo de tornar o modelo automático. “Nós caminhamos cada vez mais para chegarmos àquela diretriz dada pelo ministro [da Fazenda] Dario Dorigan, de termos uma declaração 100% pré-preenchida, em que o contribuinte terá apenas que conferir os dados já apresentados pela Receita Federal. Estamos muito próximos disso”, ressaltou Barreirinhas.
O balanço estatístico revelou ainda que a maioria optou pelo modelo de declaração simplificada (54,6%). A média de idade dos contribuintes ficou em 47 anos, com 44,4% das declarações enviadas por mulheres. O sistema também computou 57.598 declarações de final de espólio e 47.548 referentes à saída definitiva do país, além de 8,1% de declarações retificadoras.
Recorde em restituições e o gargalo do eSocial
O balanço confirmou o recorde financeiro para os contribuintes: 56,1% das declarações enviadas têm imposto a restituir, o que totaliza cerca de R$ 16 bilhões a serem pagos a aproximadamente 8,7 milhões de pessoas. Outros 23,0% terão imposto a pagar, enquanto 21,0% não terão valores a recolher ou receber.
Apesar da facilidade tecnológica e do alto volume de devolução, o exercício de 2026 registrou um aumento nas declarações retidas na malha fina: 4,97% contra 4,68% do ano anterior.
O supervisor Nacional do Imposto de Renda da Pessoa Física, José Carlos Fonseca, justificou o salto como reflexo da mudança no sistema das empresas, que substituíram a Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (Dirf) pelo eSocial.
“Todo mundo criticava, foi difícil terminar com a Dirf. Com essa mudança, a gente percebeu que as informações que estavam chegando no eSocial não estavam 100% [corretas]. Algumas empresas entregavam de forma incorreta, classificando as verbas de forma incorreta”, detalhou.
De acordo com o supervisor, o processo de correção corporativa está em andamento, mas já impactou o sistema de fiscalização. “Ainda tem algumas empresas que estão retificando, é normal, muitas vão levar cinco anos para resolver, é normal também, está no prazo legal, mas a gente conseguiu avançar bastante. Isso deu um impacto muito grande na malha”, disse.
Orientações para quem caiu na malha fina
Para o contribuinte que enviou os dados em conformidade com seus comprovantes de rendimento, o Fisco garante que a situação se resolverá automaticamente assim que o empregador regularizar os dados no eSocial.
A recomendação oficial é clara: “Se ele entregou a declaração corretamente, se ele entregou a declaração de acordo com os comprovantes de rendimentos que ele possui, com os comprovantes que ele tem em posse, e está em malha por alguma divergência, tranquilo, a empresa deve estar retificando e, a empresa corrigindo, ele não tem que fazer nada, ele não tem que apertar nenhum botão. A própria declaração dele vai ser reanalisada quando essa informação chegar e ele vai sair da malha”, assegurou Fonseca.