[Foto: Ilustrativa/ Google AI]
- Expectativa histórica: O Brasil deve colher 358 milhões de toneladas de grãos nesta safra, um volume 1,6% superior ao ciclo anterior, injetando 5,7 milhões de toneladas a mais no mercado.
- Protagonistas do campo: A soja atinge a marca inédita de 180,1 milhões de toneladas, enquanto o milho e o sorgo também apresentam desempenhos decisivos para o recorde.
- Mesa garantida: Mesmo com a redução nas estimativas de produção de itens básicos como arroz e feijão, não existe risco de desabastecimento no mercado interno.
O agronegócio brasileiro se prepara para consolidar um marco histórico. O 8º Levantamento da Safra de Grãos, divulgado nesta última quinta-feira (14/05) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), aponta que a produção nacional deve alcançar 358 milhões de toneladas. O número representa um incremento de 1,6% em relação à safra passada, adicionando 5,7 milhões de toneladas ao montante total a ser colhido no país.
O otimismo e a expectativa de recorde absoluto são sustentados pelo forte desempenho de três culturas principais: a soja, o milho e o sorgo.
Soja bate marca inédita e milho mantém força
A soja continua sendo o grande motor do campo brasileiro. A produção da oleaginosa foi projetada em 180,1 milhões de toneladas, um marco inédito que supera em 0,5% (ou 978 mil toneladas) a estimativa anterior. Com 98,3% da área já colhida, o grão registra um crescimento de 5%, ou 8,6 milhões de toneladas a mais, em comparação à safra 2024/25. É o sétimo crescimento registrado nas últimas dez safras.
O milho também apresenta números robustos. Somando as três safras do cereal, a Conab projeta a segunda maior produção da série histórica: 140,2 milhões de toneladas.
A primeira safra de milho, com 71,5% da colheita concluída, deve render 28,5 milhões de toneladas, superando o ciclo anterior em 3,5 milhões. Já a segunda safra (safrinha), com a semeadura finalizada, tem estimativa de 108,5 milhões de toneladas. Embora registre uma leve queda de 0,6% devido a fatores climáticos em Goiás e Minas Gerais, a área plantada no panorama nacional cresceu 2,1%.
A ascensão estratégica do sorgo
Um dos grandes destaques do levantamento é o sorgo, cuja produção pode atingir 7,6 milhões de toneladas, um expressivo incremento de até 23,8%. A área cultivada cresceu em todas as regiões, com um salto de 50,7% apenas no Centro-Oeste. Maior produtor do país, Goiás deve colher mais de 2,2 milhões de toneladas, um ganho de 40,3%.
O gerente de Acompanhamento de Safras da Conab, Fabiano Vasconcellos, explica o fenômeno:
“Esse crescimento é explicado pela migração estratégica de áreas originalmente destinadas ao milho. Com o encerramento da janela ideal de semeadura desse cereal, parte dos produtores optou pelo sorgo, considerando sua maior adaptação a janelas de cultivo tardias, em razão da maior tolerância da cultura a períodos de deficit hídrico, além da possibilidade de utilização do grão em diferentes segmentos, como na alimentação animal e produção de etanol”, analisa Vasconcellos.
Arroz, Feijão, Algodão e Trigo
Itens fundamentais na mesa do brasileiro, o arroz e o feijão apresentaram recuos, mas a Conab tranquiliza a população: não há risco de desabastecimento no mercado interno.
- Arroz: A produção está estimada em 11,1 milhões de toneladas (queda de 0,3% ante o mês anterior e 1,7 milhão a menos que a safra 24/25). A redução de 13,7% na área plantada foi parcialmente compensada por ganhos de produtividade (7.281 quilos por hectare).
- Feijão: As três safras somadas devem render 2,9 milhões de toneladas, um volume 5,2% menor que o do ciclo passado. Contudo, a primeira safra registrou ganho de produtividade de 4,3%.
Outras culturas que registraram baixas foram o algodão e o trigo. O algodão deve produzir 4 milhões de toneladas de pluma (queda de 2,6%), enquanto o trigo foi impactado pela redução de área no Rio Grande do Sul e no Paraná, devendo fechar em 6,4 milhões de toneladas (redução de 1,5 milhão).
Mercado aquecido: etanol e exportações em alta
No cenário de mercado, o milho ganha forte tração interna graças à indústria de etanol. O consumo doméstico do cereal deve subir 4,6%, chegando a 94,86 milhões de toneladas. As exportações também continuarão aquecidas: 46,5 milhões de toneladas de milho devem ser embarcadas, deixando o estoque de passagem em 12,98 milhões de toneladas.
A soja, acompanhando a safra recorde, deve exportar 116 milhões de toneladas, um avanço de 7,25% em relação à temporada 2024/25.