[Banco Central do Brasil / Foto: Leonardo Sá / Agência Senado]
[Foto: Leonardo Sá / Agência Senado]
- Previsão em alta: Relatório Focus eleva estimativa do IPCA de 4,86% para 4,89% em 2026, superando o teto de tolerância de 4,5%.
- Pressão externa: Conflito no Oriente Médio impacta preços de combustíveis e alimentos, dificultando o controle inflacionário no país.
- Juros e Selic: Banco Central mantém monitoramento do cenário internacional para definir os próximos passos da taxa básica, atualmente em 14,5%.
O mercado financeiro revisou para cima, pela oitava semana consecutiva, a projeção para a inflação oficial do Brasil em 2026. Segundo os dados do Boletim Focus divulgados nesta segunda-feira (04/05) pelo Banco Central, a expectativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu de 4,86% para 4,89%. O novo patamar coloca a inflação acima do limite superior da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
A meta central para este ano é de 3%, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, o que fixa o teto máximo aceitável em 4,5%. Com a nova estimativa de 4,89%, o país caminha para um estouro oficial da meta, pressionado principalmente pela alta nos transportes e na alimentação, setores que já haviam levado o IPCA de março a fechar em 0,88%.
O impacto da guerra e dos combustíveis
O principal fator de pressão identificado pelos analistas é o prolongamento da guerra no Oriente Médio. O conflito tem gerado instabilidade no preço internacional dos combustíveis, o que reverbera diretamente na cadeia produtiva brasileira, elevando o custo de fretes e alimentos.
O cenário desafia a estratégia do Comitê de Política Monetária (Copom), que na última semana reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, fixando-a em 14,5% ao ano. Apesar do corte, o segundo consecutivo após um longo período de juros em 15%, o colegiado afirmou em nota que “está monitorando o conflito e os efeitos de um possível prolongamento sobre a inflação”, sem dar pistas sobre os próximos movimentos.
Cenário para o PIB e Câmbio
Enquanto a inflação preocupa, a previsão para o crescimento da economia brasileira (PIB) permaneceu estável em 1,85% para este ano. O resultado vem após um 2025 positivo, onde o país registrou crescimento de 2,3%, impulsionado pelo setor agropecuário.
Já para o câmbio, o Boletim Focus aponta que o dólar deve encerrar 2026 cotado a R$ 5,25. Para os anos seguintes, o mercado projeta uma trajetória de queda gradual nos juros, com a Selic podendo chegar a 11% em 2027 e 10% em 2028, desde que a inflação retorne ao centro da meta, que para 2027 está projetada em 4%.
O próximo encontro do Copom, decisivo para a manutenção ou novo corte da taxa Selic, está agendado para os dias 16 e 17 de junho.
| Qual a previsão da inflação (IPCA)? | O mercado elevou a estimativa para 4,89%, estourando o teto da meta (4,5%). |
|---|---|
| Por que a inflação subiu? | Pressão da guerra no Oriente Médio sobre combustíveis e alimentos, além da alta em transportes. |
| Qual o valor da Taxa Selic? | Atualmente em 14,5% ao ano. A projeção para o fim de 2026 é de 13%. |
| Qual a expectativa para o PIB? | Crescimento estimado em 1,85% para a economia brasileira neste ano. |
| E a cotação do Dólar? | A previsão para o encerramento de 2026 é de R$ 5,25. |
| Quando é a próxima reunião do Copom? | O encontro para definir os novos rumos da Selic será nos dias 16 e 17 de junho. |
*Com informações de BC