O mercado de trabalho brasileiro encerrou o mês de março com um saldo positivo expressivo. O país gerou 228.208 novos postos de trabalho com carteira assinada, impulsionando o acumulado do primeiro trimestre para 613.373 vagas formais. Os números fazem parte do levantamento do Novo Caged, divulgado nesta quarta-feira (29/04) pelo ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho.
Com o resultado de março, fruto de mais de 2,5 milhões de admissões contra quase 2,3 milhões de desligamentos, o estoque total de empregos formais no Brasil atingiu a marca de 49.082.634 vínculos, um crescimento de 2,6%. O balanço também confirma uma tendência de alta a longo prazo: nos últimos 12 meses, foram criados 1.211.455 postos e, desde 2023, o país já soma mais de 5 milhões de novas vagas com carteira assinada.
O perfil das novas vagas: Mulheres e jovens em destaque
A análise demográfica de março revela um forte protagonismo feminino e da juventude na ocupação dessas vagas. As mulheres garantiram a maior parte do saldo positivo do mês, ocupando 132.477 postos, enquanto os homens preencheram 95.731.
A atração de novos talentos também chama a atenção: os jovens de até 24 anos representaram 72,6% do total do mês, garantindo 165.785 vagas. Quanto à escolaridade, a grande maioria dos postos (183.037) exigiu o ensino médio completo, seguido por profissionais com nível superior completo, que conquistaram 23.265 vagas.
A qualidade das contratações mostra que 83,25% dos postos gerados no mês são considerados típicos. Os 16,75% restantes (não típicos) são compostos majoritariamente por jornadas de até 30 horas semanais (+34.925) e contratos de aprendizagem (+12.264).
Setor de Serviços alavanca a economia
Entre os setores produtivos, o grupamento de Serviços foi o grande motor da empregabilidade em março, sendo responsável pela criação de 152.391 postos. Na sequência, aparecem a Construção (38.316), a Indústria (28.336) e o Comércio (27.267).
A única retração do mês foi registrada na Agropecuária, que perdeu 18.096 postos. O movimento, no entanto, é justificado pela finalização do período de safras de culturas importantes, como maçã, soja e uva.
Acumulado do ano por setor
Quando se observa o primeiro trimestre (janeiro a março), o cenário é majoritariamente positivo. O setor de Serviços acumula a liderança isolada com 382.229 postos criados (+1,6%), puxado por atividades de informação, comunicação, finanças, mercado imobiliário e administração pública.
A Construção gerou 120.547 postos no trimestre, seguida de perto pela Indústria, com 115.310 novas vagas. A Agropecuária, apesar da queda em março, mantém um saldo trimestral positivo de 14.752 postos. O único setor a registrar déficit no acumulado de 2026 é o Comércio, com redução de 19.525 postos.
Panorama pelos estados
O saldo de empregos de março foi positivo em quase todo o território nacional, abrangendo 24 unidades federativas. Em números absolutos, os maiores geradores de emprego foram:
- São Paulo: 67.876 postos (0,46%)
- Minas Gerais: 38.845 postos (0,77%)
- Rio de Janeiro: 23.914 postos (0,60%)
Já no crescimento relativo (proporcional ao tamanho do estado), os destaques do mês ficaram no Norte e Nordeste: Acre (0,92%), Roraima (0,88%) e Piauí (0,86%).
No acumulado do ano, São Paulo (183.054), Minas Gerais (70.625) e Santa Catarina (59.396) lideram em volume de vagas, enquanto Goiás (2,33%), Mato Grosso (2,27%) e Santa Catarina (2,26%) apresentam a maior evolução percentual.