[Foto: Mário Agra / Câmara dos Deputados]
O ex-deputado federal e ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, foi solto nesta quarta-feira (15/04) após passar dois dias detido nos Estados Unidos. O ex-parlamentar é considerado foragido pela Justiça do Brasil e é alvo de um pedido de extradição do governo brasileiro.
A detenção inicial havia ocorrido na segunda-feira (13/04) na cidade de Orlando, estado da Flórida, por agentes do serviço de imigração e alfândega norte-americano, o ICE (U.S. Immigration and Customs Enforcement). No entanto, o nome de Ramagem não consta mais nos registros de presos da região, e as razões que levaram à sua soltura não foram divulgadas pelo órgão americano.
“Prisão é fruto da cooperação”
Em nota oficial divulgada logo após a detenção, a Polícia Federal (PF) havia confirmado que a captura em solo americano ocorreu graças a uma articulação conjunta. “A prisão é fruto da cooperação policial internacional entre Brasil e Estados Unidos no combate ao crime organizado”, informou a PF no documento. O nome do ex-diretor da Abin chegou a constar no sistema do Departamento de Segurança Interna dos EUA com o status oficial de “sob custódia do ICE”.
Ramagem também figura na lista de procurados da Interpol. O pedido formal de extradição foi entregue pelo governo brasileiro, através da Embaixada em Washington, ao Departamento de Estado norte-americano no final de dezembro de 2025.
A fuga, as condenações e a carreira policial
Ramagem estava foragido desde setembro do ano passado para evitar o cumprimento de penas relacionadas à trama golpista durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. De acordo com a PF, ele é procurado “após condenação pelos crimes de organização criminosa armada, golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado de Direito”. Embora fontes citem uma pena que somaria 21 anos no processo da trama golpista, o STF também fixou uma condenação de 16 anos, 1 mês e 15 dias de prisão.
Mesmo proibido de deixar o Brasil pelo STF, Ramagem saiu pela fronteira com a Guiana e utilizou um passaporte diplomático, que não havia sido apreendido. Em fevereiro deste ano, mesmo foragido, ele chegou a prestar depoimento ao Supremo por videoconferência no âmbito da ação penal, processo que voltou a tramitar após a cassação do seu mandato.
Além de perder o cargo de deputado federal por determinação da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados em cumprimento à Constituição, ele também foi demitido de sua posição como delegado de carreira da Polícia Federal.
*Matéria em atualização
*Com informações de PF