[Foto: Divulgação / Rodrigo Nunes / MS]
O Brasil alcançou um marco histórico na saúde pública. Segundo o relatório Níveis e Tendências da Mortalidade Infantil, divulgado nesta terça-feira (17/03) pelas Nações Unidas, o país registrou as menores taxas de mortalidade neonatal e em crianças abaixo dos cinco anos das últimas três décadas. Os dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) revelam que o recuo é fruto de um conjunto de políticas públicas coordenadas que têm combatido mortes preveníveis.
A transformação nos indicadores é drástica. Em 1990, o Brasil registrava 25 mortes neonatais (antes de 28 dias de vida) para cada mil nascidos vivos; em 2024, esse número caiu para sete. A probabilidade de uma criança morrer antes do quinto aniversário também despencou: de 63 mortes por mil nascidos em 1990 para 14,2 em 2024.
O impacto das políticas públicas
Segundo os dados, o sucesso brasileiro é atribuído à expansão da rede pública e a programas estratégicos como o Saúde da Família, Agentes Comunitários de Saúde e a Política Nacional de Atenção Básica. Essas iniciativas garantiram o acompanhamento de mães e bebês desde a gestação.
“Estamos falando de milhares de bebês e crianças que não sobreviveriam, e hoje podem crescer, se desenvolver com saúde e chegar até a vida adulta”, explica Luciana Phebo, chefe de Saúde e Nutrição do Unicef no Brasil. Ela enfatiza que o avanço foi possível por escolhas estruturais: “E essa mudança foi possível porque o Brasil escolheu investir em políticas que funcionam, como a vacinação e o incentivo à amamentação”.
Alerta para a desaceleração e causas externas
Apesar dos avanços históricos, o relatório acende um sinal amarelo: o ritmo de queda da mortalidade infantil desacelerou na última década. Entre 2000 e 2009, a redução anual da mortalidade neonatal era de 4,9%, caindo para 3,16% ao ano no período entre 2010 e 2024.
Além disso, o levantamento traz um recorte preocupante sobre adolescentes e jovens de 15 a 19 anos. No Brasil, a violência é a principal causa de óbito entre meninos, sendo responsável por 49% das mortes nessa faixa etária. Entre as meninas, as doenças não transmissíveis lideram as causas de morte (37%), seguidas por doenças transmissíveis e violência.
Investimento com retorno social
O Unicef reforça que investir na sobrevivência infantil é uma das medidas de desenvolvimento com melhor custo-benefício. Intervenções de baixo custo, como vacinas e assistência qualificada no parto, fortalecem a economia a longo prazo. Estimativas apontam que cada US$ 1 investido na sobrevivência infantil pode gerar até US$ 20 em benefícios sociais e econômicos.
Dados e Tendências
Qual foi a queda na mortalidade antes dos 5 anos?
A taxa caiu de 63 mortes por mil nascidos em 1990 para 14,2 mortes por mil em 2024.
Quais programas ajudaram nesse resultado?
O Programa Saúde da Família, Agentes Comunitários de Saúde e a expansão da rede pública de saúde.
Qual a principal causa de morte entre meninos de 15 a 19 anos?
A violência é responsável por quase metade (49%) das mortes de meninos nessa faixa etária no Brasil.
Houve desaceleração na queda da mortalidade?
Sim. A redução anual, que era de 4,9% na década de 2000, passou para 3,16% na última década.