Imagem: Ilustração
Consumidores de todo o Rio de Janeiro passarão a pagar mais caro pela conta de luz a partir deste domingo (15/03), quando entram em vigor os novos reajustes tarifários aprovados pela Agência Nacional de Energia Elétrica para as distribuidoras Enel Distribuição Rio e Light Serviços de Eletricidade.
As novas tarifas foram definidas no Reajuste Tarifário Anual de 2026 das duas concessionárias, processo regulatório que atualiza os valores cobrados nas contas de energia elétrica. A medida passa a valer para milhões de unidades consumidoras atendidas pelas empresas no estado.
A decisão foi tomada pela diretoria colegiada da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e integra o mecanismo de atualização das tarifas previsto nos contratos de concessão do setor elétrico.
Reajuste para clientes da Enel Rio
A Enel Distribuição Rio é responsável pelo fornecimento de energia para cerca de 2,79 milhões de unidades consumidoras no estado. Para os consumidores residenciais classificados na categoria B1, o reajuste aprovado foi de 14,07%.
Considerando todas as classes de consumidores atendidas pela concessionária, os índices médios definidos pela agência reguladora foram:
- Baixa tensão: 14,23%
- Alta tensão: 19,84%
- Efeito médio para o consumidor: 15,46%
Segundo o processo tarifário, os índices foram influenciados por componentes financeiros do processo tarifário atual e anterior, além de custos relacionados ao pagamento de encargos setoriais e despesas com distribuição e compra de energia.
Reajuste para clientes da Light
A Light Serviços de Eletricidade atende mais de 3,96 milhões de unidades consumidoras em 31 municípios fluminenses. Para os consumidores residenciais da área de concessão da empresa, o reajuste aprovado foi de 6,40%.
Os índices médios definidos para as classes de consumo foram:
- Baixa tensão: 6,56%
- Alta tensão (indústrias): 13,46%
- Efeito médio para o consumidor: 8,59%
Segundo a ANEEL, entre os fatores que pressionaram o reajuste deste ano estão custos relacionados aos encargos setoriais e despesas com transporte e aquisição de energia. A retirada de componentes financeiros homologados no ano anterior e a inclusão de novos componentes financeiros ajudaram a reduzir o impacto final das tarifas.
Reajustes tarifários
No setor elétrico, os reajustes tarifários são aplicados por meio de dois processos regulatórios previstos nos contratos de concessão: a Revisão Tarifária Periódica (RTP) e o Reajuste Tarifário Anual (RTA).
A revisão tarifária ocorre em intervalos maiores e define parâmetros como custo eficiente da distribuição de energia, metas de qualidade do serviço e redução de perdas. Já o reajuste anual é aplicado nos anos em que não há revisão, atualizando a chamada Parcela B pela inflação prevista em contrato, com base em índices como IGP-M ou IPCA, descontado o chamado Fator X.
Além disso, tanto na revisão quanto no reajuste anual, são repassados às tarifas custos com compra e transmissão de energia e encargos setoriais, que financiam políticas públicas estabelecidas por leis e decretos.
Unidades consumidoras
Para detalhar como são classificadas as unidades consumidoras consideradas nos cálculos tarifários, a Agência Nacional de Energia Elétrica utiliza categorias que se dividem entre alta tensão e baixa tensão. Cada grupo reúne diferentes tipos de consumidores e níveis de fornecimento de energia elétrica.
Classificação das unidades consumidoras no cálculo das tarifas
Qual o impacto?
Os valores cobrados nas faturas variam conforme o consumo registrado em cada unidade consumidora. A seguir, confira simulações com diferentes valores de contas mensais mostram como os percentuais aprovados podem se refletir no valor final pago pelos consumidores.
Simulação para contas de clientes da Enel Rio (reajuste residencial de 14,07%)
| Valor da conta antes do reajuste | Valor aproximado após o reajuste |
|---|---|
| R$ 100 | R$ 114,07 |
| R$ 150 | R$ 171,11 |
| R$ 200 | R$ 228,14 |
| R$ 300 | R$ 342,21 |
| R$ 500 | R$ 570,35 |
Simulação para contas de clientes da Light (reajuste residencial de 6,40%)
| Valor da conta antes do reajuste | Valor aproximado após o reajuste |
|---|---|
| R$ 100 | R$ 106,40 |
| R$ 150 | R$ 159,60 |
| R$ 200 | R$ 212,80 |
| R$ 300 | R$ 319,20 |
| R$ 500 | R$ 532,00 |
Simulação considerando o efeito médio do reajuste
| Conta atual | Enel RJ (efeito médio de 15,46%) | Light (efeito médio de 8,59%) |
|---|---|---|
| R$ 120 | R$ 138,55 | R$ 130,31 |
| R$ 200 | R$ 230,92 | R$ 217,18 |
| R$ 350 | R$ 404,11 | R$ 380,07 |
| R$ 600 | R$ 692,76 | R$ 651,54 |
O valor final das faturas pode variar conforme o consumo registrado, a classe tarifária e outros componentes que integram a cobrança da energia elétrica.
Deputado entra na Justiça contra reajuste
O deputado federal Lindbergh Farias (PT) informou que ajuizou, na quarta-feira (11/03), uma ação popular na Justiça Federal do Rio de Janeiro contra a decisão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) que autorizou reajustes nas tarifas de energia elétrica no estado.
A medida da agência reguladora aprovou o Reajuste Tarifário Anual de 2026 da Enel Distribuição Rio. A concessionária atende cerca de 2,79 milhões de unidades consumidoras em 66 cidades fluminenses.
De acordo com a decisão da Aneel, o efeito médio do reajuste será de 15,46% para os consumidores atendidos pela empresa. Para os clientes residenciais da classe B1, o aumento aprovado é de 14,07%.
Os índices variam conforme o nível de tensão do fornecimento. Para consumidores cativos em baixa tensão, o reajuste médio é de 14,23%. Já para consumidores atendidos em alta tensão, a variação média chega a 19,84%. Os novos valores passam a valer a partir do próximo domingo (15).
Nas redes sociais, o parlamentar criticou o reajuste autorizado pela agência. “Chega de assalto”, escreveu. O deputado também classificou o aumento como “soco no estômago do consumidor”.
Além da ação judicial, Lindbergh informou que lançou um abaixo-assinado contra o reajuste da tarifa de energia elétrica.
*Com informações de ANEEL