[Foto: Richard Souza / AN]
A indústria brasileira de alimentos e bebidas registrou faturamento de R$ 1,39 trilhão em 2025, valor que representa crescimento de 8,02% em relação ao ano anterior. O montante equivale a 10,8% do Produto Interno Bruto (PIB) estimado para o período.
Os dados foram divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA), nesta terça-feira (10/03).
Mercado interno lidera crescimento
Segundo a entidade, o principal motor do resultado foi o mercado interno, responsável por R$ 1,02 trilhão do faturamento total.
Desse valor, R$ 732 bilhões vieram do varejo, enquanto o restante foi gerado pelo segmento de food service, que reúne restaurantes, bares e serviços de alimentação fora do lar e vem recuperando participação no setor.
A ABIA aponta que a demanda doméstica foi decisiva para o avanço real de 2,2% nas vendas, resultado associado à recomposição gradual do consumo das famílias, ao aumento das refeições fora de casa e a ganhos de eficiência das empresas.
Exportações
No comércio exterior, a indústria de alimentos e bebidas somou US$ 66,73 bilhões em exportações, crescimento de 0,7% em 2025.
A Ásia foi o principal destino dos produtos brasileiros, com US$ 27,4 bilhões em compras. Já os Estados Unidos importaram US$ 4,9 bilhões, alta de 9,2%, mesmo diante do aumento de tarifas aplicado ao setor.
Empregos
A força de trabalho direta da indústria alcançou 2,12 milhões de trabalhadores, aumento de 2,4% em relação a 2024.
Considerando também os empregos indiretos, a cadeia produtiva do setor reúne 10,6 milhões de postos de trabalho, o que representa 10,3% da população ocupada no país, de acordo com a Abia.
Perspectivas para 2026
Para este ano, a entidade projeta crescimento das vendas reais entre 2% e 2,5%, impulsionado principalmente pelo mercado doméstico e pela recuperação gradual das exportações.
A expectativa é de que o número de empregos também avance, com aumento entre 1% e 1,5%.
De acordo com o presidente-executivo da ABIA, João Dornellas, a combinação de fatores econômicos pode favorecer o setor. Segundo ele, a estabilidade da safra, a redução gradual dos juros e um ambiente de crescimento moderado devem criar condições mais previsíveis para investimentos, apesar dos desafios relacionados aos custos de produção.
“Em 2026, a combinação de estabilidade da safra, redução gradual dos juros e um ambiente econômico de crescimento moderado, no Brasil e no mundo, cria condições mais previsíveis para o planejamento e o investimento. Ainda haverá desafios, especialmente do lado dos custos, mas o setor entra nesse ciclo com bases sólidas para crescer de forma sustentável, gerar empregos e seguir cumprindo seu papel estratégico no desenvolvimento do país”, disse João Dornellas