Sede da PF no RJ | Foto: Richard Souza / GE
[Foto: Richard Souza / GE]
A Polícia Federal (PF) prendeu, na manhã desta terça-feira (10/03), três policiais civis do Rio de Janeiro, entre eles o delegado titular de uma delegacia da capital, suspeitos de integrar um esquema de corrupção e extorsão. As prisões fazem parte de mais uma fase da Operação Anomalia, que investiga a atuação de servidores públicos e operadores financeiros envolvidos em práticas criminosas.
Além das prisões, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A operação busca desarticular um núcleo criminoso formado por policiais civis e pessoas responsáveis por movimentações financeiras ligadas ao grupo.
De acordo com a Polícia Federal, os investigados são suspeitos de usar a estrutura do Estado para extorquir integrantes do Comando Vermelho, apontado como a maior facção criminosa do Rio de Janeiro. O grupo também é investigado por corrupção e lavagem de dinheiro.
“Além de prisões e de buscas, a Suprema Corte deferiu a execução de medidas cautelares focadas na descapitalização do grupo, incluindo o afastamento imediato das funções públicas dos policiais investigados, a suspensão do exercício de atividades empresariais das pessoas jurídicas utilizadas nas práticas criminosas e o bloqueio de valores em contas bancárias e de criptoativos ligados aos alvos”, destacou a PF.
Esquema investigado
As investigações indicam que o esquema era liderado por um delegado e um policial civil. Segundo a PF, os servidores utilizavam intimações policiais como forma de pressionar lideranças do tráfico na cidade.
A estratégia, de acordo com a investigação, consistia em “intimações com o propósito exclusivo de coagir e pressionar lideranças do tráfico no Rio de Janeiro, exigindo o pagamento de propinas significativas para omissão em atos de ofício”.
Para receber os valores e evitar contato direto com integrantes da facção criminosa, os policiais contavam com a atuação de intermediários responsáveis por viabilizar os pagamentos.
Movimentações financeiras
A área de inteligência financeira da Polícia Federal identificou movimentações patrimoniais milionárias atribuídas aos investigados, consideradas incompatíveis com os rendimentos legais dos servidores.
Segundo a PF, a ocultação dos valores teria sido realizada por meio de empresas de fachada registradas em nome de familiares, utilizadas para dissimular a origem dos recursos.
“Para promover a ocultação e dissimulação do capital sujo, a estrutura criminosa contava com uma rede de empresas de fachada registradas em nome de familiares, agora alvos de suspensão judicial”, acrescentou a PF.
Medidas determinadas pelo STF
Além das prisões e buscas, o Supremo Tribunal Federal autorizou medidas cautelares para bloquear recursos financeiros e interromper as atividades do grupo.
Entre as determinações estão:
- afastamento imediato das funções públicas dos policiais investigados;
- suspensão das atividades empresariais das empresas utilizadas no esquema;
- bloqueio de valores em contas bancárias e criptoativos ligados aos investigados.
Crimes investigados
Os suspeitos poderão responder por organização criminosa, extorsão, corrupção passiva e ativa e lavagem de dinheiro.
*Com informações de PF