Uma operação do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) na manhã desta quarta-feira (18/03), no Morro dos Prazeres, em Santa Teresa, na região central do Rio de Janeiro, resultou na morte de oito pessoas, entre elas um morador feito refém e uma das lideranças mais antigas do Comando Vermelho (CV). A ação, confirmada pelo secretário de Polícia Militar, coronel Marcelo Menezes, visava desarticular uma quadrilha especializada em roubo de veículos e clonagem sob o comando de Claudio Augusto dos Santos, o Jiló dos Prazeres, de 55 anos.
Tragédia em “espaço confinado” e reféns
Um dos momentos críticos da incursão ocorreu quando criminosos encurralados pela elite da PM, invadiram a residência de Leandro Silva Souza. Segundo o comandante do BOPE, Marcelo Corbage, Leandro e sua esposa foram feitos reféns em sua residência.
Ainda segundo o comandante, durante a tentativa de negociação, tiros foram disparados no interior do imóvel. Leandro foi alvejado na cabeça e morreu no local. De acordo com o comando, os policiais reagiram a ataques que partiram de dentro da residência. “Eles invadiram uma residência do senhor Leandro e numa ação covarde colocaram o casal como refém e, quando entramos, houve uma negociação. Quando tentávamos uma negociação, houve um disparo de dentro e ele foi baleado na cabeça, e nosso policias reagiram. Tiraram a esposa em estado de choque”, relatou a PM. Os seis criminosos que ocupavam a casa foram mortos.
Balanço da operação
Apontado como mentor de sequestros e roubos na Zona Sul e na Lapa, Jiló dos Prazeres possuía 135 anotações criminais e oito mandados de prisão. Ele ficou internacionalmente conhecido pelo envolvimento na morte do turista italiano Roberto Bardella, em 2016.
A operação mobilizou 151 policiais, 14 viaturas e dois blindados. Além dos oito mortos (sete suspeitos e um civil), um policial militar foi atingido no braço. No esconderijo da quadrilha, os agentes apreenderam um arsenal de guerra com fuzis, pistolas e granadas.
Represália e caos na Região Central
A morte de Jiló provocou reações imediatas. Criminosos incendiaram um ônibus na Avenida Paulo de Frontin e atravessaram outros coletivos como barricadas no Rio Comprido. Dez linhas de transporte tiveram itinerários alterados e o comércio fechou as portas.
O impacto no cotidiano foi imediato. O comércio local fechou as portas por ordem do tráfico, mas a Polícia Militar garantiu que a presença na região será por tempo indeterminado. “A rotina das pessoas será garantida pela Polícia Militar”, reforçou o comando.
A operação causa transtornos também no transporte público da capital fluminense. De acordo com informações iniciais, várias linhas tiveram seu itinerário alterado nesta quarta-feira.
🚨 Balanço de Impacto no Transporte
- A72088 410 Saens Peña x Gávea
- A72034 410 Saens Peña x Gávea
- A48062 202 Rio Comprido x Castelo
- A48046 202 Rio Comprido x Castelo
- A72061 111 Central x Leblon Incendiado
- A72089 507 Silvestre x Largo do Machado
- A72058 007 Silvestre x Central
- 201 Santa Alexandrina x Castelo
- 202 Rio Comprido x Castelo
- 410 Saens Pena x Gávea
- 133 Largo do Machado x T. Gentileza
- 006 Silvestre x Castelo
- 007 Silvestre x Central
- 507 Silvestre x Largo do Machado
- 111 Central x Leblon
- 109 S. Conrado x T. Gentileza
- 014 Paula Mato x Central
Veja como está a situação no Rio cumprido, por causa da morte do chefe do tráfico(jiló), no morro dos Prazeres, durante operação BOPE, na manhã de hoje. pic.twitter.com/aeHqfM2EXv
— ℂ𝔸𝕆𝕊 ℕ𝕆 ℝ𝕀𝕆 𝔻𝔼 𝕁𝔸ℕ𝔼𝕀ℝ𝕆 (@CAOSNORJ021) March 18, 2026
🔥😱🚨 URGENTE – Ônibus incendiado por criminosos no bairro do Rio comprido, na avenida Paulo de Frontin em retaliação pela morte do traficante jiló, no morro dos prazeres, Santa Teresa. pic.twitter.com/P7pB3TqWU0
— 𝗖𝗔𝗟𝗟 𝗢𝗙𝗙 𝗥𝗜𝗢 (@CALLOFFRIO) March 18, 2026
Mural no Rio
Em paralelo ao confronto, a Prefeitura do Rio confirmou que apagou um mural dedicado ao filho do traficante “Abelha”. O painel ficava nos arredores da Escadaria Selarón. Ao comentar o fato, prefeito Eduardo Paes (PSD), disse que “no Rio não vai ter homenagem a vagabundo traficante!”