[Foto: Ilustrativa / Richard Souza / AN]
Uma operação deflagrada pelo Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) na manhã desta quarta-feira (18/03) desarticulou uma das lideranças mais longevas do Comando Vermelho (CV) no Rio de Janeiro. Claudio Augusto dos Santos, o Jiló dos Prazeres, de 55 anos, foi morto em um confronto de alta intensidade no Morro dos Prazeres, em Santa Teresa. A ação, no entanto, terminou com a morte de oito pessoas , sendo um morador feito refém pela quadrilha e 7 criminosos. 1 policial foi atingido no braço durante a ação.
Segundo a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ), a operação é fruto de meses de monitoramento técnico e inteligência, a ofensiva visava desmantelar uma rede especializada em roubo de veículos e clonagem que operava sob as ordens de Jiló. O criminoso, que acumulava 135 anotações criminais e oito mandados de prisão em aberto, era apontado como o mentor intelectual de sequestros e ataques violentos, principalmente na Zona Sul e na Lapa.
Segundo informações preliminares, a ação, que contou com mais de 150 policiais, 14 viaturas e dois blindados, faz parte do segundo dia consecutivo de cerco às comunidades dos Prazeres, Fallet/Fogueteiro, Coroa, Escondidinhos e Paula Ramos. Além de Jiló, outros cinco suspeitos morreram no confronto. O objetivo da PM é cumprir mandados contra lideranças da facção envolvidas em roubos de veículos e no tráfico que opera na região da Lapa.
Reféns e a morte de um morador
Ainda de acordo com a PMERJ, encurralados pelo BOPE, os traficantes invadiram uma residência e utilizaram um casal de moradores como reféns. Durante a tensa negociação, disparos foram efetuados dentro do imóvel. No interior do imóvel — classificado tecnicamente pela polícia como um “espaço confinado” de alto risco seis traficantes mantiveram um casal sob mira de armas.
De acordo com o comando da operação, a unidade de elite respondeu a um ataque que partiu de dentro da residência. No cenário de confinamento, iniciou-se uma negociação e logo em seguida uma resposta a disparos originados, que segundo os policial partiram dos criminosos. O morador Leandro Silva Souza foi alvejado na cabeça e morreu no local. Sua esposa, Roberta, foi resgatada pelos policiais em estado de choque profundo após o desfecho do embate.
A Polícia Militar lamentou a morte do civil e reforçou o perfil bárbaro e inconsequente do grupo criminoso: “A quadrilha não respeita moradores, não respeita pessoas quem trabalham naquela região”, afirmou o comando da corporação. No esconderijo estratégico utilizado por Jiló e seus comparsas, os agentes apreenderam um arsenal de guerra composto por fuzis, pistolas e granadas.
Compromisso com a verdade e investigação
Diante da gravidade da ocorrência e da morte do morador, a PMERJ garantiu que todas as circunstâncias do confronto no interior do imóvel serão rigorosamente apuradas. A instituição destacou que está colaborando integralmente com a perícia e as autoridades competentes.
“Estamos auxiliando todos os órgãos de investigação para que a verdade possa aparecer”, declarou o porta-voz da operação. O objetivo é esclarecer a dinâmica dos disparos no ambiente confinado e garantir a transparência sobre a conduta das equipes diante da tática de utilização de reféns pela facção.
Represália e Caos: Ônibus incendiados e o “fechamento” do comércio
Em resposta à morte de Jiló, criminosos iniciaram uma série de ataques na Região Central. Pelo menos um ônibus foi incendiado na Avenida Paulo de Frontin, um dos acessos vitais ao Túnel Rebouças, enquanto outros coletivos tiveram as chaves retiradas e foram atravessados como barricadas no Rio Comprido.
O impacto no cotidiano foi imediato. O comércio local fechou as portas por ordem do tráfico, mas a Polícia Militar garantiu que a presença na região será por tempo indeterminado. “A rotina das pessoas será garantida pela Polícia Militar”, reforçou o comando.
A operação causa transtornos também no transporte público da capital fluminense. De acordo com informações iniciais, várias linhas tiveram seu itinerário alterado nesta quarta-feira.
🚨 Balanço de Impacto no Transporte
- A72088 410 Saens Peña x Gávea
- A72034 410 Saens Peña x Gávea
- A48062 202 Rio Comprido x Castelo
- A48046 202 Rio Comprido x Castelo
- A72061 111 Central x Leblon Incendiado
- A72089 507 Silvestre x Largo do Machado
- A72058 007 Silvestre x Central
- 201 Santa Alexandrina x Castelo
- 202 Rio Comprido x Castelo
- 410 Saens Pena x Gávea
- 133 Largo do Machado x T. Gentileza
- 006 Silvestre x Castelo
- 007 Silvestre x Central
- 507 Silvestre x Largo do Machado
- 111 Central x Leblon
- 109 S. Conrado x T. Gentileza
- 014 Paula Mato x Central
Veja como está a situação no Rio cumprido, por causa da morte do chefe do tráfico(jiló), no morro dos Prazeres, durante operação BOPE, na manhã de hoje. pic.twitter.com/aeHqfM2EXv
— ℂ𝔸𝕆𝕊 ℕ𝕆 ℝ𝕀𝕆 𝔻𝔼 𝕁𝔸ℕ𝔼𝕀ℝ𝕆 (@CAOSNORJ021) March 18, 2026
🔥😱🚨 URGENTE – Ônibus incendiado por criminosos no bairro do Rio comprido, na avenida Paulo de Frontin em retaliação pela morte do traficante jiló, no morro dos prazeres, Santa Teresa. pic.twitter.com/P7pB3TqWU0
— 𝗖𝗔𝗟𝗟 𝗢𝗙𝗙 𝗥𝗜𝗢 (@CALLOFFRIO) March 18, 2026
Mural no Rio
Em paralelo ao confronto, a Prefeitura do Rio confirmou que apagou um mural dedicado ao filho do traficante “Abelha”. O painel ficava nos arredores da Escadaria Selarón. Ao comentar o fato, prefeito Eduardo Paes (PSD), disse que “no Rio não vai ter homenagem a vagabundo traficante!”
O histórico de “Jiló”: 135 passagens e morte de turista
Claudio Augusto dos Santos era um alvo prioritário. Com 135 passagens pela polícia e pelo menos 8 mandados de prisão em aberto, ele respondia por crimes como sequestro, cárcere privado e tráfico de drogas.
Um dos crimes de maior repercussão internacional em que Jiló esteve envolvido foi a morte do turista italiano Roberto Bardella, em dezembro de 2016. Na ocasião, Bardella e seu primo entraram por engano no Morro dos Prazeres em duas motocicletas. O turista foi baleado na cabeça e o primo chegou a ser mantido em cárcere por cerca de duas horas dentro de um carro com o corpo de Roberto no porta-malas, até que a ordem de libertação partisse da chefia do tráfico.
Nesta quarta-feira, a polícia segue em busca de outros líderes, entre eles Wilton Carlos Rabello Quintanilha, o Abelha, um dos principais nomes na hierarquia da facção e que permanece foragido.