- Agressão em alto mar: A Marinha de Israel encerrou uma operação de quase 35 horas em águas internacionais interceptando, ae levando 428 civis desarmados de mais de 40 países que integravam a Flotilha Global Sumud.
- Comboio bloqueado na Líbia: Em uma operação paralela por terra, as Forças Armadas da Líbia, sob pressão internacional, bloquearam o avanço de um comboio humanitário perto de Sirte, impedindo a passagem de ambulâncias e médicos.
- Repúdio internacional e Itamaraty: O Brasil, juntamente com outras 9 nações (incluindo Espanha, Colômbia e Turquia), emitiu uma declaração oficial conjunta condenando os ataques israelenses e exigindo a libertação imediata de todos os civis sequestrados.
Após quase 35 horas de agressão naval em alto mar, a Marinha de Ocupação de Israel interceptou e tomou o controle total das mais de 20 embarcações civis que compunham a Flotilha Global Sumud. A operação militar, que ocorreu a aproximadamente 250 milhas náuticas da costa da Faixa de Gaza, e já dentro da zona de Busca e Salvamento (SAR) de Chipre, culminou no sequestro de 428 ativistas, médicos, jornalistas e defensores dos direitos humanos de mais de 40 nacionalidades.
A flotilha civil havia zarpado de Marmaris (Turquia) com o objetivo de estabelecer um corredor humanitário e romper o bloqueio israelense contra a Faixa de Gaza. Relatórios da equipe da flotilha denunciam que as Forças de Operações Especiais de Israel abriram fogo contra civis em seis embarcações diferentes, utilizaram canhões de água e abalroaram intencionalmente o barco mais próximo da costa, o Ramle (Sirius).
Segundo informou a Flotilha Global Sumud, atualmente, centenas de participantes civis estão “desaparecidos” em poder do regime israelense, sendo transportados à força para portos na Palestina ocupada. “Eles não tiveram contato com nenhum advogado. O acesso consular foi negado a eles. Suas famílias não foram informadas sobre seu paradeiro”, alertou a nota oficial da missão.
Uma operação guiada diretamente pela “Sala de Guerra”
O nível da operação naval evidenciou a proporção que a missão humanitária alcançou. O próprio primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, juntamente com seus principais ministros e comandantes navais, acompanhou as interceptações pessoalmente na sala de operações da Marinha. Netanyahu chegou a parabenizar as tropas por trabalharem “discretamente” para frustrar o que ele classificou como uma tentativa de romper o “isolamento” de Gaza.
Para a organização da Flotilha, o uso de um “enorme contingente naval contra um pequeno grupo de pequenas embarcações a motor” expõe o desespero estratégico de Israel e uma tentativa de impedir o avanço da narrativa civil palestina.
O histórico do cerco é alarmante. Há duas semanas, um ataque semelhante ao largo de Creta resultou na detenção de 181 defensores dos direitos humanos. Segundo a organização Sumud, testemunhos daquela primeira interceptação relatam casos graves de tortura, abusos físicos e violência sexual invasiva perpetrada pelas forças de ocupação.
“Aos que orquestraram essa interceptação: vocês não impediram este movimento. Vocês interceptaram madeira e aço. A narrativa já desmoronou. E uma vez iniciado esse colapso, não há como voltar ao silêncio”, declarou a liderança da flotilha em nota oficial, informando que mais de 500 mil cartas de repúdio já foram enviadas a governos mundiais em poucas horas.
Missão terrestre bloqueada por tanques na Líbia
A estratégia de asfixia não ocorreu apenas no mar. Em uma escalada simultânea, o Comboio Terrestre Global Sumud — uma missão civil composta por mais de 200 participantes, transportando sete ambulâncias, 20 casas móveis e medicamentos — foi bloqueado em sua rota terrestre.
A caravana foi forçada a acampar a nove quilômetros da passagem de Sirte, na Líbia (uma zona considerada neutra). Sob forte pressão política do Egito, as autoridades do leste da Líbia enviaram uma “força militar completa” para travar o comboio. As negociações de passagem segura, mediadas pelo Crescente Vermelho, entraram em colapso.
“Uma força militar agora impede que civis desarmados entreguem ajuda a uma população sitiada. Isso não é uma área cinzenta. É uma violação do direito internacional humanitário”, destacou o movimento terrestre, citando flagrante quebra da Quarta Convenção de Genebra.
O posicionamento do Brasil e o repúdio de 10 Nações
A agressão de Israel gerou uma rápida e forte resposta diplomática. O Ministério das Relações Exteriores do Brasil (Itamaraty) publicou na segunda-feira (18/05) uma Declaração Conjunta assinada por 10 países: Brasil, Bangladesh, Colômbia, Espanha, Indonésia, Jordânia, Líbia, Maldivas, Paquistão e Turquia.
O documento é enfático em seu repúdio, condenando “nos mais fortes termos, os renovados ataques israelenses contra a Flotilha Global Sumud”. A aliança global de ministros caracterizou as ações de Israel como “violações flagrantes do direito internacional e do direito internacional humanitário” e exigiu ação imediata:
“Os Ministros expressam séria preocupação com a segurança e a integridade dos participantes civis da flotilha e demandam a libertação imediata de todos os ativistas detidos, assim como pleno respeito a seus direitos e a sua dignidade.”
Os governos signatários conclamaram a comunidade internacional a assumir a proteção de missões civis e a adotar “medidas concretas para pôr fim à impunidade e assegurar responsabilização por essas violações”.
Enquanto as instâncias diplomáticas tentam reaver os 428 civis desaparecidos nas mãos do exército de Israel, advogados da missão Sumud preparam processos judiciais em mais de 20 jurisdições ao redor do globo para responsabilizar os comandantes navais envolvidos nos ataques.
Pediatra e ativistas brasileiros estão entre os sequestrados em alto-mar
O ataque militar contra a maior flotilha humanitária da história atingiu diretamente cidadãos do Brasil. Entre os civis sequestrados nas últimas 24 horas pelas forças de ocupação israelenses estão quatro brasileiros: Ariadne Teles, Beatriz Moreira, Thainara Rogério e Cássio Pelegrini.
Pelegrini, que atua como médico pediatra, estava a bordo do barco Hawsha (Cabo Blanco). Ele embarcou na missão com o objetivo de prestar socorro aos profissionais de saúde e às crianças na Faixa de Gaza. Relatos do movimento apontam que as últimas embarcações, incluindo a do médico brasileiro, conseguiram chegar a menos de 100 milhas náuticas da costa palestina antes de serem interceptadas com o uso de violência e disparos de armas de fogo.
Durante o ataque, a transmissão das câmeras de segurança do barco foi derrubada, elevando o nível de alerta sobre a integridade física da tripulação. Segundo os organizadores, os brasileiros e os demais companheiros estão sendo encaminhados sob custódia militar para prisões na Palestina ocupada.
A escalada da violência e o histórico de tortura
A operação de interceptação em águas internacionais já atingiu cerca de 60 barcos do movimento pacífico, sendo 40 capturados apenas nas últimas horas. A agressão a essa frota, que busca romper um cerco ilegal imposto a Gaza há 17 anos, ocorre pouco tempo após um episódio de violência semelhante.
Há cerca de uma semana, as autoridades libertaram os ativistas Thiago Ávila e Saif Abu, que denunciaram ter sofrido tortura durante os 10 dias em que permaneceram detidos ilegalmente pelo regime sionista. Ambos haviam sido capturados perto da costa da Grécia junto a um grupo de 170 civis, que também incluía os brasileiros Mandi Coelho e Leandro Lanfredi.
Mobilização nacional e pressão sobre o Governo Federal
Diante do desaparecimento da nova equipe e do corte nas comunicações, a Global Sumud Flotilla iniciou uma campanha urgente de mobilização nas redes sociais. O movimento convoca a sociedade a marcar e pressionar as autoridades consulares, o Itamaraty e o Governo Federal, exigindo respostas e cuidados com os cidadãos capturados, além da ruptura diplomática com Israel.
Em comunicado oficial divulgado em múltiplos idiomas, o grupo foi categórico em suas exigências em relação às violações do Direito Internacional:
“O regime israelense cruza todos os limites, interceptando uma missão humanitária em águas internacionais e sequestrando seus tripulantes através do uso da força. Cobramos a liberação imediata de todos os sequestrados, e o esforço de todas as autoridades para garantir a segurança e livre passagem da Flotilha.”
Alerta Urgente: Brasileiros Sequestrados em Alto-Mar
Conheça os cidadãos do Brasil capturados durante a interceptação da frota humanitária
Da esquerda para direita e de cima para baixo: Thainara Rogério, Ariadne Teles, Cássio Pelegrini e Beatriz Moreira.
Cássio Pelegrini
Médico PediatraEmbarcação atacada: Hawsha (Cabo Blanco)
Missão: Embarcou para levar ajuda médica emergencial aos profissionais de saúde e socorrer crianças na Faixa de Gaza. O barco em que estava conseguiu chegar a menos de 100 milhas náuticas da costa palestina antes de sofrer disparos e ter as câmeras de transmissão derrubadas pelas forças de ocupação.
Ativistas e Voluntárias Capturadas
Ariadne Teles
Ativista civil voluntária
Beatriz Moreira
Ativista civil voluntária
Thainara Rogério
Ativista civil voluntária