[Foto: Ilustrativa / Google AI]
- O Índice de Progresso Social (IPS) 2026 avaliou os 5.570 municípios brasileiros a partir de 57 indicadores, revelando desigualdades persistentes no país.
- Pelo terceiro ano consecutivo, Gavião Peixoto (SP) é a cidade com o maior índice geral; no ranking das capitais, Curitiba (PR) fica em primeiro e Porto Velho (RO) em último.
- O estudo alerta para uma queda contínua na Inclusão Social no Brasil, com desafios graves relacionados à violência contra minorias e falta de oportunidades.
O Índice de Progresso Social (IPS) Brasil divulgou a sua edição 2026, revelando um panorama detalhado sobre a qualidade de vida nos 5.570 municípios do país. Com uma pontuação média nacional de 63,40 em uma escala de 0 a 100, o levantamento demonstra uma evolução sutil em relação ao ano anterior, mas escancara desigualdades regionais persistentes.
Desenvolvido a partir da análise de 57 indicadores sociais e ambientais focados em resultados diretos na vida da população, o IPS avalia se as necessidades essenciais estão sendo atendidas, se há condições para o bem-estar e se existem oportunidades para o pleno potencial dos cidadãos.
“Ou seja, o IPS mede resultados e não volume de investimentos, ou riquezas, nos interessa saber se os serviços públicos estão, de fato”, sendo entregues aos cidadãos”, afirma Melissa Wilm, coordenadora do IPS Brasil.
Os destaques do ranking municipal e o cenário das capitais
Pelo terceiro ano consecutivo, o pequeno município de Gavião Peixoto, no interior de São Paulo, conquistou o topo do ranking nacional com a nota 73,10. O levantamento evidencia uma forte predominância de cidades do Sudeste e Sul entre as 20 melhores, como Jundiaí (SP), Osvaldo Cruz (SP), Nova Lima (MG) e Maringá (PR). Na outra ponta da tabela, os piores desempenhos concentram-se na região Norte. Uiramutã (RR) amarga a última posição, seguida por Jacareacanga (PA) e Alto Alegre (RR).
Quando o recorte é feito entre as capitais, a pesquisa aponta diferenças drásticas que ultrapassam 12 pontos entre o topo e a base da lista. Curitiba (PR) lidera com 71,29 pontos. O pódio é completado por Brasília (DF), com 70,73, e São Paulo (SP), com 70,64. Na sequência, figuram Campo Grande (MS) e Belo Horizonte (MG). Já os menores resultados ficaram com Salvador (BA), Maceió (AL), Macapá (AP) e, em último lugar, Porto Velho (RO), com 58,59 pontos.
Apesar do destaque positivo de algumas metrópoles, a coordenadora do IPS Brasil faz um alerta severo sobre os gargalos estruturais desses grandes centros:
“Apesar do bom desempenho das capitais, todos apresentam sérias dificuldades no componente de inclusão social, com altos índices de violência contra minorias, famílias em situação de rua e baixa paridade de gênero e raça nas câmaras municipais”.
| Capital | Status | Nota IPS |
|---|---|---|
| Curitiba(PR) | 1º Lugar | 71,29 |
| Brasília(DF) | 2º Lugar | 70,73 |
| São Paulo(SP) | 3º Lugar | 70,64 |
| Campo Grande(MS) | Top 5 | 69,77 |
| Belo Horizonte(MG) | Top 5 | 69,66 |
| Salvador(BA) | Menores Índices | 62,18 |
| Maceió(AL) | Menores Índices | 61,96 |
| Macapá(AP) | Menores Índices | 59,65 |
| Porto Velho(RO) | Última Posição | 58,59 |
| Município | Status no Ranking | Nota IPS |
|---|---|---|
| Gavião Peixoto(SP) | 1º do Brasil | 73,10 |
| Jundiaí, Osvaldo Cruz, Nova Lima e Maringá | Top 20 Nacional | — |
| Jacareacanga e Alto Alegre(PA / RR) | Piores Posições | — |
| Uiramutã(RR) | Último do Brasil | — |
O retrato dos Estados e os contrastes regionais
Na média estadual, o Distrito Federal alcançou o 1º lugar, destacando-se como o melhor nível de progresso social do país. São Paulo e Santa Catarina ocuparam o 2º e o 3º lugares, respectivamente. Em contraste, Acre (25º), Maranhão (26º) e Pará (27º) amargam as últimas posições. No recorte geográfico, a Paraíba apresenta o melhor índice do Nordeste, e o Tocantins lidera na região Norte.
A análise tridimensional do IPS (Necessidades Humanas Básicas, Fundamentos do Bem-estar e Oportunidades) revela quais áreas puxam a nota do Brasil para cima e quais freiam o desenvolvimento. A dimensão de “Necessidades Humanas Básicas” foi a melhor avaliada (74,58), impulsionada pelo componente Moradia, que cravou 87,95 pontos. O Acesso à Informação e Comunicação também teve forte avanço (79,81).
Por outro lado, o país derrapa gravemente na dimensão de “Oportunidades” (46,82), o pior resultado geral. Componentes como Direitos Individuais (39,14), Acesso à Educação Superior (45,97) e Inclusão Social (47,22) puxam o Brasil para baixo. A Inclusão Social, aliás, mantém trajetória de queda desde 2024.
| Estado / Região | Posição / Destaque |
|---|---|
| Distrito Federal | 1º Lugar Nacional |
| São Paulo | 2º Lugar Nacional |
| Santa Catarina | 3º Lugar Nacional |
| Paraíba | Melhor do Nordeste |
| Tocantins | Melhor do Norte |
| Acre | 25º Lugar (Piores Índices) |
| Maranhão | 26º Lugar (Piores Índices) |
| Pará | 27º Lugar (Última Posição) |
| Indicador | Categoria | Nota Média |
|---|---|---|
| Moradia | Componente Positivo | 87,95 |
| Acesso à Informação e Comunicação | Componente Positivo | 79,81 |
| Necessidades Humanas Básicas | Dimensão Geral | 74,58 |
| Inclusão Social (Queda desde 2024) | Componente Crítico | 47,22 |
| Oportunidades | Dimensão Geral | 46,82 |
| Acesso à Educação Superior | Componente Crítico | 45,97 |
| Direitos Individuais | Componente Crítico | 39,14 |
Regionalmente, a Amazônia Legal sofre com os piores índices de Qualidade do Meio Ambiente, impacto direto do desmatamento e das emissões de gases. Já as regiões Sul e Sudeste, mesmo ricas, revelam fragilidades alarmantes em Saúde e Bem-estar, impulsionadas por altas taxas de obesidade, suicídio e doenças crônicas.
Produzido em parceria pelo Imazon, Fundação Avina, Amazônia 2030, Centro de Empreendedorismo da Amazônia e Social Progress Imperative, o IPS Brasil diferencia-se do PIB e do IDH por focar estritamente em resultados práticos, provando que cidades com rendas parecidas podem oferecer qualidades de vida radicalmente diferentes.
| Pergunta | Resposta |
|---|---|
| O que é o IPS Brasil? | O Índice de Progresso Social avalia de forma multidimensional a qualidade de vida nos 5.570 municípios brasileiros. Ele utiliza 57 indicadores sociais e ambientais agrupados em Necessidades Humanas Básicas, Fundamentos do Bem-estar e Oportunidades. |
| Qual cidade lidera o ranking de 2026? | Pelo terceiro ano consecutivo, Gavião Peixoto (SP) obteve a melhor pontuação geral (73,10). Entre as capitais, a liderança ficou com Curitiba (PR), seguida por Brasília (DF) e São Paulo (SP). |
| Quais cidades e estados tiveram os piores resultados? | No ranking geral, Uiramutã (RR) ficou em último lugar. Entre as capitais, Porto Velho (RO) obteve o pior índice. Na avaliação por estados, Pará, Maranhão e Acre ocuparam as últimas posições. |
| Como o IPS se diferencia do PIB ou do IDH? | O IPS foca estritamente nos resultados reais na vida das pessoas, como serviços públicos efetivamente entregues, e não no volume de riquezas financeiras ou apenas no crescimento econômico da região. |
| Quais são as áreas mais críticas do Brasil segundo o estudo? | O país tem seu pior desempenho na dimensão “Oportunidades”, registrando notas alarmantes em Direitos Individuais, Acesso à Educação Superior e Inclusão Social, que sofre quedas sucessivas desde 2024 devido à violência e baixa representatividade política de minorias. |