[Banco Central do Brasil / Foto: Leonardo Sá / Agência Senado]
[Foto: Leonardo Sá / Agência Senado]
De acordo com o boletim Focus divulgado pelo Banco Central (BC) nesta segunda-feira (23/03), a previsão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) — a inflação oficial do país — subiu de 4,1% para 4,17%.
Esta é a segunda semana consecutiva de elevação nas estimativas, impulsionada pelas incertezas geradas pela guerra no Oriente Médio. Apesar da alta, o índice projetado permanece dentro do intervalo de tolerância da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3%, com teto de 4,5%.
Juros e o impacto do conflito no Irã
Para conter o avanço dos preços, o mercado agora aposta em uma taxa básica de juros (Selic) menos flexível. A estimativa para o fechamento de 2026 foi elevada de 12,25% para 12,5% ao ano.
Atualmente fixada em 14,75%, a Selic passou por um corte de 0,25 ponto percentual na última reunião do Copom. O colegiado adotou um tom de cautela, não descartando rever o ciclo de baixas caso o cenário internacional piore. A expectativa anterior ao agravamento do conflito no Irã era de um corte mais agressivo, de 0,5 ponto.
Retrato da Inflação e PIB
Embora o acumulado de 12 meses tenha recuado para 3,81% em fevereiro — ficando abaixo de 4% pela primeira vez desde maio de 2024 —, o mês isolado registrou aceleração de 0,7%, puxado pelos setores de transportes e educação.
No campo do crescimento, houve uma leve melhora: a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 passou de 1,83% para 1,84%. O dado sucede um 2025 de crescimento robusto, onde a economia brasileira avançou 2,3%, marcando o quinto ano consecutivo de alta sob a liderança da agropecuária.
Câmbio e projeções futuras
A previsão para a cotação do dólar ao fim de 2026 está fixada em R$ 5,40. Para os anos seguintes, o mercado projeta uma trajetória de queda gradual nos juros e estabilização da inflação:
- 2027: IPCA em 3,8% e Selic em 10,5% ao ano.
- 2028: IPCA em 3,52% e Selic em 10% ao ano.
- 2029: IPCA em 3,5% e Selic em 9,5% ao ano.