[Foto: Ilustrativa / LensGO]
- VSR domina cenário infantil: Vírus sincicial respiratório causa explosão de casos em bebês menores de 2 anos.
- Mortalidade por Influenza A: Vírus da gripe é responsável por mais da metade dos óbitos registrados no período.
- Capitais em perigo: Quinze centros urbanos, incluindo São Paulo e Rio, mostram crescimento de longo prazo em doenças respiratórias.
O sistema de saúde brasileiro enfrenta um momento de pressão coordenada por múltiplos agentes virais. A nova edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz, divulgada nesta quinta-feira (14/05), apresentou um diagnóstico contundente: todas as unidades federativas do Brasil apresentam alta incidência de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). O levantamento, referente à Semana Epidemiológica 18 (3 a 9 de maio), aponta que o crescimento nacional é puxado de forma drástica pelas crianças pequenas e pelo avanço da gripe em regiões específicas.
O impacto do VSR na primeira infância
O aumento da SRAG no país tem um protagonista claro nas faixas etárias mais baixas: o vírus sincicial respiratório (VSR). O vírus é o principal impulsionador das internações entre crianças menores de 2 anos. Enquanto outras idades mostram sinais de estabilização, os leitos infantis sentem a pressão do VSR, que nas últimas semanas epidemiológicas atingiu uma prevalência de 41,5% entre os casos positivos.
A pesquisadora Tatiana Portella, do Boletim InfoGripe e do Programa de Computação Científica da Fiocruz, destaca que a prevenção é o único caminho para evitar tragédias. Segundo ela, “a principal forma de prevenção contra agravamentos e óbitos por VSR e influenza A é a vacinação”.
Portella reforça que, para proteger os recém-nascidos, a estratégia começa no pré-natal: “A vacina contra o VSR é aplicada em gestantes a partir da 28ª semana e protege os bebês principalmente durante os seis primeiros meses de vida”.
Para as crianças em situações de maior vulnerabilidade biológica, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece suporte adicional. A pesquisadora lembra que “também existem anticorpos monoclonais contra o VSR disponíveis de graça no SUS, que podem ser aplicados em crianças prematuras ou menores de dois anos com comorbidades”.
Influenza A e a letalidade entre idosos
Se o VSR ataca a base da pirâmide etária, a influenza A é a grande ameaça para a população acima de 65 anos. O boletim mostra que a mortalidade é maior entre os idosos, liderada justamente pelo vírus da gripe. No panorama geral de óbitos registrados no período, a influenza A responde por impressionantes 51,8% dos casos.
As hospitalizações por este vírus continuam aumentando em todos os estados da Região Sul e em pontos focais do Sudeste (São Paulo e Espírito Santo) e do Norte (Roraima e Tocantins). Para este público, Portella é enfática sobre a necessidade da dose anual: “Já a vacina anual contra a influenza é destinada aos grupos prioritários, como idosos, gestantes, pessoas com comorbidades e crianças de até 6 anos”.
Mapa do Risco: Estados e Capitais em alerta
A geografia da SRAG no Brasil mostra um país em vigilância máxima. Dezesseis estados estão com incidência em nível de alerta de risco ou alto risco, incluindo potências populacionais como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná, além de estados como Acre, Amazonas, Bahia e Rio Grande do Sul.
O cenário urbano é igualmente preocupante. Quinze capitais apresentam sinal de crescimento de SRAG na tendência de longo prazo. Entre elas estão:
- Sudeste: São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Belo Horizonte (MG).
- Sul: Porto Alegre (RS) e Florianópolis (SC).
- Norte: Manaus (AM), Belém (PA), Rio Branco (AC), Macapá (AP) e Palmas (TO).
- Centro-Oeste: Campo Grande (MS) e Cuiabá (MT).
- Nordeste: Salvador (BA), Maceió (AL) e Teresina (PI).
| UF | Nível de Atividade | Tendência (Longo Prazo) | Vírus de Destaque / Observação |
|---|---|---|---|
| AC | Alerta/Risco | Crescimento | VSR e Influenza A |
| AL | Alerta/Risco | Estável | Influenza A (permanece alta) |
| AM | Alerta/Risco | Crescimento | Rinovírus e VSR (com sinal de queda) |
| AP | Alerta/Risco | Crescimento | Rinovírus e VSR |
| BA | Alerta/Risco | Crescimento | VSR |
| CE | Alerta/Risco | Desaceleração | Covid-19 |
| DF | Alerta/Risco | Estável | Monitoramento Geral |
| ES | Alerta/Risco | Estável | Influenza A (em aumento) |
| GO | Alerta/Risco | Estável | VSR (sinal de queda) |
| MA | Alerta/Risco | Desaceleração | Covid-19 |
| MG | Alerta/Risco | Crescimento | Influenza A (alta) e Rinovírus |
| MS | Alerta/Risco | Crescimento | VSR |
| MT | Alerta/Risco | Estável | VSR (sinal de queda) |
| PA | Alerta/Risco | Crescimento | VSR |
| PB | Alerta/Risco | Crescimento | Influenza A (permanece alta) |
| PE | Alerta/Risco | Crescimento | VSR |
| PR | Alerta/Risco | Crescimento | Influenza A (em aumento) |
| RJ | Alerta/Risco | Crescimento | Rinovírus e VSR |
| RN | Alerta/Risco | Crescimento | VSR |
| RO | Alerta/Risco | Estável | Influenza A (em aumento) e VSR (queda) |
| RR | Alerta/Risco | Estável | Influenza A (alta) e VSR (queda) |
| RS | Alerta/Risco | Crescimento | Influenza A e Rinovírus |
| SC | Alerta/Risco | Crescimento | Influenza A e Rinovírus |
| SE | Alerta/Risco | Estável | Influenza A (permanece alta) |
| SP | Alerta/Risco | Crescimento | Influenza A (em aumento) |
| TO | Alerta/Risco | Crescimento | Influenza A (alta) e VSR (queda) |
Dados Epidemiológicos de 2026
Até o momento, o Brasil já notificou 57.585 casos de SRAG em 2026. Destes, 45,7% tiveram resultado positivo para algum vírus respiratório. No acumulado do ano, o rinovírus lidera a prevalência com 36,1%, seguido pela influenza A (26,3%) e o VSR (25,3%).
Contudo, a dinâmica recente mostra uma inversão: o VSR disparou nas últimas semanas. Já a Covid-19, embora apresente baixa incidência geral e sinais de desaceleração em estados como Maranhão e Ceará, permanece como a segunda maior causa de morte entre os idosos, reforçando que o vírus ainda circula com potencial letal para os mais vulneráveis.
*Com informações de Fiocruz