[Foto: Ilustrativa/ Google AI]
- O Relatório Anual de 2025 do Strava aponta que a Geração Z está substituindo o “doom scrolling” por atividades físicas e conexões no mundo real.
- A corrida e a caminhada são os esportes em maior ascensão, com jovens preferindo investir dinheiro em equipamentos esportivos do que em encontros românticos.
- No Brasil, o Rio Grande do Sul desponta como o estado mais rápido na corrida, enquanto São Paulo lidera globalmente em tentativas de trechos específicos de corrida e ciclismo.
Com dados consolidados no final de 2025, o 12º Relatório Anual de Tendências do Ano no Esporte (Year in Sport) do Strava, plataforma que reúne mais de 180 milhões de usuários em 185 países, revelou uma drástica mudança de comportamento. O levantamento, que analisou bilhões de atividades globais e entrevistou mais de 30.000 pessoas, destaca que as gerações mais jovens estão se desconectando das redes sociais passivas e calçando os tênis em busca de experiências no mundo real.
De acordo com os dados, em 2025, os usuários da plataforma distribuíram 14 bilhões de kudos (as curtidas do aplicativo) e registraram um dado revelador sobre o uso do tempo: para cada dois minutos gastos navegando no app, os assinantes passaram uma hora inteira suando a camisa.
A pesquisa evidencia o fim da era da rolagem infinita (doom scrolling) para muitos jovens. Michael Martin, CEO do Strava, destacou essa transição de comportamento:
“Mais da metade da Geração Z planeja usar o Strava mais em 2026, enquanto a maioria diz que usará o Instagram e o TikTok na mesma quantidade ou menos. A Geração Z é a demografia que mais cresce no Strava, sabemos que eles estão em busca de experiências reais, e não de mais tempo olhando para telas. Esta geração está reescrevendo as regras, e estamos comprometidos em construir uma plataforma que mantenha as pessoas conectadas e se movendo juntas pelas próximas gerações.”
| Alcance Global | Mais de 180 milhões de usuários distribuídos por 185 países. |
| Escopo do Levantamento | Bilhões de atividades analisadas e mais de 30.000 pessoas entrevistadas. |
| Engajamento na Plataforma | 14 bilhões de kudos (curtidas) distribuídos durante o ano. |
| Mundo Real vs. Telas | Para cada 2 minutos de navegação no app, os usuários registraram 1 hora de exercício físico. |
| Aposta da Geração Z | Maioria projeta usar mais o Strava em 2026, estagnando ou reduzindo o tempo gasto no TikTok e Instagram. |
Corrida, caminhada e a busca pela estética
Em 2025, a corrida e a participação em provas explodiram, com a Geração Z na liderança do movimento. Essa faixa etária tem 75% mais probabilidade do que a Geração X de ter eventos e provas de corrida como principal motivação para treinar. Dados integrados do aplicativo Runna mostram que 60% dos corredores se consideram iniciantes ou intermediários, e impressionantes 86% deles bateram seus recordes pessoais neste ano.
A diversificação também é a regra. Mais da metade dos usuários (54%) registra múltiplas atividades. A caminhada conquistou o segundo lugar geral no aplicativo, e os clubes de caminhada foram os que mais cresceram na plataforma (5,8 vezes mais).
As salas de musculação também estão mais cheias. O treino de força virou prioridade para a Geração Z (duas vezes mais provável de ser o esporte principal do que para a Geração X), sendo que 61% a mais de jovens dessa geração afirmam levantar peso visando a estética. As mulheres também intensificaram a prática, com um aumento de 21% nos registros de Treinos de Força no aplicativo.
O Novo “Date” é o treino: Gastos e comunidades
A inflação afetou diretamente 65% da Geração Z, mas isso não cortou os investimentos no bem-estar. Pelo contrário: 30% planejam gastar ainda mais com fitness em 2026. Os wearables (dispositivos vestíveis) foram citados como o maior investimento do ano por 63% a mais de jovens da Geração Z em comparação com a Geração X.
As prioridades afetivas e financeiras mudaram. Entre os jovens, 64% preferem gastar dinheiro com equipamentos esportivos do que em um encontro tradicional. Além disso, 39% a mais de indivíduos da Geração Z usam o ambiente fitness para conhecer pessoas. Sobre primeiros encontros focados em treino, 46% dizem “sim, com certeza”, provando que o suor é o novo romance.
Essa sociabilidade se refletiu no aplicativo, que atingiu a marca de 1 milhão de clubes, um número quase quatro vezes maior do que no ano anterior.
| Corrida e Recordes | 86% dos corredores bateram recordes pessoais. A Geração Z tem 75% mais foco em provas do que a Geração X. |
| A Força da Caminhada | Segundo esporte mais praticado do app. Os clubes de caminhada foram os que mais cresceram (5,8x). |
| Musculação em Alta | Crescimento de 21% entre as mulheres. A juventude treina focada na estética (61% a mais que a Gen X). |
| Equipamentos vs. Encontros | 64% dos jovens preferem investir o dinheiro em artigos esportivos do que em um encontro tradicional. |
| O “Date” Perfeito | 46% dizem “sim, com certeza” para um primeiro encontro focado em realizar um treino juntos. |
| Boom de Comunidades | O aplicativo atingiu a marca histórica de 1 milhão de clubes, um crescimento de quase 4 vezes no ano. |
O Cenário no Brasil: Velocidade gaúcha e recordes paulistas
Para os brasileiros, o relatório trouxe dados de liderança regional e global. O Rio Grande do Sul foi coroado como o estado mais rápido do Brasil na corrida, registrando um pace médio de 05:59 (menos de 6 minutos para percorrer um quilômetro).
São Paulo, por sua vez, dominou as tentativas de trajetos (segmentos). O trecho “Tiro 1km”, no Parque Ibirapuera, foi o mais tentado do Brasil e o terceiro do mundo. No ciclismo, a Ciclovia Rio Pinheiros garantiu o pódio nacional com o trecho “Hebraica-Rebouças x Cidade Jardim”, que também alcançou a incrível segunda posição no ranking mundial de tentativas.
Além disso, o Brasil se destaca pelo uso massivo do celular: enquanto a média global de registros diretos pelo aplicativo é de 72%, no Brasil esse número salta para 89%.
Tecnologia e equipamentos do ano
Em termos de equipamentos, o ASICS Novablast foi o tênis de corrida mais usado no mundo em 2025, seguido pelo Nike Pegasus. No mercado brasileiro, a medalha de ouro ficou com o orgulho nacional Olympikus Corre, seguido pelo ASICS Novablast e pelo Adidas Adizero. Entre os relógios, o Apple Watch manteve a liderança isolada.
A Inteligência Artificial (IA) também moldou 2025. O recurso de rotas do Strava gerou uma nova recomendação a cada 19 segundos. Quase metade dos entrevistados (46%) estaria disposta a usar a IA como um treinador inteligente, uma adoção liderada com entusiasmo pela Geração Z. E quando chega a sexta-feira? Os dados confirmam: é o dia menos popular para registros, consagrado mundialmente como o dia oficial do descanso e da recuperação muscular.
| Dúvida Frequente | Resposta do Relatório Strava 2025 |
|---|---|
| Qual geração mais cresce no Strava? | A Geração Z. O relatório aponta que eles estão trocando as redes sociais de consumo passivo por experiências ativas no mundo real. |
| Quais são os tênis mais populares no Brasil? | O pódio brasileiro é liderado pelo Olympikus Corre, seguido pelo ASICS Novablast e pelo Adidas Adizero. |
| Onde estão os corredores mais rápidos do Brasil? | No Rio Grande do Sul. O estado registrou um pace médio impressionante de 05:59 minutos por quilômetro. |
| Como a Geração Z gasta seu dinheiro e tempo livre? | 64% preferem gastar dinheiro com equipamentos esportivos em vez de encontros românticos. Wearables e treinos são as novas prioridades sociais. |
| Qual é o dia oficial do descanso? | A sexta-feira foi o dia com o menor número de atividades registradas no aplicativo, sendo dedicada à recuperação muscular e alongamentos. |
O Lado médico do “boom” da corrida: Afinal, o esporte destrói os joelhos?
Como os dados do Relatório Anual do Strava deixaram claro, a corrida vive um momento de popularização sem precedentes, consolidando-se como o esporte mais praticado do mundo. Esse levantamento ganha ainda mais peso quando olhamos para o cenário nacional: o Brasil ocupa a segunda posição global em número de corredores registrados em aplicativos esportivos, com os clubes de corrida crescendo impressionantes 109% no país.
No entanto, com essa explosão de novos praticantes, iniciantes e até atletas mais experientes esbarram em uma dúvida clássica: correr faz mal para o joelho?
Para esclarecer esse temor histórico, o médico ortopedista Dr. Guilherme Morgado Runco apresenta um alívio para quem está calçando os tênis agora.
“Existe um medo histórico de que a corrida ‘desgaste’ os joelhos, mas a ciência mostra que essa relação não é tão simples. Quando praticada com orientação, progressão adequada e preparo físico, a corrida pode ser uma grande aliada da saúde das articulações. O problema não é correr, mas correr sem preparo, ignorando sinais do corpo e sem orientação profissional”, explica o especialista.
A corrida como escudo de proteção articular
As adaptações geradas pela corrida no sistema musculoesquelético são profundas. Com o tempo, a prática fortalece a musculatura que estabiliza quadris e joelhos, aumenta a densidade dos ossos e torna o sistema de absorção de impacto do corpo muito mais eficiente.
Há também o benefício secundário, mas fundamental: o controle do peso corporal. O excesso de peso é um dos maiores vilões das articulações, e o esporte atua diretamente nesse combate.
“Cada quilo a mais representa múltiplas vezes essa carga sobre o joelho durante a corrida. Quando a pessoa corre com orientação e progressão adequada, ela fortalece o corpo para lidar com o impacto e ainda reduz um dos principais fatores de risco para desgaste articular, que é o excesso de peso. Por isso, a corrida pode atuar como ferramenta de prevenção e promoção de saúde”, afirma o ortopedista.
Quando a dor acende o sinal de alerta?
Apesar de ser uma ferramenta de promoção da saúde, a corrida exige respeito à biomecânica. O uso de calçados impróprios, técnica inadequada, desequilíbrios musculares e, principalmente, o aumento abrupto da carga de treino podem elevar o risco de lesões.
A dor não deve ser ignorada ou tratada como “parte do processo”, como alerta o médico: “Existe uma diferença importante entre desconforto adaptativo, comum no início da prática, e dor persistente, que limita o movimento ou piora com o tempo. Quando ignoramos esses sinais, pequenas sobrecargas podem evoluir para lesões mais complexas. A avaliação médica precoce permite identificar a causa, ajustar o treino e evitar a progressão do problema.”
Para quem se inspirou nos dados do Strava e quer se juntar à Geração Z nas ruas e parques, a regra de ouro é o preparo prévio.
“O conhecimento empodera o paciente. Entender como o corpo responde ao exercício, respeitar a progressão e buscar orientação profissional permite que a corrida seja uma prática segura e sustentável ao longo da vida”, conclui o Dr. Guilherme Morgado Runco.