Drogas apreendidas | Foto: Divulgação / PMERJ
[Foto: Divulgação / PMERJ]
- Honraria máxima aprovada: O cão farejador Hulk, integrante do Batalhão de Ações com Cães (BAC), receberá a Medalha Tiradentes, maior comenda do estado do Rio de Janeiro, após aprovação do legislativo fluminense.
- Faro histórico na Maré: O animal foi o grande responsável por localizar um bunker subterrâneo com cerca de 48 toneladas de maconha, marcando a maior apreensão da história do Brasil.
- Trajetória de excelência: Com 5 anos de idade e fruto de uma doação, o pastor-belga-malinois acumula mais de 200 operações ao lado de seu condutor, o 3º Sargento Waldemar.
O faro, a precisão e a disciplina tática de um combatente de quatro patas acabam de ser imortalizados na história da segurança pública fluminense. O cão farejador Hulk, do Batalhão de Ações com Cães (BAC) da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ), receberá a Medalha Tiradentes, a mais alta honraria concedida pelo estado.
A homenagem foi viabilizada pelo Projeto de Resolução 2.490/26, de autoria dos deputados Rodrigo Amorim (PL) e Sarah Poncio (SDD). Aprovada em discussão única pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), a proposta agora segue para a promulgação do presidente da Casa, deputado Douglas Ruas (PL), devendo ser publicada no Diário Oficial do Legislativo nos próximos dias.
Mais de 200 operações e um recorde nacional

Da raça pastor-belga-malinois e com 5 anos de idade, Hulk chegou ao batalhão por meio de uma doação. Sob a condução técnica do 3º Sargento Waldemar, o cão já participou de mais de 200 operações, demonstrando uma capacidade ímpar de atuar sob pressão.
O ápice de sua trajetória de excelência ocorreu durante uma incursão no Complexo da Maré. Foi o faro de Hulk que indicou aos policiais a existência de uma estrutura subterrânea improvisada e oculta em uma fábrica abandonada. O bunker escondia cerca de 48 toneladas de maconha, configurando a maior apreensão de entorpecentes já registrada no país.
Para o deputado Rodrigo Amorim, coautor do projeto, a comenda acompanha uma tendência global de valorização da unidade K-9. “É importante destacar que cães têm sido historicamente reconhecidos por atos de bravura, heroísmo e serviços especiais, sendo frequentemente condecorados com honrarias militares e civis em diversas partes do mundo”, justificou o parlamentar.
O significado da Comenda para a corporação
A decisão da Alerj ecoou profundamente dentro da corporação. O comandante do BAC, Coronel Luciano Pedro, avalia que “a concessão da Medalha Tiradentes — a maior honraria do Estado do Rio de Janeiro — ao Batalhão de Ações com Cães (BAC) carrega um significado profundo que transcende o formalismo institucional”. Para o oficial, a homenagem “representa o ápice do reconhecimento público a uma trajetória de dedicação, risco extremo e excelência operacional.”
Longe de considerar o animal apenas um recurso logístico, o comandante faz questão de dividir o mérito estrutural da tropa. Segundo ele, “a medalha não coroa apenas o esforço dos policiais militares, mas eterniza o valor dos cães de faro”.
O coronel enfatiza ainda a mudança de paradigma no reconhecimento destes animais na linha de frente da segurança pública do Rio de Janeiro, afirmando que a honraria “chancela o entendimento de que esses animais não são meras ferramentas de trabalho, mas verdadeiros combatentes que doam suas vidas, com lealdade inabalável, para proteger a sociedade fluminense.”
A simbiose perfeita contra o crime organizado
O impacto do trabalho do BAC no desmantelamento das redes logísticas do tráfico é evidenciado pelos números expressivos. Aprovando a capacidade tática da tropa, o Coronel Luciano aponta que “destacar o BAC com a maior comenda do estado é validar a precisão técnica, a doutrina rigorosa e o pioneirismo da unidade.”
O comandante ressalta que o sucesso de operações tão complexas, como a do Complexo da Maré, reflete a união entre o treinamento policial e o instinto animal. “É o testemunho de que, nos momentos mais críticos da segurança pública, a simbiose perfeita entre o homem e o cão foi o diferencial para salvar vidas e desarticular o crime organizado”, destaca.
Com a publicação do projeto nos próximos dias, Hulk e o Sargento Waldemar cimentam seu legado. Como resume o comandante do batalhão: “A Medalha Tiradentes no peito do BAC é a prova de que o faro, a coragem e a lealdade dos nossos cães policiais estão gravados na história e na segurança do Rio de Janeiro.”
O resgate histórico e a “Personalidade Honorária” do Cão Hulk
O Projeto de Resolução que oficializa a entrega da Medalha Tiradentes e do respectivo Diploma ao cão Hulk é assinado conjuntamente pelos deputados Rodrigo Amorim, Marcelo Dino e Sarah Poncio. Na justificativa da proposta, os parlamentares destacam que a concessão da honraria chancela o elevado nível de treinamento técnico dos animais da corporação, além de evidenciar atributos como disciplina, coragem e a capacidade de manter o desempenho sob condições extremas, fatores considerados indispensáveis para o sucesso de incursões em áreas críticas.
Ao defender a homenagem na Alerj, a ementa do projeto insere o pastor-belga-malinois do BAC em um célebre panorama internacional de animais condecorados por atos de bravura e serviços especiais. O texto cita casos emblemáticos mundiais, como o do cão Hurricane, do Serviço Secreto dos EUA, premiado após interceptar um invasor na Casa Branca em 2014; o cão Theo, do Exército Britânico, que recebeu a prestigiada Medalha Dickin por detectar explosivos no Afeganistão; e Leuk, das Forças Especiais Francesas, condecorado postumamente por sua atuação no Mali em 2019. A justificativa resgata ainda a história de Pickles, animal que ganhou notoriedade global ao localizar a Taça do Mundo roubada antes da Copa de 1966, e lembra um marco nacional recente, em que um cão sem raça definida ganhou as manchetes ao proteger um bebê em situação de risco.
Diante desses precedentes, os autores da resolução argumentam que é plenamente legítimo que o Estado utilize sua comenda mais alta para reconhecer animais cuja atuação individual se destaque de forma excepcional. Sob a ótica simbólica do projeto, quando um animal se revela digno de tamanho mérito por proteger a vida e a ordem pública, sua individualidade e heroísmo devem ser validados pelas instituições fluminenses, aproximando-o do conceito de uma verdadeira “personalidade honorária”.
O braço humano da missão: O destaque ao 3º Sargento Waldemar
Por trás do faro infalível e do comportamento preciso do cão Hulk em meio ao cenário de risco do Complexo da Maré, existe um pilar fundamental: a liderança e a condução técnica do 3º Sargento Waldemar. Na estrutura das forças de segurança, o sucesso de uma unidade K-9 depende inteiramente da relação de confiança e da simbiose perfeita construída entre o operador humano e o animal farejador ao longo de anos de treinamento diário.

O Sargento Waldemar é o responsável direto por guiar Hulk em sua rotina exaustiva no Batalhão de Ações com Cães, sendo o profissional que decodificou a mudança sutil de comportamento do pastor-belga durante a varredura na comunidade da Nova Holanda. Foi a percepção técnica do sargento, ao ler os sinais corporais emitidos pelo cão diante da parede da construção abandonada, que permitiu aos mais de 250 agentes locais descobrirem a entrada do bunker subterrâneo.
Essa parceria de sucesso, que já se estende por mais de 200 operações de alta complexidade no Estado do Rio de Janeiro, consolida o sargento como peça vital na engrenagem que transformou um animal doado em um herói condecorado. O reconhecimento da Alerj e o impacto de R$ 50 milhões infligido ao crime organizado coroam não apenas o instinto do cão, mas a dedicação, a paciência e a excelência operacional do Sargento Waldemar na linha de frente da segurança pública.
O reconhecimento no Quartel-General: “O binômio homem-cão fez história”
Há cerca de quatro semanas, o ineditismo da operação que motivou a indicação à Medalha Tiradentes já havia rendido uma condecoração interna. Em cerimônia realizada no Salão Nobre do Quartel-General da PMERJ, o cão Hulk e os policiais do Batalhão de Ações com Cães (BAC) foram os grandes homenageados.
O evento foi convocado pelo Secretário de Estado de Polícia Militar e Comandante-Geral, Coronel Sylvio Guerra, para enaltecer a atuação histórica que culminou na apreensão das 48 toneladas de material entorpecente, a maior da história do país, além de fuzis, pistolas e munições. Mais do que uma formalidade, a solenidade simbolizou o reconhecimento da Corporação ao trabalho técnico, à coragem e à dedicação de quem faz da missão um compromisso diário. Ali, ficou atestado que o binômio homem-cão fez história e, naquele momento, o legado foi oficialmente reconhecido.
Durante o discurso para a tropa, o Coronel Sylvio Guerra dimensionou o tamanho do feito alcançado pelas equipes. “48 toneladas de drogas, [..] , a maior apreensão do mundo. E essa apreensão foi feita por os senhores”, declarou o Comandante-Geral. Ele ressaltou ainda a dificuldade de absorver a magnitude do recorde: “Talvez, eu acho que vocês também, em determinado momento, não compreenderam isso também. Até porque não é fácil compreender isso. Vocês fizeram a maior apreensão do mundo.”
O comandante do BAC, Tenente-Coronel Luciano Pedro Barbosa da Silva, também discursou e reforçou o impacto internacional da missão. “A apreensão de 48 toneladas foi a maior apreensão de drogas da história do Brasil e a maior apreensão de uma tropa canofe no mundo”, afirmou.
Ao se dirigir ao grande herói de quatro patas da corporação, o Tenente-Coronel destacou a imortalidade do feito. “O que hoje recebe a estonharia, pois sua contribuição é histórica e seu nome será lembrado para sempre como o cão que localizou a maior quantidade de drogas já apreendida dentro de uma área conflagrada no mundo”, pontuou o comandante do BAC.
Encerrando a solenidade, o oficial exaltou o orgulho institucional da unidade e celebrou a parceria de sucesso. “Encerro reafirmando minha admiração por essa unidade, nossos policiais e nossos cães. Que retornem para suas casas com o peito estufado de orgulho e a consciência do dever cumprido”, declarou. Por fim, vibrou com a tropa: “Parabéns aos heróis de farda e ao nosso eterno campeão Hulk. Viva a Polícia Militar! Viva Lombo Baque!”.
O cerco estratégico e o golpe de R$ 50 milhões no tráfico
A histórica apreensão que garantiu a condecoração do cão Hulk ocorreu em uma grande operação da Polícia Militar realizada entre a terça-feira (07/04) e a madrugada de quarta-feira (08/04). A ação, que mobilizou mais de 250 agentes estaduais, resultou na maior apreensão de drogas da história do Brasil, superando o recorde nacional anterior estabelecido em 2021, quando 36,5 toneladas de entorpecentes foram interceptadas no estado de Mato Grosso do Sul.
Com o objetivo principal de reprimir o roubo de veículos e de cargas, a incursão concentrou esforços coordenados nas comunidades da Nova Holanda e do Parque União, ambas localizadas no Complexo da Maré. Além do montante histórico de drogas, avaliado em aproximadamente R$ 50 milhões, as equipes da Polícia Militar apreenderam cinco fuzis, quatro pistolas, efetuaram a prisão de um criminoso e conseguiram recuperar 26 veículos roubados.
A ofensiva foi liderada pelo Comando de Operações Especiais (COE), envolvendo de forma integrada o BOPE, o Batalhão de Choque, o BAC, o BTM e o GAM, além do apoio operacional do 22º BPM (Maré). Nas primeiras horas da ação, os militares descobriram um contêiner utilizado para o armazenamento de substâncias ilícitas, onde foram confiscados insumos para produção e 200 litros de lança-perfume.
Contudo, o verdadeiro ponto de virada da operação ocorreu durante a varredura minuciosa desenvolvida pelo Batalhão de Ações com Cães (BAC). Ao inspecionar uma construção na comunidade da Nova Holanda, o pastor-belga-malinois Hulk apresentou uma nítida mudança de comportamento. O sinal do animal levou os agentes diretamente à descoberta de um bunker subterrâneo improvisado. No esconderijo, a PM localizou mais de 24 mil tabletes de maconha, pesando cerca de dois quilos cada, totalizando as 48 toneladas. Devido ao volume massivo, a corporação precisou utilizar caminhões de carga para retirar o material da comunidade.
O secretário e comandante-geral da Polícia Militar, coronel Sylvio Guerra, celebrou o desfecho da incursão cirúrgica, destacando a excelência técnica da tropa e a total ausência de danos colaterais durante o cumprimento da missão:
“Essa apreensão recorde é resultado de uma ação cirúrgica da Polícia Militar, evidenciando toda a capacidade técnica e operacional. Através do planejamento, inteligência e da atuação especializada do Batalhão de Ações com Cães e de todas as unidades envolvidas na operação, atingimos um resultado expressivo para o enfraquecimento das organizações criminosas e, principalmente, sem efeitos colaterais. Com isso, a Polícia Militar aplica mais duro golpe no tráfico de drogas”, afirmou o coronel Guerra.